Praça Pereira dos Santos
A Praça Pereira dos Santos, conhecida como Praça do Soldado, fica no centro de Itajubá, no antigo largo da estação ferroviária de 1893. O terreno foi o curral da fazenda da Água Preta, virou Largo da Estação com a chegada do trem e recebeu em 1905 o nome do advogado e deputado José Pereira dos Santos, autor do projeto que criou a Comarca de Itajubá.1234
O curral da Água Preta
Seção intitulada “O curral da Água Preta”Antes de existir a cidade, o terreno da praça era o mangueirão da fazenda da Água Preta. A casa-grande ficava colada ao morro da Boa Vista, no começo da viela que levava ao bairro, hoje Rua Miguel Braga. Quando o Padre Lourenço da Costa Moreira chegou para fundar o povoado, os fazendeiros lhe cederam um cômodo nessa casa. Anos depois ele a comprou, e nela morreu em 14 de junho de 1855.51
A casa serviu depois de Hotel da Estação e, no fim do século XIX, pertenceu a José Manuel Pereira, pai do prefeito Antônio Rennó Pereira, o Tota Rennó. Ameaçando desabar, foi demolida entre as décadas de 1930 e 1940, e no lugar se ergueram pequenas lojas.61
O Largo da Estação
Seção intitulada “O Largo da Estação”O trem chegou a Itajubá em 25 de setembro de 1891 e parou num barracão de tábuas perto da atual Vila Rubens. Depois dos protestos e de um abaixo-assinado dos moradores, a estrada de ferro construiu a estação definitiva no largo, e a inaugurou em 22 de janeiro de 1893. A história dela está em Estação Ferroviária.78 Em novembro de 1891, A Verdade noticiou o desaterro em frente à estação e o nivelamento de uma rua nova, a atual Rua Eugênio Sales. O engenheiro Fritz Hoffmann terminou o serviço no século XX com jatos de água do ribeirão José Pereira, que derrubaram o morro de São Benedito.9
O pintor Luís Teixeira pintou a estação e o largo e, para a praça não ficar vazia, pôs na cena o comerciante e jornalista Fructuoso Ramos de Lima, o contador Justino Paulistano de Olivas e D. Maria Teixeira, sua parenta.86
Na década de 1900, o imigrante italiano Pedro Piazzaroli tinha na praça loja e armazém.10 À beira da praça ficava o pavilhão das máquinas de beneficiar café e arroz do coronel João Carneiro Santiago Júnior, geridas pelo filho Bráulio Carneiro Santiago, que morava na casa ao lado. A casa ainda existia em 1999; o muro e o portão entre ela e o pavilhão foram derrubados para abrir a Rua Major Bello.1112
Em 1905 a Câmara aprovou dois projetos do vereador Luiz Dalle Afflalo que mudaram nomes de ruas e praças. O primeiro deu à Rua da Estação o nome de Rua Miguel Braga. O segundo, subscrito pelo vereador Cândido Pereira dos Santos, trocou Largo da Estação por Praça Doutor Pereira dos Santos e Rua do Porto Velho por Rua Dr. Américo de Oliveira, “à vista dos bons serviços prestados ao município”.2
José Pereira dos Santos era advogado. Como deputado provincial, levou à Assembleia, em Ouro Preto, o projeto de criação da Comarca de Itajubá e o defendeu contra o deputado Nominato José de Sousa Lima, que quase o derrubou; a lei é de 15 de julho de 1872.1314 Em 1880 fundou com José Manuel Pereira Cabral a Gazeta Comercial, segundo jornal da cidade, e presidiu a Câmara de 1884 a 1886, quando foi nomeado promotor da comarca.1516 A história da comarca está em Criação e História da Comarca.
Jardim, carros e monumentos
Seção intitulada “Jardim, carros e monumentos”Fotografias antigas mostram o jardim da praça com álamos altos, buritis e outras árvores ornamentais.3 Um regulamento municipal de veículos da Primeira República fixou três pontos para os carros de praça, e a Praça Dr. Pereira dos Santos era um deles.17 Em 1915, um projeto de vereadores previa abrir uma avenida pela margem do Sapucaí até as proximidades da praça.18
A praça recebeu dois monumentos trazidos de outros lugares. A herma de José Manso Pereira Cabral, inaugurada em 1925 na Praça Teodomiro Santiago, veio para cá na reforma daquele jardim.19 O monumento do Expedicionário Itajubense, inaugurado em 16 de dezembro de 1957 na Praça Adolfo Olinto, com nomes de pracinhas da FEB gravados no bronze, já estava na Praça Pereira dos Santos em 1966.2021 As legendas do acervo da Câmara chamam o lugar de Praça do Soldado.4
Mudanças
Seção intitulada “Mudanças”O prédio da estação de 1893 ainda existia em 1985. O prefeito Rosemburgo Romano o demoliu.722 Na esquina com a Rua Eugênio Sales, a casa comercial Brasil-Itália foi derrubada, e no lugar se instalou um posto de gasolina.23 Perto da praça fica o Posto Esso tombado como patrimônio, que o acervo da Câmara descreve como o menor posto de gasolina do mundo.24
Ver também
Seção intitulada “Ver também”- Estação Ferroviária
- Padre Lourenço da Costa Moreira
- Avenida Coronel Carneiro Júnior
- Bairro Boa Vista
Footnotes
Seção intitulada “Footnotes”-
Armelim Guimarães. Itajubá e Sua História (II Parte). 1999, p. 16. ↩ ↩2 ↩3
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Memorial da Câmara Municipal de Itajubá: Desenvolvimento Urbano (1892–1930). Itajubá, 2012, capítulo sobre a memória nos nomes das ruas. ↩ ↩2
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Armelim Guimarães. Itajubá e Sua História (II Parte). 1999, p. 31. ↩ ↩2
-
Câmara Municipal de Itajubá. Projeto Reminiscências Fotográficas, legendas das fotos da Praça do Soldado na década de 1950. ↩ ↩2
-
Resumo Didático da História de Itajubá. 2000, p. 20. ↩
-
Memória de Itajubá e da Obra de Theodomiro: a Pedra e a Fonte. 1999, p. VIII, legenda das pinturas de Luiz Teixeira. ↩ ↩2
-
Armelim Guimarães. Itajubá e Sua História (II Parte). 1999, p. 103. ↩ ↩2
-
Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 594. ↩
-
Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete sobre a morte de Pedro Piazzaroli. ↩
-
Armelim Guimarães. Itajubá e Sua História (I Parte). 1998, legenda da foto da Praça Pereira dos Santos no início do século XX. ↩
-
Armelim Guimarães. Itajubá e Sua História (II Parte). 1999, p. 33. ↩
-
Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 362. Resumo Didático da História de Itajubá. 2000, p. 52. ↩
-
Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1972, p. 48. ↩
-
Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 406. ↩
-
O Município de Itajubá. 1915, p. 46. ↩
-
Memorial da Câmara Municipal de Itajubá: Desenvolvimento Urbano (1892–1930). Itajubá, 2012, anexo com o regulamento dos veículos. ↩
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Memorial da Câmara Municipal de Itajubá: Desenvolvimento Urbano (1892–1930). Itajubá, 2012, anexo 5, projeto de desapropriação dos terrenos de Paulo Chiaradia. ↩
-
Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 588. ↩
-
Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 495. ↩
-
Armelim Guimarães. Sinopse da História de Itajubá. 1966, p. 47. ↩
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Armelim Guimarães. Itajubá e Sua História (I Parte). 1998, legenda da foto da antiga estação da Praça Pereira dos Santos. ↩
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Armelim Guimarães. Itajubá e Sua História (II Parte). 1999, p. 35. ↩
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Câmara Municipal de Itajubá. Projeto Reminiscências Fotográficas, legenda da foto do Posto Esso. ↩
No acervo fotográfico
16 fotografias do acervo da História de Itajubá , em ordem de data; aqui as 12 primeiras.
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Pintura da antiga estação ferroviária na praça Pereira dos Santos por Luiz TeixeiraDécada de 1890 -
Primitiva estação ferroviária na praça Pereira dos Santos1893 -
Casa das Máquinas de beneficiar café do Cel. Carneiro JúniorDécada de 1910 -
Jardim da Praça Pereira dos Santos1912 a 1922 -
Estação da Rede Ferroviária Sul-Mineira1914 -
Máquina de beneficiar café - Propriedade do coronel João Carneiro Santiago Junior1914 -
Serraria e Carpintaria do Carvalho, Dias & Companhia1914 -
Praça Pereira dos SantosDécada de 1920 -
Casa em que residiu e morreu o Padre Lourenço.Década de 1930 -
Menor posto de gasolina do mundo localizado em Itajubá1945 a 1965 -
Carros estacionados na Praça do SoldadoDécada de 1950 -
Praça do Soldado - década de 1950Década de 1950