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Rua Silvestre Ferraz

A Rua Dr. Silvestre Ferraz fica no centro de Itajubá e se chamava Rua da Figueira no mapa da cidade de 1888. O nome atual homenageia Silvestre Dias Ferraz Júnior, deputado provincial nascido em Cristina que defendeu na Assembleia a construção da Estrada de Ferro do Vale do Sapucaí.123

Silvestre Dias Ferraz Júnior nasceu em Cristina em 14 de abril de 1851 e doutorou-se em medicina pela faculdade do Rio de Janeiro aos 22 anos.2 Nas sessões de setembro de 1883 da Assembleia Provincial, defendeu a ferrovia contra os apartes de Xavier da Veiga e Manuel Fulgêncio, com a ajuda do deputado padre Antônio Ribeiro da Luz; o projeto foi vetado naquele ano, mas a lei da ferrovia acabou aprovada em 1886, graças aos esforços dele, de Domingos Viotti e de Américo Luz.34

Em 25 de dezembro de 1887, Silvestre Ferraz veio a Itajubá para entregar à Câmara a pena de ouro com que, como presidente da Assembleia Legislativa, assinara o projeto da estrada.5 Ele morreu antes da inauguração da ferrovia; a Câmara prestou homenagens à memória dele em reunião extraordinária de 5 de fevereiro de 1889, e a cidade suspendeu o carnaval daquele ano em sinal de luto por ele e pelo Barão de Camanducaia.67 A primeira locomotiva da estrada recebeu o nome de Cristina, em homenagem à cidade natal dele.89

O Café Retiro, de José Luís Monteiro Chaves, inaugurado em 24 de setembro de 1890 na rua, foi o bar mais frequentado e bem montado do século XIX em Itajubá: vendia doces finos, caramelos, café, leite, chocolate, refrescos, cigarros e charutos.1011 Na rua funcionaram também a Farmácia Menezes, de Antenor Menezes, e a farmácia de Antônio da Costa Braga, pai do médico Antônio Braga Filho.1213

Em 1889, quando assumiu a agência do Correio, Achilles Salomon passou a atender na própria casa, na Rua Dr. Silvestre Ferraz.14 Em 1903, a normalista Carlinda Salomon abriu ali um colégio de instrução primária, e a Escola de Comércio de Antônio Rodrigues de Oliveira, oficializada em 1933, funcionou primeiro num velho prédio da rua.1516

Na esquina com a Rua Major Pereira, hoje Rua Dr. João de Azevedo, ficava o prédio da Seção Bancária da Companhia Industrial Sul-Mineira, que virou o Banco de Itajubá.17 Na esquina com a Praça Adolfo Olinto ficava a casa do coronel João Carneiro Santiago Júnior, onde Theodomiro Carneiro Santiago passou a infância e a adolescência.18

O extremo sul da rua sofria com o esgoto. Um projeto apresentado na Câmara no início do século XX mandava que os donos das casas servidas por latrinas que deságuavam na margem do Sapucaí levassem o ponto de despejo até o meio do rio, por dentro d’água, para evitar a exalação que se sentia ali.19 Um jornal da época reclamava que o escoamento de latrinas da Rua Coronel Francisco Brás ficava depositado na Rua Dr. Silvestre Ferraz.20

  1. Memória de Itajubá e da Obra de Theodomiro: a Pedra e a Fonte. 1999, legenda do mapa da cidade de 1888. ↩

  2. Armelim Guimarães. Construtores de Itajubá. 1975, p. 12. ↩ ↩2

  3. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 206. ↩ ↩2

  4. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 207, citando O Itajubá de 13 de junho de 1886. ↩

  5. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 209. ↩

  6. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 210. ↩

  7. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, capítulo sobre o carnaval, citando O Itajubá de 1889. ↩

  8. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 214. ↩

  9. Armelim Guimarães. Itajubá e Sua História (I Parte). 1998, legenda da foto da locomotiva Cristina. ↩

  10. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 227. ↩

  11. Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 24 de setembro de 1890. ↩

  12. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 528. ↩

  13. Armelim Guimarães. Itajubá e Sua História (II Parte). 1999, p. 86. ↩

  14. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 453, citando O Itajubá de 4 de agosto de 1889. ↩

  15. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 380. ↩

  16. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 386. ↩

  17. Armelim Guimarães. Itajubá e Sua História (II Parte). 1999, p. 89. ↩

  18. Armelim Guimarães. Itajubá e Sua História (I Parte). 1998, legenda da foto da casa do Cel. João Carneiro Santiago Júnior. ↩

  19. Memorial da Câmara Municipal de Itajubá: Desenvolvimento Urbano (1892–1930). Itajubá, 2012, capítulo sobre o saneamento. ↩

  20. Memorial da Câmara Municipal de Itajubá: Desenvolvimento Urbano (1892–1930). Itajubá, 2012, capítulo sobre a limpeza pública, com a crônica publicada na imprensa local. ↩

No acervo fotográfico

3 fotografias do acervo da História de Itajubá , em ordem de data.

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