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Getúlio Vargas

Getúlio Vargas (São Borja, 19 de abril de 1882, e Rio de Janeiro, 24 de agosto de 1954), presidente da República de 1930 a 1945 e de 1951 a 1954, criou em 1933 a fábrica de armas do Exército instalada em Itajubá e visitou a cidade em 16 de julho de 1939. Também exilou em 1932 Theodomiro Carneiro Santiago, fundador do Instituto Eletrotécnico, e governou Itajubá por meio de prefeitos nomeados durante quinze anos.123

Na eleição presidencial de 1º de março de 1930, o Partido Republicano Mineiro e a Câmara de Itajubá pediram votos para Getúlio Vargas, candidato da Aliança Liberal. Getúlio teve 1.854 votos na cidade, e Júlio Prestes, vencedor no país, apenas 22.45 Getúlio chegou ao poder pela revolução de outubro, e Itajubá festejou com sinos e foguetes a queda de Washington Luís. Wenceslau Braz recebeu de Getúlio um telegrama de agradecimento pelo apoio à revolução.67

A vitória acabou com a Câmara Municipal. De 1930 a 1947, Itajubá foi governada por prefeitos nomeados pelo interventor do estado: o primeiro foi José de Oliveira Marques e o último, Jayme Wood.8910

Parte da elite política de Itajubá rompeu com Getúlio. Theodomiro Santiago apoiou em 1932 a revolução paulista, e com a derrota o governo o exilou em Portugal. No mesmo ano, Getúlio anulou a venda do Morro de Santo Antônio, no Rio, que a companhia presidida por Theodomiro tinha aplainado, e o educador ficou arruinado.1112 Durante a revolução, comboios com tropas do Exército passaram pela estação de Itajubá a caminho da frente de Passa Quatro.13

Pelo Decreto nº 23.624, de 20 de dezembro de 1933, Getúlio criou a Fábrica de Canos e Sabres para Armas Portáteis, e o Exército escolheu Itajubá para instalá-la. O general Deschamps Cavalcanti lançou a pedra fundamental no bairro do Pacatito em 16 de julho de 1934, e a primeira oficina, a de canos, começou a funcionar exatamente um ano depois.2 Em 1939 a fábrica passou a se chamar Fábrica de Itajubá, porque já produzia fuzis, metralhadoras e pistolas completos. Hoje integra a IMBEL.2

Getúlio Vargas chegou a Itajubá em 16 de julho de 1939, dia do quinto aniversário da fábrica, com o governador Benedito Valadares e o ministro da Guerra, general Eurico Gaspar Dutra.14 A banda da fábrica tocou uma marcha militar quando o carro do presidente passou pelo portão. Ele percorreu todas as oficinas e, da sacada do prédio da administração, recebeu a saudação dos militares, funcionários e operários reunidos no pátio.15 No discurso, disse a frase que os itajubenses guardaram: “Esta Fábrica é um exemplo e uma lição”.153

No mesmo dia, o presidente assistiu à inauguração do Estádio Esperança, depois chamado Coronel Bello Lisboa, com um jogo entre o Botafogo do Rio de Janeiro e o Fábrica de Armas Futebol Clube, e passou pelo Clube Itajubense.1617 À noite, uma multidão se reuniu na Praça Wenceslau Brás para saudá-lo durante a visita a Wenceslau Braz, e o advogado José de Lima Medeiros discursou em nome da cidade. Getúlio dormiu na fábrica e voltou ao Rio no dia seguinte.1815

Em 1º de maio de 1941, 400 operários da Fábrica de Armas foram ao Rio de Janeiro e fizeram exibições de ginástica no Estádio do Vasco da Gama, diante de Getúlio e de cerca de 70 mil espectadores.1920 Quando Getúlio declarou guerra à Alemanha, à Itália e ao Japão, em 22 de agosto de 1942, os itajubenses lotaram a Praça Teodomiro Santiago num comício patriótico.21

Na eleição de 3 de outubro de 1950, Getúlio foi o candidato a presidente mais votado em Itajubá, com 4.198 votos, contra 2.065 do brigadeiro Eduardo Gomes.22 Armelim Guimarães registra que nas décadas de 1940 e 1950 nenhum partido mobilizou tanto a população da cidade quanto o PTB de Getúlio.23

Em julho de 1952, Getúlio enviou ao Congresso o projeto que incluiu o Instituto Eletrotécnico de Itajubá entre as escolas subvencionadas pelo governo federal, e sancionou a lei em 30 de dezembro daquele ano.24 Em Construtores de Itajubá, Armelim atribui a Getúlio a salvação da escola pela federalização, feita apesar de Theodomiro ter sido seu adversário. A lei de federalização, porém, é de 30 de janeiro de 1956, dois anos depois da morte de Getúlio, e foi sancionada por Nereu Ramos.325

Uma praça de Itajubá leva o nome de Getúlio Vargas: o antigo Largo das Cavalhadas, que já se chamou Largo dos Andradas e Praça Wenceslau Braz.326

  1. Biografia de Getúlio Vargas. Portal da Câmara dos Deputados. Disponível em https://www.camara.leg.br/noticias/47354-biografia-de-getulio-vargas/ ↩

  2. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 348. ↩ ↩2 ↩3

  3. Armelim Guimarães. Construtores de Itajubá. 1975, p. 72. ↩ ↩2 ↩3 ↩4

  4. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 276. ↩

  5. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 277. ↩

  6. Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 1930 sobre o fim da revolução. ↩

  7. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 491. ↩

  8. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 310. ↩

  9. Resumo Didático da História de Itajubá. 2000, p. 87. ↩

  10. Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbetes sobre José de Oliveira Marques e Jayme Wood. ↩

  11. Armelim Guimarães. Construtores de Itajubá. 1975, p. 34. ↩

  12. Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 1932 sobre a manifestação de solidariedade a Teodomiro Santiago. ↩

  13. Armelim Guimarães. Sinopse da História de Itajubá. 1966, p. 43. ↩

  14. Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 16 de julho de 1939. ↩

  15. Armelim Guimarães. Itajubá e Sua História (II Parte). 1999, p. 45 e 46. ↩ ↩2 ↩3

  16. Armelim Guimarães. Itajubá e Sua História (II Parte). 1999, p. 47. Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1972, p. 48. ↩

  17. Armelim Guimarães. Itajubá e Sua História (I Parte). 1998, legendas das fotos da visita de Getúlio Vargas. ↩

  18. Armelim Guimarães. Itajubá e Sua História (II Parte). 1999, p. 48. ↩

  19. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 181. ↩

  20. Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 1º de maio de 1941. ↩

  21. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 493. ↩

  22. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 322. ↩

  23. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 283. ↩

  24. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 395. ↩

  25. Memória de Itajubá e da Obra de Theodomiro: a Pedra e a Fonte. 1999, p. IV. ↩

  26. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 111 e 122. ↩

No acervo fotográfico

14 fotografias do acervo da História de Itajubá , em ordem de data; aqui as 12 primeiras.

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