UNIFEI
A Universidade Federal de Itajubá (UNIFEI) nasceu como Instituto Eletrotécnico e Mecânico de Itajubá (IEMI), fundado por Theodomiro Carneiro Santiago e inaugurado em 23 de novembro de 1913. Com ele começou o ensino superior na cidade. Chamou-se depois Instituto Eletrotécnico de Itajubá (IEI), foi federalizado em 1956 como Escola Federal de Engenharia de Itajubá (EFEI) e virou universidade em 2002.123
A ideia
Seção intitulada “A ideia”Theodomiro Santiago dirigia o Ginásio de Itajubá e defendia um ensino de engenharia apoiado na prática de oficina e laboratório, contra a formação teórica das escolas brasileiras.45 As duas fontes contam de modo diferente o começo. A História de Itajubá diz que em 15 de junho de 1912 ele inaugurou um Curso de Eletricidade anexo ao ginásio e, animado, decidiu criar uma escola superior e partiu para a Europa com recursos do pai, o coronel João Carneiro Santiago Júnior.1 A Memória de Itajubá diz que ele viajou em maio de 1912, à Europa e aos Estados Unidos, e que foi durante a viagem, em 15 de junho, que se formalizou a fundação do instituto, vinculado ao ginásio; ele voltou em novembro de 1912.5
Na Bélgica, orientado por Omer Beyeuse, fundador da Universidade do Trabalho de Charleroi, contratou os primeiros professores: Armand Bertholet, da Universidade de Liège, e Arthur Tolbecq e Victor van Helleputte, de Charleroi. Na Suíça comprou laboratórios e equipamentos.45 A História de Itajubá acrescenta aos fundadores estrangeiros o suíço Arthur Spirgi, o francês Pierre François Objois e o suíço Fritz Hoffmann, e considera fundadores também os brasileiros José Procópio Fernandes Monteiro e Mário Albergaria Santos.4 A Memória dá Spirgi, Objois e Hoffmann entre os seis professores de 1917, e Procópio e Albergaria como os primeiros brasileiros a ensinar ali, admitidos naquele ano.6
A inauguração
Seção intitulada “A inauguração”Theodomiro comprou o prédio do início da Rua Coronel Rennó, no alto da Matriz, na esquina com a Rua Dr. José Sanches, e instalou nele as salas e a secretaria.4 As aulas começaram em 1º de março de 1913, segundo a História de Itajubá, ou em 16 de março, segundo a Memória, que explica que naquele ano funcionou o curso preparatório para os dezesseis alunos da primeira turma efetiva, de 1914.45 A direção era formada por Theodomiro, pelo vice-diretor Olyntho Carneiro Villela e pelo secretário Jorge Tibiriçá de Boucherville.5
A inauguração oficial, em 23 de novembro de 1913, reuniu o presidente da República, marechal Hermes da Fonseca, o vice-presidente Wenceslau Braz, o general Pinheiro Machado, Sabino Barroso, os ministros Rivadávia Correa e Barbosa Gonçalves e Paulo de Frontin, diretor da Estrada de Ferro Central do Brasil e da Escola Politécnica do Rio de Janeiro.47 Quando o aluno Bernardino José da Costa Filho discursou repetindo a crítica de Theodomiro ao ensino teórico, Frontin protestou; Theodomiro respondeu no mesmo tom, e a discussão, com apartes dos dois lados, levou Hermes da Fonseca a suspender a sessão. Frontin voltou ao Rio num trem especial.42 A Gazeta de Notícias e o Jornal do Comércio, do Rio, publicaram o episódio, e o jornal saiu em defesa do novo método.5
A Memória de Itajubá chama o instituto de primeira escola de eletricidade da América Latina; a revista Le Brésil Économique, de setembro de 1913, a apresentava como a primeira escola teórica e prática de eletricidade e mecânica fundada no Brasil.85
Oficialização e crise
Seção intitulada “Oficialização e crise”A primeira turma, de 16 engenheiros, formou-se em 16 de julho de 1917, e o Artigo 9º da Lei nº 3.232, de 5 de janeiro daquele ano, oficializou o instituto.29 Em 7 de novembro de 1932 instalou-se o curso de Radiotelegrafia, do professor João Luís Carneiro Rennó.2
As fontes datam de modo diferente a equiparação à Escola Politécnica. A Memória registra em 1936 a mudança do nome para Instituto Eletrotécnico de Itajubá e a equiparação, e em 1938 o decreto que deu ao IEI as regalias de Instituto Livre de Ensino Superior.6 A História de Itajubá põe as duas coisas no decreto-lei de fevereiro de 1938, e acrescenta um decreto de 25 de janeiro daquele ano que concedeu ao IEI a fiscalização permanente.2
Theodomiro morreu em 1936, e José Rodrigues Seabra, o primeiro aluno que virou professor, assumiu a direção.26 A morte do fundador e o corte de subsídios trouxeram uma crise financeira longa. A escola chegou a estar em vias de ser transferida para Campinas por interessados em trocar o acervo pelo pagamento de dívidas, e em 1942 formou apenas dois engenheiros.6 Em 1945, quando a sobrevivência mais perigava, Vidal Dias e João Braz Pereira Gomes a compraram do espólio de Theodomiro pela Companhia Industrial Sul-Mineira.9 Em 24 de maio de 1947 o IEI virou a Fundação Instituto Eletrotécnico de Itajubá, que assumiu o passivo e fez a campanha de reerguimento com capital da Companhia Sul-Mineira de Eletricidade e da Companhia Industrial Sul-Mineira.26 No conselho estavam, além de Vidal Dias e João Braz, os professores José Rodrigues Seabra, Antônio Rodrigues d’Oliveira, Luiz Goulart de Azevedo e Vicente Sanches.6
A escola federal
Seção intitulada “A escola federal”Em 30 de janeiro de 1956, a Lei nº 2.721 federalizou o instituto com o nome de Escola Federal de Engenharia de Itajubá, que só o Decreto nº 62.567, de 16 de abril de 1968, oficializou. A federalização acabou com a crise e subordinou a escola à Diretoria do Ensino Superior do Ministério da Educação.29 Em 23 de novembro de 1960 instalou-se a Fundação Teodomiro Santiago, que em 23 de julho de 1963 incorporou os bens da Fundação Instituto Eletrotécnico, extinta.9
O curso durava três anos no começo, depois quatro, e em 1985 cinco.2 Em 4 de abril de 1963 oficializou-se a divisão em Engenharia Elétrica e Engenharia Mecânica, com as primeiras turmas formadas em 22 de fevereiro e 1º de março de 1969.9 O Decreto nº 70.686, de 7 de junho de 1972, fez da EFEI uma autarquia de regime especial, e desde 1972 ela funciona no Campus Universitário Dr. José Rodrigues Seabra.9 A Lei nº 10.435, de 2002, transformou a EFEI em Universidade Federal de Itajubá.3
A História de Itajubá lista como diretores, até 1985, Theodomiro Carneiro Santiago, José Rodrigues Seabra, Antônio Rodrigues de Oliveira, João Luís Carneiro Rennó, Pedro Mendes dos Santos (quatro vezes), Fredmarck Gonçalves Leão (duas vezes), Zulcy de Sousa e José Abel Royo dos Santos.9
O prédio antigo
Seção intitulada “O prédio antigo”O prédio do centro, onde aconteceu o incidente com Frontin, é conservado pela escola como patrimônio. Na sala do episódio funciona o Museu Teodomiro Santiago, e noutra dependência estão os restos mortais do fundador, trazidos do Cemitério de São João Batista, no Rio de Janeiro, em 21 de junho de 1964, por iniciativa do Rotary Club.10 O acervo do Projeto Reminiscências Fotográficas e o livro Memória de Itajubá guardam fotografias do prédio, das salas de aula, das oficinas, dos primeiros professores e da primeira turma.
Os estudantes fundaram em 23 de novembro de 1935 a Associação Acadêmica, depois Diretório Acadêmico, e tinham o jornal O Dínamo e a Rádio Universitária.10
Ver também
Seção intitulada “Ver também”Footnotes
Seção intitulada “Footnotes”-
Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 395. ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5 ↩6 ↩7 ↩8 ↩9
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História. Universidade Federal de Itajubá (UNIFEI). Acesso em junho de 2026. ↩ ↩2
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Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 394. ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5 ↩6 ↩7
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Memória de Itajubá e da Obra de Theodomiro: a Pedra e a Fonte. 1999, texto sobre as origens e a inauguração do Instituto Eletrotécnico e Mecânico. ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5 ↩6 ↩7
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Memória de Itajubá e da Obra de Theodomiro: a Pedra e a Fonte. 1999, texto sobre os professores e a crise do Instituto. ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5 ↩6
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Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 23 de novembro de 1913. ↩
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Memória de Itajubá e da Obra de Theodomiro: a Pedra e a Fonte. 1999, texto sobre a indústria em Itajubá. ↩
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Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 396. ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5 ↩6 ↩7
No acervo fotográfico
25 fotografias do acervo da História de Itajubá , em ordem de data; aqui as 12 primeiras.
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Salas de aula, laboratórios e aparelhos que equipavam o Instituto Eletrotécnico e Mecânico de ItajubáDécada de 1910 -
Inauguração do Instituto Eletrotécnico e Mecânico de Itajubá, em 23 de novembro de 19131913 -
Saída do Marechal Hermes da Fonseca, Presidente da República; do Vice-Presidente Dr. Wenceslau Braz; de Pinheiro Machado, Vice-Presidente do Senado Federal; do General Luiz Barbedo23/11/1913 -
Alunos da Efei em sala de aula1914 -
Alunos do 1º e 2º ano do Instituto Eletrotécnico1914 -
Aula do professor Armand Bertholet1914 -
Corpo docente do Instituto Eletrotécnico e Mecânico de Itajubá1914 -
Docentes do Instituto Electotécnico e Mecânico de Itajubá1914 -
Memória de Itajubá e da Obra de Theodomiro, "a Pedra e a Fonte" (1999), página 441914 -
Oficina de madeira do Instituto Eletrotécnico1914 -
Prédio do Instituto Eletrotécnico e Mecânico, visto da Igreja Matriz1914 -
Professor Arthur Tolbecq em sala de aula no gabinete de física1914