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Escola Normal Sagrado Coração de Jesus

A Escola Normal Sagrado Coração de Jesus é a escola de formação de professoras do Colégio Sagrado Coração de Jesus, que as Irmãs da Providência de Gap fundaram em Itajubá em 1907. Funcionou no começo num casarão cedido por D. Amélia Braga e depois no prédio do fim da Rua Xavier Lisboa, junto à Capela dos Remédios. Foi equiparada à Escola Normal Modelo do Estado em 1912 e manteve por décadas um internato para moças.123

Antes das Irmãs, Itajubá teve uma escola normal pública. A Lei municipal de 11 de julho de 1894, sancionada na casa do agente executivo, coronel Francisco Braz Pereira Gomes, criou a Escola Normal de Itajubá; O Município de Itajubá dá à lei o nº 27, e as Efemérides, o nº 29.45 O governo de Minas a reconheceu por decreto de 11 de fevereiro de 1897.46 Uma lei municipal de 1º de agosto de 1901 autorizou a venda de todo o material técnico e do laboratório de ciências da escola, então extinta.7 A História de Itajubá diz que ela durou só um lustro.1

As Irmãs da Providência de Gap chegaram ao Brasil em 1904 e se instalaram no Carmo do Rio Claro. Em 1907, sob a direção da Madre Maria Raphael, vieram para Itajubá.18 O dia da chegada varia com a fonte: 6 de junho segundo a História de Itajubá, 16 de junho segundo as Efemérides e 21 de junho segundo a Memória de Itajubá.2910 Como não falavam português, o professor Jorge de Boucherville lhes serviu de intérprete.11

D. Amélia Braga cedeu-lhes de graça o velho casarão da esquina das ruas Coronel Rennó e Santos Pereira, onde as Irmãs fundaram o primeiro colégio em 1º de julho de 1907 e onde funcionou de início a Escola Normal.121 As Efemérides e Construtores de Itajubá dizem que em 1907 elas fundaram também o Instituto para Surdas e Mudas; a Memória de Itajubá data de 1912 a fundação do instituto, anexo à Escola Normal, e a ampliação das instalações para o noviciado.9810

Pelo Decreto nº 3.733, de 22 de outubro de 1912, o presidente do Estado, Júlio Bueno Brandão, equiparou a Escola Normal Sagrado Coração de Jesus à Escola Normal Modelo de Minas Gerais. Por muitos anos foi fiscal do curso o médico Manuel Cintra Barbosa Lima.113

A Lei municipal nº 20, de 28 de abril de 1913, autorizou a Municipalidade a construir o prédio para o qual as Irmãs passaram a Escola Normal e o Instituto de Surdas-Mudas.114 A Memória de Itajubá dá 1914 como o ano da mudança para a Rua Xavier Lisboa.10 Em agosto de 1915, a Irmã Maria Ângela, Otávia de Paiva no mundo, pediu à Câmara licença para construir um novo prédio junto ao existente, com gasto de 25 contos de réis.1

A Lei municipal nº 42, de 19 de outubro de 1917, autorizou o agente executivo Jorge de Oliveira Braga a vender o prédio às Irmãs por 50 contos de réis. As fontes descrevem o prédio vendido de modos diferentes: para a História de Itajubá, nele já funcionavam o Instituto e a Escola Normal; para as Efemérides, era o prédio do extinto Instituto de Surdas e Mudas, a ser transformado em Escola Normal.14115 Noutra passagem, a História de Itajubá diz que as Irmãs construíram em pouco tempo o prédio próprio, amplo e de sobrado, junto à capela.2 Uma lei municipal transcrita no Memorial da Câmara destinava à subvenção anual da Santa Casa a quota que a Câmara recebia todo ano do Colégio do Sagrado Coração de Jesus.16

O Município de Itajubá, de 1915, descreve o Colégio Sagrado Coração de Jesus, para o sexo feminino, como instalado num “majestoso prédio municipal”, no extremo da Rua Xavier Lisboa, dividido em três seções. O Instituto de Surdas-Mudas, dirigido pela Irmã Raphael com a Irmã Martha, usava o método oral aprovado no Congresso de Milão. A Escola Normal tinha curso de quatro anos, com um curso primário anexo onde as normalistas faziam a prática, e já tinha formado duas turmas, a primeira em 1913, com duas alunas, e a segunda em 1914, com oito. O jardim da infância era dirigido pela Irmã do Coração, que o livro diz ter sido professora de Bernadette Soubirous, a vidente de Lourdes.17

O prédio tinha dois pavimentos: embaixo, as salas de aula, os gabinetes de física e química e um museu de história natural; em cima, os dormitórios, os banheiros e as dependências das Irmãs.17 As fotografias do mesmo livro mostram a fachada, aulas de geografia e de física, turmas de ginástica sueca e grupos de alunas.

Além das Irmãs, lecionaram na Escola Normal no começo do século o advogado Antônio Salomon e o historiador Pedro Bernardo Guimarães.118 As Efemérides registram a morte de três religiosas ligadas à escola: a professora francesa Irmã Maria Auxence, aos 89 anos, em 22 de agosto de 1957; a Irmã Maria São Paulo, que fora diretora, em 9 de abril de 1961; e a Irmã Maria das Neves Gazzoto, superiora e diretora, em 16 de julho de 1967.192021

Em 21 de janeiro de 1924 inaugurou-se no pátio da escola a Gruta de Nossa Senhora de Lourdes, com uma imagem que as Irmãs mandaram vir de Paris.22 O livro de 1998 diz que o colégio mantinha, além do externato, um internato para alunas dos preparatórios e do magistério, e que a Escola Normal “já deu ao Brasil centenas de capacitadas professoras”.3 A Sinopse, de 1966, lista entre os estabelecimentos da cidade a Escola Normal e Ginásio Sagrado Coração de Jesus, e a História de Itajubá registra que no colégio funcionava, em 1985, um curso de prática de enfermagem.2324

O convento das Irmãs passou para o prédio do antigo Colégio São Vicente de Paulo, fundado em 1925 por Geraldino Furtado de Medeiros.25 A capela do convento, dedicada a Nossa Senhora Auxiliadora, foi benta por D. Otávio Chagas de Miranda em 26 de abril de 1933.26 Em 1957, a cidade festejou o cinquentenário das Irmãs em Itajubá, com uma comissão de honra presidida por Wenceslau Braz e um monumento ao Padre João Martinho Moyë na praça diante da Capela dos Remédios.1127

  1. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 389. ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5 ↩6 ↩7 ↩8 ↩9

  2. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 581. ↩ ↩2 ↩3

  3. Armelim Guimarães. Itajubá e Sua História (I Parte). 1998, legenda da foto do Colégio Sagrado Coração de Jesus. ↩ ↩2

  4. O Município de Itajubá. 1915, p. 56. ↩ ↩2

  5. Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 11 de julho de 1894. ↩

  6. Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 11 de fevereiro de 1897. ↩

  7. Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 1º de agosto de 1901. ↩

  8. Armelim Guimarães. Construtores de Itajubá. 1975, p. 29. ↩ ↩2

  9. Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 16 de junho de 1907. ↩ ↩2

  10. Memória de Itajubá e da Obra de Theodomiro: a Pedra e a Fonte. 1999, legenda das fotos do convento das Irmãs da Providência. ↩ ↩2 ↩3

  11. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 582. ↩ ↩2

  12. Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 1º de julho de 1907. ↩

  13. Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 22 de outubro de 1912. ↩

  14. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 381. ↩ ↩2

  15. Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 19 de outubro de 1917. ↩

  16. Memorial da Câmara Municipal de Itajubá: Ordenamento Social (1849–1930). Itajubá, 2012, anexo com a lei de subvenção à Santa Casa. ↩

  17. O Município de Itajubá. 1915, seção sobre o Colégio Sagrado Coração. ↩ ↩2

  18. Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 16 de agosto de 1948. ↩

  19. Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 22 de agosto de 1957. ↩

  20. Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 9 de abril de 1961. ↩

  21. Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 16 de julho de 1967. ↩

  22. Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 21 de janeiro de 1924. ↩

  23. Armelim Guimarães. Sinopse da História de Itajubá. 1966, relação dos estabelecimentos de ensino. ↩

  24. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 390. ↩

  25. Memória de Itajubá e da Obra de Theodomiro: a Pedra e a Fonte. 1999, legenda da foto do antigo Colégio São Vicente de Paulo. ↩

  26. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 578. ↩

  27. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 589. ↩

No acervo fotográfico

12 fotografias do acervo da História de Itajubá , em ordem de data.

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