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Rua Dr. Américo de Oliveira

A Rua Dr. Américo de Oliveira fica no centro de Itajubá, entre a Praça Adolfo Olinto e o ribeirão José Pereira, e homenageia o médico e político Américo da Silva Oliveira. Nela funcionaram a primeira cadeia da cidade e, depois, o sobrado que abrigou a Câmara Municipal e a cadeia pública.123

A História de Itajubá e o Resumo Didático contam que a rua se chamou primeiro “rua de Vicente José Pereira”, depois Rua Tenente Viotti e por fim Rua Dr. Américo de Oliveira.45 A legenda do mapa de 1888 desenhado por Luiz Teixeira faz a mesma equivalência entre a Rua Tenente Viotti e a rua atual.1

O Memorial da Câmara dá outra origem: um projeto do vereador Luiz Dalle Afflalo, subscrito por Cândido Pereira dos Santos, deu o nome de Rua Dr. Américo de Oliveira à Rua do Porto Velho, “que desce da igreja dos Remédios ao rio Sapucaí”, em reconhecimento aos serviços prestados ao município.6 As duas versões não se encaixam, e as fontes consultadas não explicam a diferença.

A abertura da rua se deve a uma doação do Padre Lourenço da Costa Moreira. Armelim Guimarães cita a ata de 6 de agosto de 1851, que registra os terrenos doados por ele à Municipalidade para abrir a rua que ia da cadeia até o esgoto; as Efemérides datam de 10 de agosto de 1851 o registro da doação em livro próprio.78

Américo da Silva Oliveira, baiano, foi um dos médicos mais antigos de Itajubá no século XIX. Casou-se com Virgínia Emília Rennó, filha do patriarca da família Rennó e irmã do coronel Antônio José Rennó, e foi avô dos matemáticos Antônio Rodrigues de Oliveira e José Benedito de Oliveira, o Celico.9 Foi vereador e agente executivo municipal, vacinou a população contra a varíola a partir de 1873 com os farmacêuticos Frederico Schumann e Evaristo Campista e discursou na inauguração da iluminação pública a querosene.101112 O filho dele, Sebastião da Silva Oliveira, morreu em 22 de setembro de 1921.13

A primeira cadeia da cidade foi instalada em 1849, num prédio comprado por subscrição pública e adaptado, no início da então Rua Tenente Viotti, junto ao Largo da Quitanda, hoje Praça Adolfo Olinto.2 Com o dinheiro da subscrição, a comissão encarregada comprou duas casas da rua, uma delas fazendo fundos para o Largo das Cavalhadas, hoje Praça Getúlio Vargas.414

No mesmo terreno se levantou o sobrado com a Câmara Municipal no pavimento superior e a cadeia no térreo, inaugurado em 19 de março de 1851, na esquina com a antiga Rua Duque de Caxias, hoje Rua Coronel Francisco Brás. No local funcionou depois a Casa Esperança, de Humberto Werdine.31516 O Conselho Distrital, no fim do século XIX, funcionava num prédio da rua com frente para a atual Praça Teodomiro Santiago.17 Uma das instalações provisórias do Judiciário itajubense também ficou na esquina da Rua Coronel Francisco Brás com a Américo de Oliveira.18

Perto da ponte sobre o ribeirão José Pereira, no lado do Largo dos Andradas, hoje Praça Getúlio Vargas, existiu o Quartel Policial.19 A Câmara construiu pontes sobre o ribeirão nas ruas Coronel Carneiro Júnior e Tenente Viotti.20

O Colégio Antônio Moreira, fundado em 1902 para o ensino de humanidades, funcionou em prédio da rua.2122 Antônio Vilas-Boas fundou ali o armazém Bom Gosto, que Armelim Guimarães registrava como tradicional e ainda existente em 1987, então tocado pelo irmão dele, Joaquim Vilas-Boas.23 A agência do Correio passou pela esquina da rua com a Rua Silvestre Ferraz.24

O campo do Itajubense Futebol Clube ocupava a área entre as ruas Joaquim Francisco, Alcides Faria e Américo de Oliveira e a Avenida João Antônio Pereira.25 Hoje a 23ª Subseção da Ordem dos Advogados do Brasil fica na rua, no número 356.26 O acervo fotográfico guarda imagens da rua nas primeiras décadas do século XX e das águas da enchente de 2000.927

  1. Memória de Itajubá e da Obra de Theodomiro: a Pedra e a Fonte. 1999, legenda do mapa da cidade de 1888. ↩ ↩2

  2. Memória de Itajubá e da Obra de Theodomiro: a Pedra e a Fonte. 1999, legenda da foto 20. ↩ ↩2

  3. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 121. ↩ ↩2

  4. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 111. ↩ ↩2

  5. Armelim Guimarães. Resumo Didático da História de Itajubá. 2000, p. 100. ↩

  6. Memorial da Câmara Municipal de Itajubá: Desenvolvimento Urbano (1892–1930). Itajubá, 2012, capítulo sobre a memória nos nomes das ruas. ↩

  7. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 122. ↩

  8. Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 10 de agosto de 1851. ↩

  9. Armelim Guimarães. Itajubá e Sua História (II Parte). 1999, p. 87. ↩ ↩2

  10. Armelim Guimarães. Resumo Didático da História de Itajubá. 2000, p. 98. ↩

  11. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 510, citando O Itajubá de 23 de novembro de 1873. ↩

  12. Armelim Guimarães. Construtores de Itajubá. 1975, p. 14. ↩

  13. Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 22 de setembro de 1921. ↩

  14. Memorial da Câmara Municipal de Itajubá: Formação do Município (1849–1889). Itajubá, 2012, capítulo sobre as sedes da Câmara. ↩

  15. Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 19 de março de 1851. ↩

  16. Armelim Guimarães. Resumo Didático da História de Itajubá. 2000, p. 101. ↩

  17. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 303. ↩

  18. Comarca de Itajubá 1872–2022. 2022, p. 67. ↩

  19. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 368. ↩

  20. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 202. ↩

  21. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 380. ↩

  22. Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 3 de março de 1902. ↩

  23. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 239. ↩

  24. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 453. ↩

  25. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 467. ↩

  26. Comarca de Itajubá 1872–2022. 2022, p. 168. ↩

  27. Câmara Municipal de Itajubá. Projeto Reminiscências Fotográficas, legendas das fotos da enchente de 2000. ↩

No acervo fotográfico

5 fotografias do acervo da História de Itajubá , em ordem de data.

Ver no acervo →