Rua Xavier Lisboa
A Rua Xavier Lisboa, no centro de Itajubá, é um trecho da primitiva Rua do Porto, que ligava o morro da Matriz ao ancoradouro do Rio Sapucaí. Por causa da capela de Nossa Senhora dos Remédios, que ficava no fim dela, chamou-se Rua dos Remédios, e em 1905 recebeu o nome do médico Antônio Maximiano Xavier Lisboa.123
Do porto à capela
Seção intitulada “Do porto à capela”Nos tempos do Padre Lourenço da Costa Moreira, abriu-se um caminho do ancoradouro, no lugar hoje chamado Porto Velho, até a capela no alto do morro. As fontes o chamam de Estrada do Porto, Rua do Porto, Caminho do Porto e Ladeira do Porto.12 Em 1838, o fazendeiro João de Oliveira Vilas-Boas tinha uma grande loja de fazendas secas na Ladeira do Porto, no início da atual rua, perto da Matriz.4
Em 1843, o vigário Joaquim José de Oliveira trouxe das Anhumas a imagem de Nossa Senhora dos Remédios e a levou em procissão para uma capela improvisada num cômodo da casa de Joaquim José dos Reis, no fim da Rua do Porto. Anos depois a imagem passou para uma capela maior, de pau a pique, construída junto à casa.5 O cronista da paróquia atribuiu à devoção o crescimento daquele trecho: fazendeiros quiseram ter casa perto da capela, a lagoa foi aterrada com terra e estacas, logo se formou uma rua do morro da Matriz até os Remédios, e cinco anos depois da chegada da imagem aquele canto rivalizava com o mais populoso da freguesia. A História de Itajubá identifica essa rua com a atual Xavier Lisboa.6 Na primeira lista oficial das ruas da vila, em 1852, a Câmara ainda registrou uma Rua do Porto.7
A Câmara alinhou e aterrou a Rua dos Remédios em 1860.2 A ponte dos Godóis, na mesma rua, custou 165 mil e 440 réis em 1857.8 As cheias do Sapucaí chegavam até ali: num ofício de 1866, a Câmara pedia que se mudasse o leito do rio, porque nas casas da Rua dos Remédios a água subia “não raro até sobre o assoalho”.9
Casas e comércio
Seção intitulada “Casas e comércio”No tempo da vila, Constâncio José Mendes, João Henrique Garnel e João Augusto Rodrigues tinham boas casas na Rua dos Remédios.10 Em 1853, a primeira agência do Correio funcionou num prédio da rua, do alferes José Manuel Pereira Lima.11
Em 1872, o dentista Domingos Vieira do Prado abriu seu gabinete na Rua do Porto, e Abílio Augusto Cardoso de Oliveira anunciava sua casa de víspora na Rua dos Remédios.1213 Francisco de Oliveira Bezerra mantinha no nº 17 a Farmácia Nossa Senhora dos Remédios, e o fotógrafo M. Barbosa de Sá Vasconcelos instalou em 1883 seu ateliê no nº 15.1415 Em 1º de janeiro de 1885 abriu o Hotel Mendonça, de João Carlos de Mendonça Furtado, e em 1º de julho de 1888 o Novo Hotel, de José Pinto Júnior, no nº 15.1617 Ali ficavam também a loja A Barateza dos Preços, do atacadista de fumo em corda Martinho Correa de Miranda, e a Sapataria Sul-Mineira, de José Branco, no nº 20.1819
No começo do século XX, o mecânico Cristóvão Eggersglüss montou na rua uma máquina de beneficiar arroz, e em 1901 o professor Francisco Cardoso de Moura Brasil abriu ali o Externato Mineiro.2021 Num número de fevereiro de 1903, os moradores reclamaram na Gazeta de Itajubá que os chafarizes da rua estavam sem água havia mais de oito dias.22
O nome de Xavier Lisboa
Seção intitulada “O nome de Xavier Lisboa”Em 1905, um projeto do vereador Luiz Dalle Afflalo deu à Rua dos Remédios o nome de Rua Xavier Lisboa, à Praça dos Andradas o de Praça Wenceslau Braz e à Rua da Estação o de Rua Miguel Braga. Outro projeto do mesmo vereador, no mesmo ano, deu à Rua do Porto Velho, “que desce da igreja dos Remédios ao rio Sapucaí”, o nome de Rua Dr. Américo de Oliveira.3 A Memória de Itajubá, porém, identifica a Rua Dr. Américo de Oliveira com a antiga Rua Tenente Viotti.23
Em 1915 moravam na rua o presidente da Câmara, Jorge de Oliveira Braga, na esquina com a Rua Dr. Pereira Cabral, o vice-presidente José Rennó Pereira e o coletor Antônio Pereira Rennó.24 A casa de Jorge Braga aparece numa foto do fim do século XIX e num desenho a bico de pena de Omar Fonseca, do início da década de 1960, que mostra também a casa da família Chaves.2526
Colégios e a capela das Irmãs
Seção intitulada “Colégios e a capela das Irmãs”Em 1914, as Irmãs da Providência passaram a ocupar um prédio municipal da rua, onde funcionavam o Colégio Sagrado Coração de Jesus, a Escola Normal e o Instituto das Surdas-Mudas.27 A velha capela dos Remédios foi entregue a elas, que construíram uma nova, alguns metros adiante, com pinturas de Luís Teixeira. Em 18 de outubro de 1916, o bispo D. Otávio Chagas de Miranda autorizou a bênção e a abertura ao culto.528 A pequena imagem de Nossa Senhora dos Remédios, que Armelim Guimarães chama de relíquia mais antiga da história de Itajubá, foi colocada dentro de uma imagem maior, na capela do colégio.29
Em 1919, a 2ª Companhia do 4º Batalhão de Engenharia ficou alojada num prédio velho da rua, da paróquia, no lugar onde depois se ergueu o Colégio de Itajubá.30 Nas salas desse colégio funcionaram, no começo, a Rádio Itajubá, inaugurada em 1949, e a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, criada em 1963.3132
Trem, procissões e enchentes
Seção intitulada “Trem, procissões e enchentes”Em 14 de agosto de 1925, na própria rua, um trem com destino a Delfim Moreira atingiu o automóvel de Francisco Araújo, que morreu na hora. Foi o primeiro acidente de trânsito com morte em Itajubá.33 Na década de 1920, a procissão de Corpus Christi passava pela rua atapetada de pétalas e flores.34 Uma foto publicada em Itajubá e Sua História mostra a rua em dia de enchente, diante da casa do capitão João José Rennó.35
Ver também
Seção intitulada “Ver também”- Antônio Maximiano Xavier Lisboa
- Rua Coronel Rennó
- Ruas, Bairros e Lugares Notáveis
- Escola Normal Sagrado Coração de Jesus
Footnotes
Seção intitulada “Footnotes”-
Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 123. ↩ ↩2 ↩3
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Memorial da Câmara Municipal de Itajubá: Desenvolvimento Urbano (1892–1930). Itajubá, 2012, capítulo sobre a memória nos nomes das ruas. ↩ ↩2
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Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 222. ↩
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Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 105, citando o histórico de Nossa Senhora dos Remédios nos livros da paróquia. ↩
-
Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 121. ↩
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Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 202. ↩
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Memorial da Câmara Municipal de Itajubá: Desenvolvimento Urbano (1892–1930). Itajubá, 2012, capítulo sobre saúde pública e saneamento, ofício de 16 de agosto de 1866. ↩
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Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 124. ↩
-
Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 453. ↩
-
Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 529. ↩
-
Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 441. ↩
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Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 528. ↩
-
Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 429. ↩
-
Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 228. ↩
-
Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 1º de janeiro de 1885. ↩
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Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 1º de setembro sobre a morte de Martinho Correa de Miranda. ↩
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Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 231. ↩
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Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 333. ↩
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Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 380. ↩
-
Memorial da Câmara Municipal de Itajubá: Desenvolvimento Urbano (1892–1930). Itajubá, 2012, capítulo sobre o abastecimento de água. O Memorial data a nota de 1902, mas cita a edição de 15 de fevereiro, ano I, nº 3, da Gazeta de Itajubá, jornal fundado em 1903. ↩
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Memória de Itajubá e da Obra de Theodomiro: a Pedra e a Fonte. 1999, legenda do mapa da cidade. ↩
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O Município de Itajubá. 1915, p. 139 e 140. ↩
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Armelim Guimarães. Itajubá e Sua História (I Parte). 1998, legenda da foto da Rua dos Remédios no fim do século XIX. ↩
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Memória de Itajubá e da Obra de Theodomiro: a Pedra e a Fonte. 1999, p. VIII, legenda da foto 15. ↩
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Memória de Itajubá e da Obra de Theodomiro: a Pedra e a Fonte. 1999, legenda sobre as Irmãs da Providência em Itajubá. ↩
-
Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 576. ↩
-
Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 106. ↩
-
Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 486. ↩
-
Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 447. ↩
-
Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 398. ↩
-
Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 14 de agosto de 1925. ↩
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Armelim Guimarães. Itajubá e Sua História (II Parte). 1999, p. 101. ↩
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Armelim Guimarães. Itajubá e Sua História (II Parte). 1999, p. 108. ↩
No acervo fotográfico
9 fotografias do acervo da História de Itajubá , em ordem de data.
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Trecho da Rua dos Remédios (atual Xavier Lisboa), no final do século XIX.1850 a 1899 -
Procissão de Corpus ChristiDécada de 1920 -
Primeiro prédio do grupo escolar Teodomiro Santiago1923 a 1933 -
Antigo Grupo Escolar Teodomiro Santiago1925 a 1935 -
Ruas Dr. Luiz Vianna e Xavier Lisboa, ao fundo a capela Nossa Senhora dos Remédios (Capela do Colégio das Irmãs)1925 a 1938 -
Enchente de 19291929 -
Rua dos RemédiosDécada de 1930 -
Casas próximo ao Colégio Itajubá1935 a 1948 -
Enchente em 20002000