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A Liberty

A Liberty foi a grande loja dos irmãos Álvaro e Benedito Mendonça Chaves na Praça Wenceslau Brás, em Itajubá, instalada no prédio do antigo Edison Cinema. Vendia de tecidos e roupas a eletrodomésticos, livros e material fotográfico, e foi a primeira casa da cidade a vender discos e vitrolas. Quando Armelim Guimarães escreveu a História de Itajubá, em meados da década de 1980, a loja já não existia.12

A loja ocupou o prédio de porta com dintel arqueado da antiga Praça Capitão Gomes, hoje Praça Wenceslau Brás, onde funcionara o Edison Cinema.3 A História de Itajubá conta que a firma Salgado, Lisboa & Braga inaugurou esse cinema em 10 de agosto de 1913, com o nome de Molière-Cinema, e que Joaquim Rodrigues Pinto o comprou em 1914 e o rebatizou; Construtores de Itajubá e a Sinopse atribuem a fundação, em 1913, ao próprio Joaquim Pinto.425

Numa foto de 1934 da Rua Major João Pereira, hoje Rua Dr. João de Azevedo, tirada da praça, A Liberty aparece à esquerda, seguida da sede do Banco de Itajubá, da casa de Olyntho Carneiro Villela e da barbearia de Vicente Gesualdi.67 Uma vista posterior mostra em sequência a agência do Banco Nacional de Minas Gerais, o Cine Presidente, construído por Ailton Rennó Pinto, A Liberty e o prédio do Banco de Itajubá.8

Armelim Guimarães descreveu A Liberty como o maior e mais completo estabelecimento comercial das primeiras décadas do século XX. Ali se encontravam tecidos, chapéus, armarinho, calçados, lingerie, malharia, perfumaria, roupas feitas, eletrodomésticos e brinquedos, e a loja mantinha seção de livros e de material fotográfico. Foi também a pioneira na venda de discos e vitrolas, no tempo dos discos de 78 rotações.1 Em outra obra, Armelim a chama de maior magazine da cidade na primeira metade do século.7 As Efemérides de 1988 a situam entre as décadas de 1930 e 1960.9

A Memória de Itajubá, de 1999, reproduz um anúncio da Casa Liberty publicado no jornal O Itajubá em 1924.10 Em 1930, depois do assassinato de João Pessoa, os donos de vitrola da cidade procuravam A Liberty, a única firma que vendia discos, para comprar a gravação de Francisco Alves do hino ao presidente da Paraíba, composto por Eduardo Souto.11 O acervo guarda um recibo da loja datado de 20 de novembro de 1941.12

Álvaro e Benedito Mendonça Chaves estiveram entre os comerciantes reunidos pelo major João Antônio Pereira em 12 de abril de 1925 para fundar a Associação Comercial, e Álvaro foi conselheiro fiscal da primeira diretoria.1314 Em 1930, Álvaro assinou com os chefes do Partido Republicano Mineiro o boletim eleitoral que pediu votos para Getúlio Vargas em Itajubá.15 Em 4 de novembro de 1930 integrou a comissão formada na Associação Comercial para organizar uma contribuição popular ao pagamento da dívida externa do país.16 Morreu em 1967.9

  1. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 238. ↩ ↩2

  2. Armelim Guimarães. Construtores de Itajubá. 1975, p. 64. ↩ ↩2

  3. Armelim Guimarães. Itajubá e Sua História (II Parte). 1999, p. 34. ↩

  4. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 438. ↩

  5. Armelim Guimarães. Sinopse da História de Itajubá. 1966, p. 71. ↩

  6. Memória de Itajubá e da Obra de Theodomiro: a Pedra e a Fonte. 1999, p. VIII, legenda da vista da Rua Dr. João de Azevedo em 1934. ↩

  7. Armelim Guimarães. Itajubá e Sua História (II Parte). 1999, p. 88. ↩ ↩2

  8. Armelim Guimarães. Itajubá e Sua História (II Parte). 1999, p. 90. ↩

  9. Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 1967 sobre a morte de Álvaro Mendonça Chaves. ↩ ↩2

  10. Memória de Itajubá e da Obra de Theodomiro: a Pedra e a Fonte. 1999, legenda da montagem de anúncios da imprensa itajubense. ↩

  11. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 277. ↩

  12. Recibo da loja A Liberty, 20 de novembro de 1941. Acervo fotográfico História de Itajubá, lote Cinemas Itajubá. ↩

  13. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 244. ↩

  14. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 245. ↩

  15. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 276 e 277. ↩

  16. Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 4 de novembro de 1930. ↩

No acervo fotográfico

13 fotografias do acervo da História de Itajubá , em ordem de data; aqui as 12 primeiras.

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