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Avenida Coronel Carneiro Júnior

A Avenida Coronel Carneiro Júnior liga a antiga estação ferroviária de Itajubá à Praça Wenceslau Brás e é conhecida desde o século XIX como Rua Nova. A rua virou centro comercial da cidade, e o apelido continua em uso.12

Nos primeiros tempos da vila, um caminho chamado Estrada do Morro do Padre ia do Largo das Cavalhadas, atual Praça Getúlio Vargas, até a casa do Padre Lourenço da Costa Moreira, ao pé do morro da Boa Vista. Aberta e alinhada mais tarde, a rua que chegava ao morro de São Benedito ganhou o nome de Rua Nova.3

A estrada de ferro deu à rua sua função. Em 25 de setembro de 1891, dia da inauguração do tráfego até Itajubá, a estação e a Rua Nova estavam enfeitadas e embandeiradas “até à entrada da cidade”; a Câmara deu à rua, naquela ocasião, o nome de Rua Cesário Alvim, em homenagem ao presidente do estado que veio à festa. Mais tarde o nome passou para a praça central.45 O coronel João Carneiro Santiago Júnior, presidente da Intendência Municipal, mandou por edital que os moradores caiassem e iluminassem as casas para a festa.6

O primeiro prédio construído na rua recém-aberta foi a cadeia pública, de 1898, na esquina com a atual Rua Francisco Masselli.78 Na mesma rua, no antigo salão do Júri, o presidente de Minas João Pinheiro abriu em 1907 o Congresso das Municipalidades, que reuniu centenas de pessoas.9 O prédio da cadeia foi demolido; no terreno funcionou a Caixa Econômica do Estado de Minas Gerais e, depois dela, uma grande loja.8

Em 1915, a via já se chamava Rua Coronel Carneiro Júnior, em homenagem ao chefe político do município, e começava na praça da Estação para terminar na Praça Capitão Gomes, hoje Wenceslau Brás.1 O homenageado, João Carneiro Santiago Júnior, foi fazendeiro, várias vezes agente executivo de Itajubá, construtor do primeiro Mercado Municipal e um dos realizadores da Companhia Industrial Sul-Mineira.10 Presidiu o diretório do Partido Republicano Mineiro na cidade, foi o primeiro provedor da Santa Casa e era pai de Theodomiro Carneiro Santiago e sogro de Wenceslau Braz. Morreu em 10 de março de 1931.111213

As fontes consultadas não registram o ano em que a Câmara deu o nome do coronel à rua.

Uma foto de 1915 mostra a avenida arborizada. Segundo a legenda do livro de 1999, o traçado e as árvores copiavam uma rua de Quebec, no Canadá. Na mesma foto aparecem os carros de aluguel puxados a cavalo e o estafeta Olímpio Ribeiro da Silva, que levava as malas do correio entre a estação e a agência.14 Uma reurbanização mudou a avenida antes de 1934, e em meados do século XX as árvores e os canteiros já tinham desaparecido.1415

A Rua Nova e a antiga Rua do Esgoto, hoje Rua Dr. João de Azevedo, terminavam no morro de São Benedito. O engenheiro Fritz Hoffmann desmontou o morro com jatos de água do ribeirão José Pereira e usou a terra para aterrar a várzea onde depois cresceu o bairro do Morro Chic.1617

Na década de 1910, a firma Carvalho, Dias & Cia. mantinha uma grande serraria na esquina da avenida com a Praça Pereira dos Santos, e o atacadista Maurício Kaisermann tinha ali a Casa Confiança.1819 No começo da avenida, o comerciante português José Carlos da Silva Braga, o Zequinha Braga, morava no andar de cima do prédio em que tinha seu armazém de secos e molhados.20 Francisco Nisticó instalou num prédio da avenida uma fábrica de massas alimentícias, que passou a Ângelo Marzullo e depois a Pompílio Ferrini.21

Em 1928, Ítalo Mandolesi abriu na avenida uma oficina mecânica que cresceu até reunir loja de peças e revenda da Chevrolet, serralheria e, a partir de 1955, um posto de combustível.22 A Associação Comercial de Itajubá inaugurou sua sede na avenida em 8 de dezembro de 1930, com planta de Eduardo Piquet.23 A Companhia Força e Luz ergueu ali o prédio inaugurado em 29 de junho de 1930, que depois passou à CEMIG, e os Correios e Telégrafos abriram a agência definitiva da cidade em 11 de setembro de 1948.2425

Em 19 de abril de 1951, um incêndio destruiu a loja da firma Ferreira Lopes & Cia. e atingiu as Casas Pernambucanas, no prédio vizinho.26 Em 1982, o prefeito Pedro Mendes dos Santos inaugurou numa sala da avenida o Museu Venceslau Brás.27

A avenida fica na parte baixa da cidade, e as cheias do Rio Sapucaí a alcançaram muitas vezes. As fotografias da Câmara registram a água a cerca de 40 centímetros do chão em 1938 e a 80 centímetros em janeiro de 1957.2829 O acervo guarda também imagens da Rua Nova alagada em 1945, dos funcionários da CEMIG trabalhando numa enchente em 1958 e da cheia de 2000.

  1. O Município de Itajubá. 1915, texto reproduzido em Memória de Itajubá e da Obra de Theodomiro: a Pedra e a Fonte. 1999. ↩ ↩2

  2. Armelim Guimarães. Itajubá e Sua História (II Parte). 1999, p. 30. Câmara Municipal de Itajubá, Projeto Reminiscências Fotográficas, legenda da foto da avenida na década de 1950. ↩

  3. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 123. ↩

  4. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 212 e 213. ↩

  5. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 214. ↩

  6. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 212. Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 3 de setembro de 1891. ↩

  7. Armelim Guimarães. Itajubá e Sua História (I Parte). 1998, legendas das fotos da Rua Nova e da Cadeia. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 368. ↩

  8. Armelim Guimarães. Itajubá e Sua História (II Parte). 1999, p. 30. ↩ ↩2

  9. O Município de Itajubá. 1915, p. 64. ↩

  10. Armelim Guimarães. Construtores de Itajubá. 1975, p. 10. ↩

  11. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 275 e 276. ↩

  12. Resumo Didático da História de Itajubá. 2000, p. 63. ↩

  13. Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1972, p. 17. ↩

  14. Memória de Itajubá e da Obra de Theodomiro: a Pedra e a Fonte. 1999, legenda da foto 5. ↩ ↩2

  15. Armelim Guimarães. Itajubá e Sua História (I Parte). 1998, legenda da foto da avenida em meados do século XX. ↩

  16. Memória de Itajubá e da Obra de Theodomiro: a Pedra e a Fonte. 1999, legenda do levantamento topográfico do aluno Bernardino Costa Campos. ↩

  17. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, apêndice sobre obras públicas, verbete “Desmonte”. ↩

  18. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 344. ↩

  19. Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 1950 sobre a morte de Maurício Kaisermann. ↩

  20. Armelim Guimarães. Itajubá e Sua História (II Parte). 1999, p. 84. ↩

  21. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 345. ↩

  22. Câmara Municipal de Itajubá, Projeto Reminiscências Fotográficas, legenda da foto do prédio dos Irmãos Mandolesi. ↩

  23. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 245. ↩

  24. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 481. ↩

  25. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 453. ↩

  26. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 596. ↩

  27. Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 1982 sobre a inauguração do Museu Venceslau Brás. ↩

  28. Câmara Municipal de Itajubá, Projeto Reminiscências Fotográficas, legenda da foto da enchente de 1938. ↩

  29. Câmara Municipal de Itajubá, Projeto Reminiscências Fotográficas, legenda da foto da enchente de 1957. ↩

No acervo fotográfico

34 fotografias do acervo da História de Itajubá , em ordem de data; aqui as 12 primeiras.

Ver as 34 fotografias →