Praça Teodomiro Santiago
A Praça Teodomiro Santiago fica no centro de Itajubá, no trecho da Rua Coronel Rennó mais próximo da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Soledade. Os itajubenses a conheceram como Largo dos Passos durante o Império e como Praça Cesário Alvim a partir da República. A Câmara Municipal deu a ela o nome atual em 1963, em homenagem a Theodomiro Carneiro Santiago, fundador do Instituto Eletrotécnico.12
Largo dos Passos
Seção intitulada “Largo dos Passos”Francisco Alves, dono da sesmaria onde nasceu a cidade, doou ao Padre Lourenço da Costa Moreira o outeiro da primeira missa e a faixa de terra que descia dele até um quadrado de pasto. Ali o casal de doadores queria ver erguida uma capela do Senhor dos Passos. A capela nunca saiu do papel, mas o pasto ficou com o nome da devoção.3 A Irmandade do Senhor dos Passos chegou a comprar um terreno no largo. No começo do século XX, D. Amélia Braga adquiriu esse lote e construiu nele o prédio que abrigou o cinema Bijou-Salon e, depois, o Bar Acadêmico.4
A Rua Direita, hoje Coronel Rennó, saía da igreja e chegava ao largo. Foi a primeira rua calçada de Itajubá, e o retângulo em volta do largo, coberto de pedras grandes e sem esquadria, veio logo depois.5
O largo fazia as vezes de praça pública da vila. Em junho de 1842, durante a revolta liberal, o tenente-coronel conservador Caetano Ferreira da Costa e Silva chegou com cerca de cem homens a cavalo e discursou ali em defesa da Coroa.6 Em 9 de dezembro de 1848, o Padre Lourenço, João Carneiro Santiago e Joaquim Delfino Ribeiro da Luz reuniram o povo no largo para anunciar a elevação de Itajubá a vila. Seis meses depois, em 21 de junho de 1849, João Carneiro Santiago leu o ato de instalação num palanque armado no mesmo lugar.7 Os itajubenses voltaram ao largo em setembro de 1865 para festejar a vitória brasileira em Uruguaiana, em setembro de 1887 para comemorar a aprovação da estrada de ferro e em 17 de novembro de 1889, quando a notícia da Proclamação da República chegou pelo correio.8
A Câmara instalou numa esquina do largo, em 24 de junho de 1860, a Quitanda: um telheiro onde lavradores vendiam seus produtos direto ao povo, primeiro mercado da cidade. Com a construção do Mercado Municipal, em 1884, a Quitanda perdeu a função, e a Câmara vendeu o material do telheiro a Fructuoso Ramos de Lima.9 Em 1863, na festa pela elevação de Itajubá a cidade, o grupo Faunos de Tália encenou Judas em Sábado de Aleluia, de Martins Pena, num palco montado no largo.10 A grande enchente de 20 de março de 1874 levou as águas do Rio Sapucaí até as proximidades do largo.11
Em dezembro de 1868, a Princesa Isabel e o Conde d’Eu se hospedaram numa casa da esquina da Rua Direita com o largo. No mesmo terreno o Major João Antônio Pereira construiu depois seu sobrado, e hoje ali está o Hotel Centenário.12
Praça Cesário Alvim e o jardim público
Seção intitulada “Praça Cesário Alvim e o jardim público”Com a República, o largo passou a homenagear José Cesário de Faria Alvim, primeiro governador de Minas Gerais no novo regime.13 Cesário Alvim veio a Itajubá em setembro de 1891 para inaugurar a estrada de ferro, e o nome dele foi dado primeiro à rua da estação e só depois à praça.14 O vereador Paiva e Luz já pedira em 1879 que a Câmara nivelasse e arborizasse o largo, e em setembro de 1884 o farmacêutico Frederico Fernandes Schumann se ofereceu para fazer o plantio.15
O jardim ganhou uma cerca de colunas e fios de aço, com portões nos quatro lados. De um lado ficava o coreto; do outro, um repuxo iluminado cercado de canteiros. Joaquim Urso trancava os portões à noite, e o velho Domingos cuidava das roseiras.16 A Rua Coronel Rennó cortava o jardim em duas metades até que, numa remodelação do início do século XX, os canteiros se uniram e o jardim passou a interromper a rua.17 Em 1º de janeiro de 1901, no primeiro ato do século, a Câmara nomeou Olímpio Ribeiro da Silva zelador do jardim.16 Uma tradição registrada em 1999 atribui ao coronel Francisco Braz o plantio das palmeiras do contorno.18
Um cronista da Folha Popular, de Paraisópolis, descreveu a praça em janeiro de 1907 como “uma sala de visitas elegante”, com o palacete de D. Amélia Braga, a sede do Clube Literário e, em frente, o Ginásio de Itajubá.16 A praça concentrava tanto movimento que, em 20 de março de 1914, a Câmara aprovou o projeto do vereador Frederico Teixeira de Magalhães Leite que proibia veículos e bicicletas, depois das cinco da tarde, no trecho entre o Clube e o prédio de João Ribeiro dos Santos.19 Em 1924, a tabela oficial dos carros de aluguel media as corridas a partir do jardim público: mil réis até a estação ferroviária, dois mil réis até o quartel do Batalhão.20
Duas hermas ocuparam o jardim nesse período: a de Wenceslau Braz, inaugurada em 26 de fevereiro de 1914, e a de José Manso Pereira Cabral, em 25 de dezembro de 1925.21
Os prédios da praça
Seção intitulada “Os prédios da praça”Quem atravessava a praça nas primeiras décadas do século XX via, numa esquina, o sobrado onde Belarmino de Menezes instalou o Ginásio de Itajubá em 1904. O 4º Batalhão de Engenharia usou o prédio como Casa das Ordens a partir de 1921, e Eulálio da Gama Pinto o demoliu em 1924 para construir o Cine-Teatro Apolo. No lugar do cinema está hoje o Edifício Eulálio Pinto.22
O Clube Itajubense, fundado em 1897, funcionou primeiro num prédio da praça e inaugurou ali a sede atual em 15 de novembro de 1927. Ao lado, D. Amélia Braga ergueu seu palacete, obra do construtor Moisés Luigi, onde se hospedou o presidente de Minas João Pinheiro. A casa passou depois ao coronel Alcides Faria; demolida, deu lugar a um edifício alto.23 O Bijou-Salon de José Martins Garcia abriu em junho de 1911 entre o Clube e o terreno da atual Caixa Econômica Federal. O prédio virou o Bar Acadêmico, que teve no andar de cima os estúdios da Rádio Itajubá, e caiu em 1984.24
A firma Braz, Osório & Cia. construiu o Grande Hotel Itajubá no início da década de 1920, e o prédio já aparece em registro de 1924.25 Junto dele funcionava a farmácia do coronel Jorge de Oliveira Braga, que fabricava também os vinhos de laranja “Jaó” e governou o município seis vezes.26 A praça teve ainda o Hotel Barbosa, aberto em 16 de outubro de 1892, e a Casa Reny, loja de brinquedos fundada por Alberto José Werdine.27
Comícios do século XX
Seção intitulada “Comícios do século XX”A praça continuou sendo o lugar das multidões. Em 1929, a Companhia Telefônica instalou ali três alto-falantes para o povo ouvir a inauguração da linha interurbana com o Rio de Janeiro, e Wenceslau Braz fez a primeira chamada.28 Em 18 de novembro de 1930, os partidários da revolução fundaram na praça a Legião Revolucionária.29 Em 5 de maio de 1942, depois do afundamento de navios brasileiros por submarinos alemães, a população se reuniu em frente ao Clube para ouvir oradores contra o Eixo, e voltou em 22 de agosto, quando o Brasil declarou guerra. Em 7 de maio de 1945, um comício na praça festejou a rendição da Alemanha.30
Praça Teodomiro Santiago
Seção intitulada “Praça Teodomiro Santiago”O prefeito Alcides Faria remodelou o jardim em 1940. A prefeitura derrubou as últimas árvores do jardim antigo e desmanchou o repuxo e o coreto. Em 10 de novembro daquele ano, o major Eloy da Câmara Catão, da Fábrica de Armas, cortou a fita do novo jardim.1631 Na mudança, a herma de Wenceslau Braz foi para a praça que leva o nome dele, e a de José Manso Pereira Cabral para a Praça Pereira dos Santos.21
O vereador João Luís da Silva propôs em 1950 um monumento a Teodomiro Carneiro Santiago, e a população pagou a obra por subscrição, com 15 mil cruzeiros da Câmara. A herma foi inaugurada em 7 de janeiro de 1951, no ponto onde antes ficava o repuxo.3216 Em 1963, nas festas do cinquentenário do Instituto Eletrotécnico, a Câmara trocou o nome de Praça Cesário Alvim para Praça Teodomiro Santiago.2
Por volta de 1960, a praça tinha canteiros de traçado sinuoso, bancos doados por casas comerciais e famílias, e postes de ferro fundido com globos.18 Em novembro de 1981, vereadores protestaram na Câmara contra a feira de artesanato instalada ali.33 A rua em frente ao Grande Hotel, antes aberta a carros, hoje faz parte do calçadão.34
As fotografias do acervo mostram a praça em quase todas essas fases, da pintura do Largo dos Passos por Luiz Teixeira às vistas tiradas das janelas do Grande Hotel.
Ver também
Seção intitulada “Ver também”- Igreja Matriz de Nossa Senhora da Soledade
- Clube Itajubense
- Cine Apolo
- Monumentos
- Ruas, Bairros e Lugares Notáveis
Footnotes
Seção intitulada “Footnotes”-
Resumo Didático da História de Itajubá. 2000, p. 21, dá 1891 para a troca de Largo dos Passos por Praça Cesário Alvim. Armelim Guimarães. Sinopse da História de Itajubá. 1966, p. 78, dá 1892. ↩
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Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 1963 sobre o cinquentenário do Instituto Eletrotécnico de Itajubá. ↩ ↩2
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Resumo Didático da História de Itajubá. 2000, p. 21. ↩
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Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 437, 562 e 580. ↩
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Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 123. ↩
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Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 97. ↩
-
Armelim Guimarães. Sinopse da História de Itajubá. 1966, p. 26. ↩
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Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 147 e 267. Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbetes de 12 de setembro de 1887 e 17 de novembro de 1889. ↩
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Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 232 e 235. ↩
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Armelim Guimarães. Sinopse da História de Itajubá. 1966, p. 68. ↩
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Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 29. ↩
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Resumo Didático da História de Itajubá. 2000, p. 44. Armelim Guimarães. Itajubá e Sua História (II Parte). 1999, p. 21. ↩
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Armelim Guimarães. Itajubá e Sua História (II Parte). 1999, p. 36. ↩
-
Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 214. ↩
-
Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 130. ↩
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Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 131. ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5
-
Armelim Guimarães. Itajubá e Sua História (I Parte). 1998, legenda da foto da Rua Cel. Rennó com a antiga Matriz. ↩
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Memória de Itajubá e da Obra de Theodomiro: a Pedra e a Fonte. 1999, legenda da foto 12. ↩ ↩2
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Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 197. Memorial da Câmara Municipal de Itajubá: Desenvolvimento Urbano (1892–1930). Itajubá, 2012. ↩
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Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 196. ↩
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Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 588. Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 26 de fevereiro de 1914. ↩ ↩2
-
Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 384 e 486. Armelim Guimarães. Itajubá e Sua História (I Parte). 1998, texto sobre o ensino secundário. ↩
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Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 118. Armelim Guimarães. Itajubá e Sua História (I Parte). 1998, legenda da foto do palacete de D. Amélia Braga. ↩
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Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 437 e 447. ↩
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Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 229. Memória de Itajubá e da Obra de Theodomiro: a Pedra e a Fonte. 1999, legenda da foto 9. ↩
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Armelim Guimarães. Construtores de Itajubá. 1975, p. 28. Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 1954 sobre Jorge de Oliveira Braga. ↩
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Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 228 e 238. ↩
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Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 445. ↩
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Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 491. ↩
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Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 493 e 494. Armelim Guimarães. Sinopse da História de Itajubá. 1966, p. 47. ↩
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Armelim Guimarães. Construtores de Itajubá. 1975, p. 58. ↩
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Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 588 e 589. ↩
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Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 237. ↩
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Câmara Municipal de Itajubá, Projeto Reminiscências Fotográficas, legenda da foto da praça na década de 1930. ↩
No acervo fotográfico
92 fotografias do acervo da História de Itajubá , em ordem de data; aqui as 12 primeiras.
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Ilustração da praça nos anos 1860, quando era chamada Largo dos PassosDécada de 1860 -
Pintura do largo dos Passos, futura praça Theodomiro Santiago, por Luiz TeixeiraDécada de 1890 -
Antigo jardim da praça Cesário Alvim1900 a 1910 -
Antigo "Gymnásio de Itajubá"1904 -
Clube Literário e Recreativo Itajubense, fundado em 17 de maio de 1897. Prédio primitivo, na Praça Cesário Alvim1906 -
Bijou-Salão1910 a 1915 -
Jardim publico1910 a 1915 -
Praça Teodomiro Santiago, cercada e com palmeiras1910 a 1915 -
Rua Cel Rennó e Matriz1910 a 1915 -
vista da Matriz pela rua Cel Rennó, a esquerda Gymnásio de ItajubáDécada de 1910 -
Antiga Igreja Matriz Nossa Senhora da Soledade, com portal de entrada1912 a 1926 -
Praça Teodomiro Santiago, na época era chamada de Jardim Público1914