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Estação Ferroviária

A estação ferroviária de Itajubá recebeu o primeiro trem da Estrada de Ferro Sapucaí em 25 de setembro de 1891 e ocupou três prédios até a desativação da linha. O primeiro foi um barracão provisório de tábuas; o segundo, a estação de 1893 na Praça Pereira dos Santos; o terceiro, a estação de 1930 na Praça José Brás, que a prefeitura transformou em Museu Municipal.12

Antes dos trilhos, os carros de bois e as tropas de Itajubá atravessavam a serra da Mantiqueira para entregar o fumo na estação mais próxima da Estrada de Ferro Dom Pedro II.3 A história da campanha pela ferrovia e dos ramais está em Ferrovias. A companhia decidiu fazer a bifurcação da linha em Soledade, na Minas and Rio, e a estrada recebeu o nome de Estrada de Ferro Vale do Sapucaí, depois só Estrada de Ferro Sapucaí.4

Em 3 de setembro de 1891, o presidente da Intendência Municipal, João Carneiro Santiago Júnior, pediu por edital que os moradores caiassem as fachadas e iluminassem as casas para a festa.1 No dia 25, mais de 5 mil pessoas esperavam o trem, que chegou às três da tarde com a locomotiva enfeitada de flores. A locomotiva se chamava Cristina, em homenagem ao deputado Silvestre Ferraz, natural de Cristina e principal defensor da estrada na Assembleia Provincial. No trem vinham o presidente do estado, Cesário Alvim, e a banda União e Trabalho; na estação, a banda União dos Artistas tocou durante a recepção.156 À noite houve banquete, com um cardápio em francês que incluía “poulets à la Cesário Alvim”.5

Em homenagem ao governador, a rua que ligava a estação à Rua Major Pereira recebeu o nome de Rua Cesário Alvim. Mais tarde o nome passou para a praça central, o antigo Largo dos Passos, hoje Praça Teodomiro Santiago.6

A estação da inauguração era um barracão de tábuas perto da atual Vila Rubens. Uma depressão funda no terreno exigia um aterro demorado, feito sem máquinas, e enquanto isso carretões puxados por bois arrastavam os trilhos desde a Vila Rubens.78 A empresa pretendia construir a estação definitiva longe da cidade. Os moradores protestaram e mandaram um abaixo-assinado à direção da estrada, que acabou erguendo o prédio na atual Praça Pereira dos Santos, inaugurado em 22 de janeiro de 1893.2 O prédio ainda existia em 1985; depois o prefeito Rosemburgo Romano o demoliu.28

A estação trouxe a Itajubá o primeiro telégrafo, o da própria estrada de ferro, instalado em 1891.9 Com o trem, a cidade deixou de depender dos postilhões para receber o correio.10 Em 1901, a Câmara nomeou Olímpio Ribeiro da Silva, o Olympinho, estafeta encarregado de levar as malas postais entre a estação e a agência.11 Em 1893, a direção da estrada instalou em Itajubá a oficina de consertos e revisão das locomotivas, que uma lei anterior destinara a Cristina.2 O primeiro agente da estação foi Joaquim do Prado, nomeado em 1891.2

Em 1907, um jornal de Paraisópolis descrevia em volta da estação “um arrabalde novo e movimentado”, com uma máquina de beneficiar café que trabalhava sem parar.12

A plataforma era o lugar das chegadas importantes. Em 22 de abril de 1903, duas bandas e uma multidão receberam ali o bispo D. João Nery e o núncio apostólico D. Júlio Tonti.13 Em novembro de 1912, a cidade esperou na estação Theodomiro Carneiro Santiago, que voltava da Europa com os professores do Instituto Eletrotécnico.14 Em 1924, o 4º Batalhão de Engenharia embarcou ali para combater a revolução contra o governo de Artur Bernardes.15 Em 1932, comboios com tropas do Exército passaram pela estação a caminho do túnel de Passa Quatro.16

No começo de 1934, o ministro do Exército, general Espírito Santo Cardoso, e o comandante da 4ª Região Militar, general Deschamps Cavalcanti, desceram na estação para examinar o terreno da futura Fábrica de Armas.17 Em 28 de maio de 1947, uma multidão recebeu na plataforma o cardeal de São Paulo, D. Carlos Carmelo de Vasconcelos Mota.18

A estrada também teve suas tragédias. Em janeiro de 1900, um desastre no quilômetro 95 matou sete pessoas. Em 25 de março de 1926, o trem que vinha de Soledade despencou com o aterro na serra de São João, três quilômetros abaixo da cachoeira Véu de Noiva: o chefe de trem Júlio Vieira morreu, e o maquinista João Mariano e o foguista José Salviano ficaram gravemente feridos.19

Em 6 de abril de 1922, os governos federal e estadual juntaram a Viação Férrea Sapucaí à Minas and Rio e à Estrada de Ferro Muzambinho sob o nome de Rede Sul-Mineira; mais tarde a linha passou à Rede Mineira de Viação, à Viação Férrea Centro-Oeste e à Rede Ferroviária Federal.219 Em 5 de setembro de 1930, a Rede Mineira de Viação inaugurou a nova estação de Itajubá, na Praça José Brás. O Padre Paulo Hartgers benzeu o prédio e fez o discurso da festa.220

A partir da estação corriam também o ramal de Delfim Moreira, construído a partir de 1919 com a ajuda do 4º Batalhão de Engenharia, e o trem que levava os operários à Fábrica de Armas, conhecido como Trenzinho do Pacatito.1921 O último trem para Delfim Moreira correu em 28 de março de 1957, e o último para Paraisópolis em 28 de maio de 1963.2223

Em 1º de agosto de 1959, a prefeitura inaugurou a estação rodoviária no terreno do jardim da Praça José Brás, em frente à estação.2425 Com a ferrovia desativada, os trilhos em frente à plataforma deram lugar a uma avenida, onde se monta a feira livre das terças-feiras.26 O prefeito Ambrósio Pinto instalou no prédio da estação o Museu Municipal, que passou a abrigar também a Academia Itajubense de História.22725

  1. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 212. ↩ ↩2 ↩3

  2. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 215. ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5 ↩6 ↩7 ↩8

  3. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 329. ↩

  4. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 206. ↩

  5. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 213. ↩ ↩2

  6. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 214. ↩ ↩2

  7. Armelim Guimarães. Itajubá e Sua História (II Parte). 1999, p. 103. ↩

  8. Armelim Guimarães. Itajubá e Sua História (I Parte). 1998, legendas das fotos da antiga estação da Praça Pereira dos Santos. ↩ ↩2

  9. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 446. ↩

  10. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 451. ↩

  11. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 452. ↩

  12. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 129. ↩

  13. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 549. ↩

  14. Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1972, p. 80. ↩

  15. Armelim Guimarães. Itajubá e Sua História (I Parte). 1998, legenda da foto do 4º Batalhão de Engenharia partindo em 1924. ↩

  16. Armelim Guimarães. Sinopse da História de Itajubá. 1966, p. 43. ↩

  17. Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 1934 sobre a visita dos generais Espírito Santo Cardoso e Deschamps Cavalcanti. ↩

  18. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 550. ↩

  19. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 216. ↩ ↩2 ↩3

  20. Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 5 de setembro de 1930. ↩

  21. Armelim Guimarães. Itajubá e Sua História (I Parte). 1998, legenda da foto do comboio da Fábrica de Armas. ↩

  22. Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1972, p. 22. ↩

  23. Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 28 de maio de 1963. ↩

  24. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 190. ↩

  25. Armelim Guimarães. Itajubá e Sua História (II Parte). 1999, p. 76. ↩ ↩2

  26. Armelim Guimarães. Itajubá e Sua História (II Parte). 1999, p. 101. ↩

  27. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 405. ↩

No acervo fotográfico

76 fotografias do acervo da História de Itajubá , em ordem de data; aqui as 12 primeiras.

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