Frederico Schumann
O comendador Frederico Schumann foi o mais tradicional farmacêutico de Itajubá no século XIX e chefe do Partido Liberal na cidade nos últimos anos do Império. Na República foi deputado estadual por duas legislaturas e diretor do Arquivo Público Nacional, no Rio de Janeiro. Recebeu a comenda da Ordem da Rosa e morreu em 1º de maio de 1917.1234
Pai e filho
Seção intitulada “Pai e filho”Houve em Itajubá dois farmacêuticos com o mesmo nome. O pai, Frederico Fernandes Schumann, era alemão, “súdito hanoveriano”, e recebeu a naturalização brasileira em 19 de setembro de 1859. O filho assinou primeiro Frederico Fernandes Schumann e depois só Frederico Schumann.567 Em 1862, a Câmara mandou fechar a botica do pai, que não tinha diploma. O filho apresentou à Câmara a sua carta de farmacêutico em 13 de fevereiro de 1873.68
As fontes divergem sobre a origem do comendador. As Efemérides e a História de Itajubá o chamam de itajubense.59 Construtores de Itajubá diz que ele nasceu na Alemanha em 22 de novembro de 1847, viveu no Brasil desde 1853 e em Itajubá desde 1854, considerava a cidade sua terra natal e se naturalizou em 19 de setembro de 1859, com 12 anos, a mesma data que as outras obras dão para a naturalização do pai.1 A mãe, D. Cândida Silveira Schumann, morreu em 1882.10 Frederico Schumann Sobrinho, um dos fundadores da Biblioteca Machado de Assis em 1883, é outra pessoa.11
A farmácia
Seção intitulada “A farmácia”Sua Farmácia Central ficava no Largo dos Passos, hoje Praça Teodomiro Santiago. Schumann teve farmácias também na Rua Conde d’Eu e na Rua Gonçalves Dias, e mudou de sócios algumas vezes. Em 1º de janeiro de 1889 inaugurou com Julião Florêncio Meyer Júnior a Farmácia Scheele. Em 1901 formou a firma Schumann, Carneiro & Braga, com Oswaldo Carneiro Santiago e Jorge de Oliveira Braga, que em 1904 virou Schumann & J. Braga.18712 Uma legenda de 1999 o chama de primeiro farmacêutico da cidade; a História de Itajubá registra boticários em Itajubá desde 1843.1314
Como outros farmacêuticos da época, Schumann também clinicava. Recebia doentes dos municípios vizinhos e atendia chamados em lugares distantes.14 Quando um grupo de liberais invadiu a Matriz para tomar a urna dos conservadores e feriu a tiro o Serrador, homem do coronel Antônio José Rennó, a cidade não tinha médico, e foi Schumann, liberal, quem tratou do ferido.15 Desde 1873 vacinava contra a varíola, com o médico Américo de Oliveira e o farmacêutico Evaristo Campista, e foi vacinador paroquial.161 Em janeiro de 1881 anunciou que, por doença e por já haver médicos bastantes na cidade, deixaria de atender chamados, salvo nos casos urgentes.14
Em 1885, na Câmara, respondeu ao vereador Américo de Oliveira, que acusava as farmácias de ficar fechadas pela manhã. Schumann admitiu que a dele às vezes fechava, porque não tinha empregado e saía para atender pobres, e disse que das três boticas da cidade duas eram protegidas pelos médicos. Américo negou.8 Com Américo de Oliveira, socorreu as vítimas da explosão da oficina do pirotécnico Saturnino Barbosa, no Largo dos Andradas.17
O chefe liberal
Seção intitulada “O chefe liberal”Em 1878, Schumann, Aureliano Moreira Magalhães, Domiciano da Costa Moreira e Joaquim Francisco Pereira Júnior puseram a banda de música na rua para festejar a subida do gabinete liberal de Sinimbu.18 Nos anos seguintes chefiou o Partido Liberal no município.319 Em agosto de 1885, os conservadores festejaram o gabinete Cotegipe com uma passeata em frente à casa dele e às de outros chefes liberais, dispersada por escravos capoeiras.20 Em 30 de julho de 1889, o Visconde de Ouro Preto, presidente do Conselho de Ministros, escreveu ao “Major Frederico Schumann” para agradecer, em nome do imperador, o protesto dos liberais de Itajubá contra o atentado sofrido por D. Pedro II no dia 15.3 O título de major vinha da Guarda Nacional, em que foi ajudante de ordens e secretário do Comando Superior.2122
Foi vereador na Câmara empossada em 7 de janeiro de 1883.2324 Naquele ano propôs pedir ao Ministério da Agricultura 70 lampiões que tinham servido à iluminação da Corte, sugeriu um estafeta de dois em dois dias entre Pouso Alegre e Lorena e integrou a comissão que fixou os limites da zona urbana.252627 A iluminação pública a querosene foi inaugurada em 1º de janeiro de 1884, com 61 lampiões.28 Em setembro de 1884, a Câmara examinou a proposta de Frederico Fernandes Schumann para arborizar o Largo dos Passos e a Praça do Mercado.27 Schumann renunciou, e a eleição para a vaga dele foi em 27 de fevereiro de 1886.29
Maçom, ator e sócio
Seção intitulada “Maçom, ator e sócio”Schumann foi secretário da primeira diretoria da loja maçônica Deus e Humanidade, fundada em 4 de outubro de 1874.1030 No mesmo ano era secretário da União Auxiliadora do Teatro, e foi vice-presidente da sociedade Recreio Dramático.31 Em 1883 subiu ao palco do Teatro Santa Cecília num grupo de amadores da cidade, e o Clube Dramático Culto à Arte montou ali uma peça escrita em sua homenagem.3233 Foi vice-presidente do Clube Cruz de Malta, fundado no carnaval de 1884, e membro da mesa da Irmandade do Santíssimo Sacramento em 1873.3435
A República
Seção intitulada “A República”Em 18 de novembro de 1889, o governo provisório republicano de Itajubá manteve Schumann no cargo de delegado de polícia.36 Na mesma noite o Partido Liberal decidiu aderir ao novo regime, e Schumann e Aureliano Magalhães redigiram o manifesto, que ele assinou no dia 19 como chefe do partido.3637 Semanas depois, A Verdade publicou que o governo provisório indicara as autoridades policiais de acordo com ele. Schumann respondeu pelo jornal que a redação estava mal informada, que não era adversário da República e que a própria permanência no cargo provava sua adesão. Um dos membros do governo provisório, já dissolvido, escreveu que as indicações tinham sido feitas de acordo com o delegado.38
Em 1891 discursou na chegada do primeiro trem de lastro a Itajubá e hospedou convidados na inauguração da Estação Ferroviária.3940 Em 1º de fevereiro de 1892 entrou no diretório do partido União Republicana, e em 1902 no do Partido Republicano Mineiro.4142 Com o engenheiro Carlos Lindgren, a pedido do presidente da Câmara Francisco Brás, examinou a nascente da fazenda do major Antônio dos Santos Silva Júnior, que o dono cedeu para abastecer a cidade.43 Em 1903 organizou com Fructuoso Ramos de Lima a escolha do delegado de Itajubá ao Congresso Agrícola, Comercial e Industrial de Minas.44 Discursou no banquete ao núncio apostólico D. Júlio Tonti, em abril de 1903, assinou em 1904 a convocação da reunião que fundou o Ginásio de Itajubá e falou em nome da maçonaria na inauguração da Santa Casa.454647
Deputado e diretor do Arquivo
Seção intitulada “Deputado e diretor do Arquivo”Schumann representou o 3º distrito no Congresso Mineiro em duas legislaturas seguidas. Em Itajubá teve 564 votos na eleição de 1º de novembro de 1904 e 990 na de 10 de março de 1907.2948 Como deputado assistiu à inauguração da luz elétrica, em 12 de janeiro de 1907, e em abril integrou a comissão da tese sobre colégios agrícolas no Congresso das Municipalidades realizado na cidade.4950 O governo de Wenceslau Braz o nomeou diretor do Arquivo Público Nacional.2
Morreu em 1º de maio de 1917.14 A antiga Travessa Municipal, no centro, é hoje a Rua Comendador Schumann.51 Numa das pinturas de Luís Teixeira sobre o Itajubá antigo, a do Largo do Esgoto, atual Praça Getúlio Vargas, Schumann aparece entre as figuras.13
Ver também
Seção intitulada “Ver também”- Dr. Aureliano Moreira Magalhães
- Antônio José Rennó
- José Manso Pereira Cabral
- Antônio Maximiano Xavier Lisboa
Footnotes
Seção intitulada “Footnotes”-
Armelim Guimarães. Construtores de Itajubá. 1975, p. 52. ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5
-
Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 264 e 265. ↩ ↩2 ↩3
-
Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 1º de maio de 1917. ↩ ↩2
-
Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 19 de setembro de 1859. ↩ ↩2
-
Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 526. ↩ ↩2 ↩3
-
Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 403. ↩
-
Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 1º de janeiro de 1889. ↩
-
Memória de Itajubá e da Obra de Theodomiro: a Pedra e a Fonte. 1999, p. VIII, legenda das pinturas de Luiz Teixeira. ↩ ↩2
-
Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 524. ↩ ↩2 ↩3
-
Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 259. ↩
-
Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 510. ↩
-
Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 596. ↩
-
Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 251. ↩
-
Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 173. ↩
-
Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 260. ↩
-
Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 247. ↩
-
Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 248. ↩
-
O Município de Itajubá. 1915, p. 45. ↩
-
Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 296. ↩
-
Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 473. ↩
-
Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 451. ↩
-
Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 1º de janeiro de 1884. ↩
-
Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 27 de fevereiro de 1886. ↩
-
Armelim Guimarães. Sinopse da História de Itajubá. 1966, p. 80. ↩
-
Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 433. ↩
-
Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 17 de julho de 1883. ↩
-
Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete sobre a peça A Filha do Moleiro. ↩
-
Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 454. ↩
-
Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 562. ↩
-
Memorial da Câmara Municipal de Itajubá: Regime Republicano (1889–1930). Itajubá, 2012, anexo com a resolução do Partido Liberal de 19 de novembro de 1889. ↩
-
Memorial da Câmara Municipal de Itajubá: Regime Republicano (1889–1930). Itajubá, 2012, anexo com a nota do delegado de polícia Frederico Schumann. ↩
-
Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 212. ↩
-
Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 214. ↩
-
Memorial da Câmara Municipal de Itajubá: Regime Republicano (1889–1930). Itajubá, 2012, anexo 6, sobre o partido União Republicana. ↩
-
Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 275. ↩
-
Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 354. ↩
-
Memorial da Câmara Municipal de Itajubá: Ordenamento Social (1849–1930). Itajubá, 2012, capítulo sobre o trabalho e anexo 11. ↩
-
Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 549. ↩
-
Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 383. ↩
-
Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 516. ↩
-
Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 10 de março de 1907. ↩
-
Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 477. ↩
-
Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 391. ↩
-
Resumo Didático da História de Itajubá. 2000, p. 62. ↩
No acervo fotográfico
3 fotografias do acervo da História de Itajubá , em ordem de data.