4º Batalhão de Engenharia de Combate
O 4º Batalhão de Engenharia de Combate é a unidade do Exército sediada em Itajubá desde 31 de janeiro de 1921. Criado em 1910 no Rio Grande do Sul, chegou à cidade vindo de Lorena e ocupa desde 1º de abril de 1925 o quartel construído pela Companhia Construtora de Santos. Chamou-se 4º Batalhão de Engenharia até 1935 e 1º Batalhão de Pontoneiros de 1935 a 1947, recebeu o complemento “de Combate” em 1954 e, em 1994, a denominação histórica de Batalhão Pontoneiros da Mantiqueira.123
De Rio Pardo a Lorena
Seção intitulada “De Rio Pardo a Lorena”O batalhão foi organizado em 25 de janeiro de 1910, em Rio Pardo, por ordem do general Manuel Joaquim Godolphim, com praças de várias unidades, a maior parte de um contingente do 4º Regimento de Artilharia Montada.4 No mesmo ano mandou um contingente ao Rio de Janeiro durante a Revolta da Chibata.3 Mudou-se depois para a margem do Taquari, onde se alojou na antiga estação da Estrada de Ferro Porto Alegre-Uruguaiana, na atual cidade de General Câmara: em 23 de novembro de 1911, segundo a História de Itajubá, ou em 1913, segundo a síntese histórica do próprio batalhão.13
O Exército dissolveu a unidade em 30 de abril de 1915 e a reorganizou em 2 de janeiro de 1918, em Lorena, sob o comando do tenente-coronel Emílio Sarmento. Em 20 de maio o batalhão prestou continências ao presidente Wenceslau Braz, que o visitava, e em 24 de maio passou para a Fazenda Amarela, no mesmo município. Em 12 de julho de 1918 o Ministério da Viação o encarregou de construir a Estrada de Ferro Piquete-Itajubá, e em 1919 a 2ª Companhia veio para Itajubá, alojada num prédio velho da Rua Xavier Lisboa, onde depois se ergueu o Colégio de Itajubá.1
A vinda para Itajubá
Seção intitulada “A vinda para Itajubá”Armelim Guimarães atribui a vinda do batalhão a Wenceslau Braz, que como presidente fez cumprir a lei do serviço militar obrigatório e, ao deixar o cargo, usou o prestígio entre os militares para trazer uma unidade do Exército à cidade.4 Em 16 de agosto de 1920, o vereador José Rennó Pereira apresentou o projeto para comprar um terreno e doá-lo ao Exército. A Câmara negociou com a firma Gomes & Santos, dona de terras na Vila Lúcia, mas acabou cedendo ao batalhão o prédio recém-construído para o asilo de desamparados.51
Em 31 de janeiro de 1921, sob o comando do coronel Raymundo Arthur de Vasconcelos, o batalhão chegou da Fazenda Amarela. A tropa ficou no prédio da Vila Lúcia, e a Intendência e a Casa das Ordens se instalaram no sobrado do antigo Ginásio de Itajubá, na atual Praça Teodomiro Santiago.16 Em julho chegou o tenente Juarez Távora, que em suas memórias contou ter morado com o coronel e os outros tenentes num casarão da cidade, que Armelim identifica como esse sobrado, e ter feito amizade com os filhos de Wenceslau Braz.7 Os soldados apareceram pela primeira vez numa festa cívica da cidade em 7 de setembro de 1922, na missa campal do centenário da Independência.8
O quartel
Seção intitulada “O quartel”Em 12 de outubro de 1922, com a presença de Wenceslau Braz, foi lançada a pedra fundamental do quartel. O ministro da Guerra, Pandiá Calógeras, mandou fazer a obra, e a Companhia Construtora de Santos, presidida por Roberto Simonsen, a executou. Quatro dias depois, o general Cândido Rondon, então diretor de Engenharia do Exército, visitou o canteiro.12 A construtora entregou o quartel em 8 de fevereiro de 1925, e o batalhão se mudou em 1º de abril.29 O prédio da Vila Lúcia virou o Asilo Nossa Senhora da Soledade e já foi demolido.10
Numa vista antiga publicada em Itajubá e Sua História, o quartel aparece diante do antigo leito do Rio Sapucaí e dos trilhos do ramal de Delfim Moreira.11 O batalhão inaugurou sua piscina em 31 de janeiro de 1932 e o novo rancho e o pavilhão de viaturas em 21 de março de 1957.12
As revoluções
Seção intitulada “As revoluções”Em julho de 1924, sob o comando do coronel Gustavo Lebon Regis, o batalhão seguiu como tropa de infantaria contra a revolta de Isidoro Dias Lopes. Embarcou em 7 de julho para Cruzeiro, passou por Caçapava e ficou em Mogi das Cruzes, sede do quartel-general, onde Lebon Regis assumiu o comando das forças legalistas. Destacamentos guardaram a serra de Santos, Itaquera e os prisioneiros levados a Taubaté.1213 O primeiro itajubense morto na revolução foi o soldado Noronha, num desastre de trem em Mogi das Cruzes. Na serra de Santos, o cabo Nestor Silva, atravessado por uma baioneta, prendeu o agressor e foi promovido a sargento.14 Uma seção de 70 telefonistas foi para Ponta Grossa em outubro, a 1ª Companhia foi para Mato Grosso, e em 1926 ainda havia homens do batalhão em Goiás.143
Em outubro de 1930, o batalhão ficou do lado do governo de Washington Luís e mandou patrulhas a Delfim Moreira, ao Lourenço Velho, a Piranguçu e a Piranguinho, onde trocou tiros com a Polícia Mineira. Um avião revolucionário, que a cidade chamou de Vermelhinho, jogou boletins e granadas sobre Itajubá, e uma delas destruiu parte das baias do quartel.1415 Intimado pelos revolucionários e sem apoio dos oficiais, o tenente-coronel Raul Correa Bandeira de Mello declarou-se destituído e passou o comando ao capitão Wlademir Aranha Meira de Vasconcelos. Só então o batalhão aderiu, e foi a única unidade do Exército em Minas que os revolucionários não ocuparam nem desarmaram.153 As Efemérides resumem o episódio dizendo que Bandeira de Mello não consentiu que o batalhão se rendesse, apesar do quartel cercado.16
Em 1932 o batalhão voltou a lutar pelo governo, agora contra a revolução paulista. Combateu uma noite inteira em Pouso Alegre e em Jacutinga e seguiu para Mogi-Mirim e Itapira. Quatro soldados morreram num desastre de caminhão entre Mogi-Mirim e Campinas. O padre Paulo Hartgers acompanhou a tropa como capelão e escrevia à mão um jornalzinho diário para os soldados.17
A Segunda Guerra
Seção intitulada “A Segunda Guerra”De abril de 1942 a maio de 1945, três destacamentos do batalhão, então 1º Batalhão de Pontoneiros, guarneceram a ilha de Fernando de Noronha, onde construíram portadas e trapiches para o desembarque da artilharia de costa.183 Outros homens do batalhão foram para a Itália com a Força Expedicionária Brasileira, no 9º Batalhão de Engenharia, e lutaram em Camaiore, Monte Castello, Castelnuovo, Montese, Zocca, Collecchio e Fornovo. Itajubá e Sua História dá “mais de 50” pracinhas, a síntese do batalhão dá 55, e a História de Itajubá publica a lista nominal.1920213
Em Valpromaro, o coronel José Machado Lopes, que comandara o batalhão em Itajubá de 1942 a 1943, construiu uma ponte Bailey de 90 pés e deu a ela o nome de Ponte Itajubá. Em 1961, já general e comandante do III Exército, Machado Lopes garantiu a posse de João Goulart na Presidência.2022 A cidade homenageou os expedicionários na volta, em 28 de outubro de 1945, e em 16 de dezembro de 1957 inaugurou o monumento do Expedicionário Itajubense.2018
Obras e socorros
Seção intitulada “Obras e socorros”A engenharia do batalhão serviu às fábricas militares de Piquete e de Itajubá. Ele construiu o trecho ferroviário Itajubá-Delfim Moreira e o rodoviário Itajubá-Piquete-Lorena, e cooperou na usina hidrelétrica de Bicas do Meio.3 Em 16 de abril de 1931 foi encarregado de construir a estrada de Bicas do Meio, atual Wenceslau Braz, a Piquete.2 As Efemérides registram a inauguração oficial da rodovia Piquete-Itajubá em 20 de outubro de 1934 e o início da construção dela pelo batalhão em 27 de julho de 1936.23 A síntese do batalhão data de 1924, com a Missão Francesa, o começo da tradição de pontoneiros. Em junho de 1923, a Companhia de Pontoneiros armou sobre o Sapucaí, na Vila Lúcia, uma passadeira de estacas para treinar os soldados.324
Em Itajubá, o batalhão ajudou a preparar o campo de aviação em 1931 e no mutirão de abril de 1942, fez em 1935 a terraplenagem da praça em frente ao cemitério e apagou incêndios enquanto a cidade não teve corpo de bombeiros.225 Quando a ponte metálica da Rua D. Maria Carneiro desabou, em 1954, montou uma ponte de emergência e depois a Ponte Soldado Leopoldino, que reconstruiu após a enchente de 1957.262 Nas enchentes do Sapucaí, socorreu os moradores das partes baixas da cidade.12
Fora de Itajubá, levou uma equipe de purificação de água a Piratininga em 1948, socorreu Passa Quatro depois da tromba d’água de dezembro de 1956 e Cristina em 1979, e ajudou a construir o Observatório do Pico dos Dias, em Brazópolis. Em 1960, na Operação Itumbiara, atravessou o Rio Paranaíba com dois transformadores de 77 toneladas destinados a Brasília, e em 1961 restabeleceu o tráfego da BR-040 em João Pinheiro, depois da queda de uma ponte.212 Numa missão de paz das Nações Unidas, 120 homens do batalhão trabalharam seis meses na reconstrução de Angola.3
Na vida da cidade
Seção intitulada “Na vida da cidade”O Centro de Preparação de Oficiais da Reserva do batalhão formou em 1939 a primeira turma de aspirantes, alunos do Instituto Eletrotécnico, hoje UNIFEI. Em 1942 o centro virou o Núcleo de Preparação de Oficiais da Reserva, o único da arma de Engenharia.12 O batalhão manteve também uma escola regimental de alfabetização.27 No Dia do Reservista de 1942, desfilou em frente à casa de Wenceslau Braz para homenagear o presidente que impôs o serviço militar obrigatório.28
O coronel Cláudio Moreira Bento, comandante de 1981 a 1983, fundou no quartel o Museu Juarez Távora e criou em Itajubá a Delegacia Pedro Bernardo Guimarães da Academia Brasileira de História.7 A História de Itajubá lista 45 comandantes até 1985, seis deles antes da vinda para Itajubá; o Resumo Didático lista 45 comandantes desde a chegada a Itajubá até 1999.1822729
Ver também
Seção intitulada “Ver também”Footnotes
Seção intitulada “Footnotes”-
Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 486. ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5 ↩6
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Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 487. ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5 ↩6 ↩7
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Armelim Guimarães. Itajubá e Sua História (II Parte). 1999, p. 92, “Síntese histórica do 4º Batalhão de Engenharia de Combate”. ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5 ↩6 ↩7 ↩8 ↩9 ↩10
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Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 485. Armelim Guimarães. Sinopse da História de Itajubá. 1966, p. 40. ↩ ↩2
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Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 16 de agosto de 1920. ↩
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Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 31 de janeiro de 1921. ↩
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Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 497, citando Juarez Távora, Uma Vida e Muitas Lutas, vol. 1. ↩ ↩2 ↩3
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Armelim Guimarães. Itajubá e Sua História (I Parte). 1998, legenda da foto da missa campal de 1922. ↩
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Armelim Guimarães. Itajubá e Sua História (I Parte). 1998, legenda da foto do lançamento da pedra fundamental do quartel. ↩
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Armelim Guimarães. Itajubá e Sua História (II Parte). 1999, p. 29 e 77. ↩
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Armelim Guimarães. Itajubá e Sua História (I Parte). 1998, legenda da vista geral do 4º Batalhão de Engenharia de Combate. ↩
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Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 488. ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5
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Armelim Guimarães. Sinopse da História de Itajubá. 1966, p. 41. ↩
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Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 489. ↩ ↩2 ↩3
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Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 19 de abril de 1929. ↩
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Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 492. ↩
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Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 495. ↩ ↩2 ↩3
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Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 493. ↩
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Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 494. ↩ ↩2 ↩3
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Armelim Guimarães. Itajubá e Sua História (I Parte). 1998, legenda da foto do 4º Batalhão de Engenharia de Combate. Resumo Didático da História de Itajubá. 2000, p. 43. ↩
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Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1972, p. 51 e 70. ↩
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Armelim Guimarães. Itajubá e Sua História (II Parte). 1999, p. 93 e 94. ↩
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Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 19 de abril de 1942. ↩
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Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 202. ↩
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Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 382. ↩
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Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 16 de dezembro de 1942. ↩
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Resumo Didático da História de Itajubá. 2000, p. 105 e 106. ↩
No acervo fotográfico
19 fotografias do acervo da História de Itajubá , em ordem de data; aqui as 12 primeiras.
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4º Batalhão de Engenharia, Oficiais pioneiros1920 -
4º Batalhão de Engenharia1921 -
Lançamento da pedra fundamental da sede do 4º Batalhão de Engenharia12/10/1922 -
4º Batalhão de Engenharia1924 -
4º Batalhão de Engenharia1924 -
Itajubá e Sua História (1998), página 741924 -
Antiga sede do 4º Batalhão de Engenharia e Combate1925 -
Vista aérea do batalhão1925 -
Vista parcial do 4°Batalhão de Engenharia e Combate e da Fabrica de Fósforo1927 -
4º Batalhão de Engenharia1929 -
Dia da Pátria com operários e funcionários da Fábrica de Canos e Sabres para Armas Portáteis (hoje Imbel) desfilando em frente ao BatalhãoDécada de 1930 -
Treinamento de tropas no 4º Batalhão de Engenharia e CombateDécada de 1930