Pontes
O Rio Sapucaí corta Itajubá ao meio, e atravessá-lo foi um problema desde o começo da vila. As pontes da cidade têm história de cotizações, barqueiros, desabamentos e obras paradas por falta de verba.12
Alpondras, pinguelas e barcas
Seção intitulada “Alpondras, pinguelas e barcas”Ainda em 1849, primeiro ano da vila, o vereador Joaquim Delfino Ribeiro da Luz sugeriu construir uma ponte sobre o Sapucaí. O presidente da província mandou entregar à Municipalidade um conto e oitocentos mil réis para a obra, mas o orçamento dos vereadores passava de três contos, e o governo negou verba maior.1
Onde depois se ergueu a primeira ponte havia alpondras, pedras altas que só se atravessavam com o rio muito baixo, e mais acima, no Porto Velho, uma pinguela apoiada em cavaletes. Era essa passadeira que servia toda a população.1 Antes da ponte coberta, a travessia se fazia de barca, com pedágio fiscalizado pela Municipalidade.3
A primeira obra que mereceu o nome de ponte foi a do empreiteiro Joaquim Rodrigues Sampaio. A Câmara não a aceitou, por tê-la considerado construída fora do lugar conveniente; ele teve de fazer outra, examinada por dois carapinas e aceita em abril de 1853. Em 1854 o empreiteiro ainda reclamava os 700 mil réis que a Câmara lhe devia.3 Reconstruída, ela ficou conhecida como ponte nova, e a velha pinguela dos Remédios, como ponte velha.3
Vinte anos depois, com os pegões apodrecidos, a ponte foi demolida, e a travessia voltou às barcas. O barqueiro Francisco Sanches Brinquinho tornou-se concessionário e cobrava 40 réis por pessoa a pé e 200 por cavaleiro, o que levou o vereador João Antônio Grilo a protestar, em 1880, contra uma taxa “que não há exemplo de pagar-se em parte alguma”.3
A ponte de zinco, de 1883
Seção intitulada “A ponte de zinco, de 1883”A pressão popular levou à construção de uma ponte larga e sólida. A comissão encarregada, formada por Adolpho Augusto Olyntho, Antônio dos Santos Silva Júnior e Luís José de Sousa Vianna, começou os trabalhos na primeira semana de 1882, e só os pegões de pedra levaram um ano.2
Era uma construção de madeira de lei “derrubada em lua certa”, com cobertura de duas águas; como a coberta era de zinco, ficou conhecida como ponte de zinco. Foi inaugurada em 7 de dezembro de 1883, com fogos, discursos e banda de música, e O Itajubá publicou um poema de doze estrofes sobre a festa.2
O projeto de lei provincial que daria dez contos para a obra parece não ter sido sancionado: a verba oficial que chegou, em setembro de 1882, foi de sete contos e 920 mil réis, menos da metade do orçamento. O resto saiu dos próprios itajubenses, e O Itajubá publicou a lista de quem contribuiu com dinheiro, pedras, madeiras, carros, carroças e escravos.2
A Randolpho Paiva
Seção intitulada “A Randolpho Paiva”A ponte de zinco durou até 1928, quando se inaugurou, um pouco acima, a ponte de cimento de belos arcos que leva o nome do engenheiro Randolpho Paiva. Ela foi depois substituída por uma construção de cimento e aço, na administração do prefeito Ambrósio Pinto.2
As pontes de dentro da cidade
Seção intitulada “As pontes de dentro da cidade”Os livros da Municipalidade registram outras pontes urbanas: a da Rua do Esgoto, a dos Godóis, na então Rua dos Remédios, hoje Rua Xavier Lisboa, que custou 165 mil e 440 réis em 1857, a ponte D. Leocádia, na saída para Santa Rita, as das ruas Coronel Carneiro Júnior e Tenente Viotti sobre o ribeirão José Pereira e a ponte ao lado do Instituto Dom Bosco, sobre o ribeirão Anhumas.2
A ponte da Rua Dona Maria Carneiro
Seção intitulada “A ponte da Rua Dona Maria Carneiro”Em 1908 inaugurou-se a ponte metálica de arcos da Rua Dona Maria Carneiro, na Boa Vista, construída pela firma Irmãos Almeida sob direção técnica de Jorge Marinelli, que pôs fim à frágil passadeira D. Leocádia.4
Em 15 de julho de 1954, sem suportar o peso de uma viatura, a velha ponte metálica vergou. O 4º Batalhão de Engenharia de Combate montou no dia seguinte uma ponte de emergência; nesse trabalho o soldado José Leopoldino Neto fraturou uma perna, amputada dias depois no Rio de Janeiro. A ponte provisória de madeira inaugurada em 23 de abril de 1955 recebeu o nome dele. Destruída em parte pela enchente de 1957, foi reconstruída pelo batalhão em 19 de setembro daquele ano, com ajuda de firmas e moradores da cidade.45
A ponte de concreto armado começou a ser construída em 4 de novembro de 1957, pela firma Carnot de Pádua Hermeto, e ficou parada por falta de verba. Em 9 de março de 1960 houve uma concentração popular no canteiro, com discursos, entre eles o do Padre Generoso de Carvalho. A obra terminou e a ponte, inaugurada em 25 de setembro de 1960, é a Ponte Tancredo Neves.5
Ver também
Seção intitulada “Ver também”Footnotes
Seção intitulada “Footnotes”No acervo fotográfico
40 fotografias do acervo da História de Itajubá , em ordem de data; aqui as 12 primeiras.
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Antiga Vila Lúcia, em meados do final do século XX1894 -
Quadro da ponte metálica na Vila Lúcia1898 -
O rio Sapucaí, vendo-se a ponte de madeira, com cobertura de zinco, inaugurada em 7 de dezembro de 1883, que existiu até que se contruísse, 45 anos depois, a ponte “Randolfo Paiva”Década de 1910 -
Ponte metálica sobre o rio Sapucaí1914 -
Ponte metálica sobre o rio Sapucaí1915 a 1928 -
"Ponte Nova"1920 a 1926 -
Ao fundo a ponte anterior a ponte dos Arcos1920 a 1928 -
Construção da Ponte dos Arcos (1)1920 a 1928 -
Vista das margens do rio Sapucaí, década de 1920Década de 1920 -
Ponte de madeira na Vila Lúcia1923 -
Antiga Construção da Ponte Randolpho Paiva1926 a 1928 -
Pilastras da ponte Randolpho Paiva1926 a 1928