Pular para o conteúdo

Indústrias

As indústrias de Itajubá começaram pequenas, ligadas ao que a lavoura e as fazendas produziam, e cresceram depois de 1907, quando a cidade ganhou energia elétrica. A História de Itajubá liga a época das grandes indústrias às fábricas de tecidos, e o livro Memória de Itajubá aponta a chegada de imigrantes europeus, sobretudo italianos, no fim do século XIX, como o reforço decisivo dessa vocação.12 Esta página é o panorama; o texto geral está em Economia e Indústria.

Até cerca de 1920, a economia do município se apoiou na renda do fumo e de seus derivados, com pequenas fábricas de cigarros, charutos, rapé, fumo picado e palha alisada. Havia também a curtição de couros e peles e a produção de arreios, malas, canastras e bruacas.2

As olarias e cerâmicas forneciam a toda a região. Joaquim Rodrigues Pinto, o major João Antônio Pereira e o coronel Jorge de Oliveira Braga constituíram a firma Pinto, Braga & Cia., pioneira da indústria cerâmica em agosto de 1911, com oficina na Rua Santos Pereira e máquinas alemãs. Pouco depois veio a Cerâmica Itajubá, de B. Pereira & Cia., com 90 operários, produzindo por dia 5 mil telhas francesas, 10 mil tijolos e cerca de mil manilhas, e de onde saíram os quadros da Via-Sacra da Matriz. As olarias eram tantas nos arredores que, em 15 de março de 1916, a Câmara proibiu novas instalações no perímetro urbano.32

Desde o fim do século XIX houve muitas fábricas de bebidas: vinagre, vinhos de mesa e cerveja de Joaquim Inácio Vilas-Boas da Gama e Manuel Teotônio Pereira dos Santos; os vinhos de Luís José de Sousa Vianna, o maior produtor da cidade; a fábrica de Henrique Beckmann, na Rua Major Pereira; e, nas décadas de 1910 e 1920, Ana S. Hartig, Lippe & Rossini, Getúlio Silva, João Carlini & Irmão, Luís Vianna Júnior e Piazzaroli & Cia., especializada em cerveja.4 O coronel Jorge de Oliveira Braga fazia vinho de laranja da marca Jaó, premiado na Exposição Centenário Farroupilha de 1936 e, em 1935, pelo Instituto Técnico Comercial e Industrial do Brasil.5

No ramo dos alimentos, Antônio Citrolli fabricava macarrão sob encomenda ainda no século XIX, e Francisco Nisticó fundou em 1908 a primeira fábrica de macarrão da cidade, na Praça Adolfo Olinto. Em 1913, Próspero Sanches e Silvério Chiaradia fundaram a Fábrica de Massas Alimentícias da Travessa Santos Pereira.5 Vieram ainda as fecularias, os laticínios, com a Lacticínios Tangará de Otávio Fonseca, pioneiro da pasteurização do leite em Itajubá, e as fábricas de banha e produtos suínos, como a que Casimiro José Osório pediu para instalar na Boa Vista em 1917.56

Bernardo Engelmann Júnior teve por muitos anos a Fábrica de Salsichas e Mortadelas, e a cidade fez tradição em balas e bombons, com a fábrica de P. Piazzaroli, A Mineira dos irmãos Capello e a Fábrica de Doces Vera Cruz. A indústria do sabão teve em Bráulio Carneiro Santiago um dos pioneiros.6

A fabricação de chapéus começou em 1870 com a fábrica de Agostinho Pereira Leite e cresceu com a Fábrica de Chapéus de Feltro, da Companhia Manufatora Progresso de Itajubá, fundada em 24 de agosto de 1913. Na exposição de 1922 ela recebeu o Grande Prêmio.6

A época das grandes indústrias começou com os tecidos. A Companhia Industrial Sul-Mineira, fundada em 22 de fevereiro de 1908, inaugurou em 1914 a primeira grande fábrica de tecidos da cidade, a Codorna, realização de Wenceslau Braz, João Antônio Pereira, João Carneiro Santiago Júnior, Xavier Lisboa, Luís Dias Pereira e Miguel Arcanjo de Sousa Vianna.1 Em 1925, a firma Alcides Faria & Cia. fundou a Fábrica de Tecidos Dona Maria Carneiro, continuada pela Companhia Têxtil Oliveira Industrial, e a terceira fábrica de tecidos foi a City-Halo, dos irmãos Neif e Anísio Haddad, que produzia sedas.7 Em 2 de junho de 1921 inaugurou-se a Fábrica de Meias da Companhia Itajubá de Tecidos de Malha.7

A fábrica de maior peso foi a do Exército. O Decreto nº 23.624, de 20 de dezembro de 1933, criou a Fábrica de Canos e Sabres para Armas Portáteis, instalada no Pacatito, que virou Fábrica de Itajubá em 1939 e foi incorporada à IMBEL em 1976.78

Uma fábrica de fósforos se instalou em Itajubá em 1927, da firma J. A. Dias Braga & Cia. A História de Itajubá diz que os fósforos itajubenses se venderam por todo o país sem propaganda, mas que a fábrica durou pouco.7

Caldeireiros e ferreiros como Jacob, Salvador e Francisco Masselli, Domingos Del-Ducca, Ângelo Boer, Brás Marotti e Salvador Rocco produziam vasilhames de flandres, alambiques, tachos, lampiões e obras de serralheria. Ângelo Marzullo fundou em 1913 uma fábrica de camas de ferro e foi um dos primeiros a instalar oficina mecânica movida a eletricidade, como também o foi a Oficina Eletro-Mecânica Modelo, de Paula Freitas, Wood & Cia.4

Entre as fábricas de móveis e serrarias estiveram Capello & Baroni, na Rua Eugênio Salles, Carmelo Fava, Pereira Rennó & Cia. e a firma Carvalho, Dias & Cia., constituída em 1914, dona de uma grande serraria na esquina da Avenida Coronel Carneiro Júnior com a Praça Pereira dos Santos.4 Também funcionaram a Fábrica de Chinelos da Indústria Chineleira Wood, a Fábrica de Tamancos de Benedito Storino, a Fábrica de Malas São José e as fábricas de carros de tração animal de Belisário Silva e de Adriano Piazzaroli.1

Em 1874, a província nomeou uma comissão de itajubenses para mandar produtos à Exposição Industrial da Filadélfia.9 Em 15 de abril de 1917, a Câmara aprovou a Lei nº 13, que concedia isenção de impostos por dez anos aos estabelecimentos industriais que se instalassem no município.6 Em 19 de junho de 1930, Itajubá sediou o 3º Congresso Comercial, Industrial e Agrícola de Minas Gerais, no Clube Itajubense, com a presença de Wenceslau Braz.9 Em 1934, expositores itajubenses ganharam medalhas de ouro e prata na exposição do cinquentenário da Rede Mineira de Viação, em Cruzeiro, e em 9 de agosto de 1933 a Associação Comercial montou uma exposição de produtos locais em que figurava um tear inteiramente construído na cidade.9

Em agosto de 1959, o deputado Aureliano Chaves de Mendonça começou a mover a criação da Cidade Industrial de Itajubá, que a Lei estadual nº 3.683, de autoria do deputado Euclides Cintra, criou em 6 de dezembro de 1965. Em 8 de novembro de 1974, a Câmara autorizou a Prefeitura a firmar convênio para implantar o Distrito Industrial.9 O terreno usado foi o do antigo campo de aviação, cercado de morros e desativado, que a Municipalidade transformou em área industrial doando lotes para fábricas.10

Instalaram-se ali a Helibras, primeira fábrica de helicópteros da América do Sul, e as hoje desativadas Standard Electric e Flygt do Brasil.810 Perto da fábrica de armas, na outra margem do Sapucaí, ficou a Horasa, de relógios e cronômetros de precisão. Outras fábricas do período foram a Ducarsil, a Fânia, a Balteau, a Itaconex, a Ericson do Brasil, a Módulo, a Petrasul, a Triel e a Mecânica de Precisão Altec.8 O Resumo Didático, de 2000, lista no Distrito Industrial a Helibras, a Mahle Cofap Anéis, a Higident do Brasil, a Neurotec e a Balteau e, no outro extremo da cidade, a IMBEL, a AFL de artefatos de alumínio e a Cabelte.11

  1. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 347. ↩ ↩2 ↩3

  2. Memória de Itajubá e da Obra de Theodomiro: a Pedra e a Fonte. 1999, texto sobre a indústria em Itajubá. ↩ ↩2 ↩3

  3. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 343. ↩

  4. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 344. ↩ ↩2 ↩3

  5. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 345. ↩ ↩2 ↩3

  6. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 346. ↩ ↩2 ↩3 ↩4

  7. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 348. ↩ ↩2 ↩3 ↩4

  8. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 349. ↩ ↩2 ↩3

  9. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 350. ↩ ↩2 ↩3 ↩4

  10. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 501. ↩ ↩2

  11. Resumo Didático da História de Itajubá. 2000, p. 65. ↩

No acervo fotográfico

109 fotografias do acervo da História de Itajubá , em ordem de data; aqui as 12 primeiras.

Ver as 109 fotografias →