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Bairro Boa Vista

O Bairro Boa Vista é o bairro de Itajubá que cresceu em volta da Fábrica de Tecidos Codorna, entre o morro da Boa Vista e a ponte da Rua Dona Maria Carneiro sobre o Rio Sapucaí. A estrada de ferro atravessava o bairro, e a igreja de São José, erguida ali entre 1940 e 1942, virou matriz de paróquia em 1958.12

Boa Vista foi o primeiro nome de toda a região do vale, e o arraial fundado pelo Padre Lourenço da Costa Moreira em 1819 se chamou Boa Vista do Sapucaí. Com o tempo, só o bairro guardou o nome.3

Essa herança criou um engano que Armelim Guimarães combateu em mais de um livro: a crença de que a primeira missa da cidade foi celebrada no bairro. A missa aconteceu no outeiro da atual Igreja Matriz, terra da sesmaria de Francisco Alves; as terras do bairro pertenceram a outro sesmeiro, o capitão Inácio Valério Rodrigues. O autor explica a confusão por uma coincidência: São José foi o primeiro padroeiro do arraial de 1819 e é o padroeiro da igreja do bairro, cuja devoção começou mais de um século depois.453

Os itajubenses do século XIX chamavam o morro da Boa Vista de morro do Zequinha Pereira.6 O Padre Lourenço morou ao pé dele, num sobrado de oito janelas, no começo da viela que levava ao bairro e que hoje é a Rua Miguel Braga. Morreu ali em 14 de junho de 1855.78 Em 1905, a Câmara deu o nome de Miguel Braga à antiga Rua da Estação.9

Em 1918, José Rennó Pereira e Pedro Piazzaroli pagaram do próprio bolso uma torneira de água potável junto ao morro, aberta ao público, e a Câmara registrou em ata um voto de louvor aos dois.10 Do alto do morro o fotógrafo Pedro Rebello registrou a Fábrica Codorna na década de 1910, e do mesmo ponto saiu a vista da Vila Lúcia com a antiga ponte metálica.11

A estação da Rede Sul-Mineira abriu em 28 de setembro de 1891, e dela partia rumo ao centro a Rua Coronel Carneiro Júnior, larga e arborizada.12 A Companhia Industrial Sul-Mineira, fundada em 1908, inaugurou no bairro a Fábrica Codorna, a primeira fábrica de tecidos da cidade.13 A companhia construiu casas para os operários perto da fábrica. Na Rua Miguel Braga ficam dez casas conjugadas desse conjunto, que a legenda da Câmara registra como ainda existentes e reformadas.14 Os operários fundaram em 1925 o Clube Operário da Fábrica de Tecidos Codorna.15

A linha de ferro que seguia para Piranguinho cortava o bairro. Depois de desativado, o leito virou a Avenida Capitão Gomes.11 Outros empresários também escolheram o bairro: em 1917, Casimiro José Osório pediu à Câmara isenção de impostos para a fábrica de produtos suínos que acabara de abrir ali.16

A Rua Dona Maria Carneiro liga o bairro ao Rio Sapucaí. Em 1908, a firma Irmãos Almeida montou sobre o rio, sob a direção técnica de Jorge Marinelli, uma ponte metálica de arcos, que substituiu uma passadeira frágil conhecida como ponte D. Leocádia.17 Em 15 de julho de 1954, a ponte dobrou-se ao meio sob o peso de uma viatura. O 4º Batalhão de Engenharia de Combate montou uma ponte provisória de madeira, e na obra o soldado José Leopoldino Neto fraturou uma perna, que os médicos do Hospital Central do Exército tiveram de amputar.171819

A firma Carnot de Pádua Hermeto começou a ponte de concreto em 4 de novembro de 1957. Faltou verba e a obra parou por longo tempo; em 1960, moradores se reuniram no canteiro para cobrar a retomada.2021 A ponte nova foi inaugurada em 25 de setembro de 1960, no lugar da metálica, com empenho do deputado Euclides Cintra, e depois recebeu o nome de Tancredo Neves.2220 Por vários anos, os moradores atravessaram o rio fora dos automóveis pela “ponte de tambor”, que desapareceu depois da reforma da ponte principal.23

A rua concentrou o comércio e a diversão do bairro. Em frente à Codorna funcionava o Cine Paratodos. Álvaro Mandolesi abriu na mesma rua o Cine-Teatro Edna, em 10 de outubro de 1951, com o filme Se Eu Fora Rei.24 Em julho de 1956 a Companhia Industrial Sul-Mineira adaptou um prédio da rua para um mercado, que fechou pouco depois.25 O farmacêutico Eduardo Sales Paiva manteve ali a Farmácia Boa Vista por décadas.26

Os devotos de São José começaram a se reunir numa sala emprestada de um prédio da Rua Dona Maria Carneiro.3 Em 31 de janeiro de 1937, o bispo D. Otávio Chagas de Miranda benzeu a capela provisória, instalada num prédio em frente à fábrica, cedido por Fortunato Pereira, gerente da Codorna. O Padre Carlos Heijlen celebrou ali a primeira missa.2

A paróquia assinou a escritura do terreno do templo definitivo em 7 de novembro de 1938. O Cônego Delfim Ribeiro Guedes benzeu a pedra fundamental em 15 de setembro de 1940, e o engenheiro José Ernesto Coelho traçou a planta. A capela foi benta em 15 de março de 1942, ainda com a cúpula da torre por terminar.227 Os sinos elétricos chegaram em 1947, e em 20 de outubro de 1957 o organista Zbigniew H. Morozowicz inaugurou o órgão elétrico. Em 8 de dezembro de 1958 o templo passou a matriz da nova Paróquia de São José, e o Padre Generoso Siqueira de Carvalho tomou posse como primeiro vigário em 1º de fevereiro de 1959.228 Em 1998 a paróquia já aparecia com o nome de São José Operário.29

As Irmãs da Providência abriram no bairro o Externato Maria Imaculada, em 4 de abril de 1954.30

  1. Dermeval José Pimenta. História de Itajubá (1819–1969). 1969, capítulo sobre as indústrias. ↩

  2. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 578. ↩ ↩2 ↩3 ↩4

  3. Resumo Didático da História de Itajubá. 2000, p. 28. ↩ ↩2 ↩3

  4. Armelim Guimarães. Sinopse da História de Itajubá. 1966, p. 13 e 18. ↩

  5. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 66. ↩

  6. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 23. ↩

  7. Resumo Didático da História de Itajubá. 2000, p. 20. ↩

  8. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 106. Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 14 de junho de 1855. ↩

  9. Memorial da Câmara Municipal de Itajubá: Desenvolvimento Urbano (1892–1930). Itajubá, 2012, capítulo sobre a memória nos nomes das ruas. ↩

  10. Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 1918 sobre a torneira do morro da Boa Vista. ↩

  11. Armelim Guimarães. Itajubá e Sua História (II Parte). 1999, p. 52 e 77. ↩ ↩2

  12. O Município de Itajubá. 1915, texto reproduzido em Memória de Itajubá e da Obra de Theodomiro: a Pedra e a Fonte. 1999. ↩

  13. Dermeval José Pimenta. História de Itajubá (1819–1969). 1969, capítulo sobre as indústrias. ↩

  14. Câmara Municipal de Itajubá, Projeto Reminiscências Fotográficas, legenda da foto das casas de operários. ↩

  15. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 461. ↩

  16. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, capítulo sobre as indústrias, Ata da Câmara de 13 de janeiro de 1917. ↩

  17. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 202. ↩ ↩2

  18. Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbetes de 15 de julho de 1954 e da inauguração da ponte provisória. ↩

  19. Câmara Municipal de Itajubá, Projeto Reminiscências Fotográficas, legenda da vista aérea da ponte caída. ↩

  20. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 203. ↩ ↩2

  21. Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 1960 sobre a paralisação da ponte da Rua Maria Carneiro. ↩

  22. Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1972, p. 65. Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 25 de setembro de 1960. ↩

  23. Câmara Municipal de Itajubá, Projeto Reminiscências Fotográficas, legenda da foto da ponte de tambor. ↩

  24. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 439. ↩

  25. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 236. ↩

  26. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 529. ↩

  27. Câmara Municipal de Itajubá, Projeto Reminiscências Fotográficas, legenda da vista dos bairros da Boa Vista e Morro Chic. ↩

  28. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 557. ↩

  29. Armelim Guimarães. Itajubá e Sua História (I Parte). 1998, legenda da foto da Matriz de Nossa Senhora da Soledade. ↩

  30. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 381. ↩

No acervo fotográfico

11 fotografias do acervo da História de Itajubá , em ordem de data.

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