Theodomiro Carneiro Santiago
Theodomiro Carneiro Santiago foi o advogado e educador itajubense que fundou em 1913 o Instituto Eletrotécnico e Mecânico de Itajubá, origem da UNIFEI. Nasceu em 1882, morreu em 1936 e aparece nos livros também como Teodomiro. Foi secretário das Finanças de Minas Gerais, deputado federal e um dos políticos mineiros que Getúlio Vargas mandou para o exílio em 1932.12
Família e formação
Seção intitulada “Família e formação”Theodomiro nasceu na fazenda do Sabará, propriedade do pai, então no município de Itajubá. Os livros davam a data de 30 de novembro de 1881, e a Câmara chegou a escolher esse dia para o Dia da Instrução, em 1948. Armelim Guimarães corrigiu o erro com o registro de batismo, no livro 6 da Matriz de Nossa Senhora da Soledade: Theodomiro nasceu em 1º de dezembro de 1882.34
Era filho do coronel João Carneiro Santiago Júnior, chefe político e agente executivo do município, e de D. Lucinda Pereira Guimarães Santiago. O avô paterno, o comendador João Carneiro Santiago, foi o primeiro agente executivo de Itajubá.15 A irmã Maria Carneiro casou-se em 1892 com Wenceslau Braz, que assim se tornou cunhado de Theodomiro.6 Ele passou a infância e a adolescência na casa do pai, na Praça Adolfo Olinto, esquina com a Rua Silvestre Ferraz.7
Estudou em Itajubá no Atheneu Itajubense, da professora Rita de Andrade.8 Cursou até o 3º ano do ginásio em Barbacena, concluiu os preparatórios em Belo Horizonte em 1901 e formou-se na Faculdade de Direito de São Paulo em 1906.1
O Ginásio de Itajubá
Seção intitulada “O Ginásio de Itajubá”De volta à cidade, Theodomiro assumiu em 1906 a direção do Ginásio de Itajubá, fundado dois anos antes por Belarmino de Menezes, que morrera naquele ano. Levou para o colégio as aulas de música do maestro Francisco Nisticó, que formou uma banda com os alunos.9 Em 1910 dirigia o Ginásio com o vice-diretor Olinto Carneiro Vilela e o secretário Jorge Tibiriçá de Boucherville.10 O governo federal equiparou o Ginásio ao Ginásio Nacional em 10 de setembro de 1906, segundo a História de Itajubá; as Efemérides de 1988 dão o ano de 1908.1011
Na política de Minas
Seção intitulada “Na política de Minas”Theodomiro foi secretário particular de Wenceslau Braz quando o cunhado governava Minas Gerais. No quadriênio de 1914 a 1918, Delfim Moreira o chamou para a Secretaria das Finanças do estado.2 Ao deixar o cargo, em 1918, foi recebido por uma multidão na estação ferroviária de Itajubá.12 Elegeu-se deputado federal mais de uma vez.1
O Instituto Eletrotécnico e Mecânico
Seção intitulada “O Instituto Eletrotécnico e Mecânico”Theodomiro queria criar em Itajubá uma escola superior de eletricidade e mecânica, e o pai financiou a viagem de estudos. Ele embarcou no Rio de Janeiro em 21 de maio de 1912, no vapor Araguaia, e visitou escolas na Itália, na Inglaterra, na França, na Suíça e nos Estados Unidos.131415 Enquanto viajava, em 15 de junho de 1912, o Ginásio formalizou a criação do curso de eletricidade que deu origem ao Instituto.131615
Na Bélgica, orientado por Omer Beyeuse, fundador da Universidade do Trabalho de Charleroi, contratou os professores Armand Bertholet, da Universidade de Liège, e Arthur Tolbecq e Victor van Helleputte, de Charleroi. Na Suíça comprou os laboratórios.15 Depois vieram os suíços Fritz Hoffmann e Arthur Spirgi e o francês Pierre François Objois.17 Quando Theodomiro voltou, em 19 de novembro de 1912, comissões foram esperá-lo em Maria da Fé e em Cristina, e três bandas tocaram na chegada a Itajubá.1815
Theodomiro comprou o prédio do início da Rua Coronel Rennó, antiga casa do coronel Antônio José Rennó, e instalou ali as salas de aula e a secretaria. As aulas começaram em março de 1913.1715 O curso seguia a ideia que o fundador defendia: pouca teoria e muita oficina. Um jornalista de Belo Horizonte resumiu em 1912 que o aluno do Instituto vestiria “uma modesta blusa de trabalho” e passaria mais tempo no laboratório do que na carteira.15
A inauguração e Paulo de Frontin
Seção intitulada “A inauguração e Paulo de Frontin”O presidente da República, Hermes da Fonseca, abriu a sessão de inauguração em 23 de novembro de 1913, acompanhado do vice-presidente Wenceslau Braz, do senador Pinheiro Machado e de ministros. Na plateia estava o engenheiro Paulo de Frontin, diretor da Estrada de Ferro Central do Brasil e da Escola Politécnica do Rio de Janeiro.1715
Theodomiro falou por meia hora contra o “bacharelismo” das faculdades brasileiras. Quando o aluno Bernardino José da Costa Filho repetiu a crítica em seu discurso, Frontin gritou “Não apoiado!”, pediu a palavra e protestou contra o que considerou insinuações ao ensino de engenharia do país. Theodomiro respondeu no mesmo tom, os dois trocaram apartes aos gritos e Hermes da Fonseca suspendeu a sessão. Frontin e seus engenheiros tomaram um trem especial de volta ao Rio.1715 Os jornais do Rio, de São Paulo e de Minas noticiaram a briga, e o Jornal do Commercio defendeu em editorial o ensino prático de Itajubá.15 Alunos da Faculdade de Direito do Rio mandaram a Theodomiro um telegrama de deboche, saudando o “ninho de águias práticas”; os estudantes do Instituto gostaram da brincadeira e imprimiram cartões de visita com ela.19
A Lei nº 3.232, de 5 de janeiro de 1917, oficializou o Instituto, e a primeira turma de 16 engenheiros formou-se naquele ano.2021 Theodomiro dirigiu a escola até morrer.20
Oposição a Getúlio Vargas e exílio
Seção intitulada “Oposição a Getúlio Vargas e exílio”Em 1929, a convenção do Partido Republicano Mineiro elegeu Theodomiro para sua Comissão Executiva, e em 1930 o partido o lançou candidato a deputado federal.22 Em 28 de março de 1931 ele presidiu a fundação do Núcleo Legionário de Itajubá, e em 1º de abril de 1932 reuniu em sua casa os chefes políticos da cidade para discutir um telegrama de Wenceslau Braz e Artur Bernardes.2324
Em 1932 apoiou a revolução paulista contra Getúlio Vargas. Com a derrota, o governo o exilou em Portugal.16 No mesmo ano, Getúlio anulou a venda do Morro de Santo Antônio, no Rio de Janeiro, à prefeitura carioca. A Companhia Santa Fé, presidida por Theodomiro, tinha aplainado o morro, e a anulação o deixou em grave situação financeira; os itajubenses fizeram uma manifestação de solidariedade.25 Theodomiro chegou de volta ao Rio em 9 de março de 1933, a bordo do Cap Arcona, e Itajubá o recebeu com bandas e fogos.26 Nas eleições de constituintes de 1934, os eleitores da cidade votaram em Theodomiro e em José Rodrigues Seabra.27 Depois do exílio, dirigiu o Banco Mineiro do Café.1
Theodomiro casou-se com Maria Josefina Guatimosim, a Dona Mary, filha do marechal Henrique Guatimosim Ferreira da Silva, na Basílica de Nossa Senhora Aparecida. O casal teve três filhos.28 Ele morreu no Rio de Janeiro em 25 de outubro de 1936 e foi sepultado no cemitério de São João Batista.29
A escola depois do fundador
Seção intitulada “A escola depois do fundador”A morte de Theodomiro e o corte de subsídios levaram a escola a uma crise que quase a transferiu para Campinas; em 1942 só dois engenheiros se formaram.19 José Rodrigues Seabra assumiu a direção.20 Em 1945, dois ex-alunos, Vidal Dias e João Brás Pereira Gomes, compraram a escola do espólio de Theodomiro pela Companhia Industrial Sul-Mineira e a salvaram do fechamento. A escola foi federalizada em 1956, e em 23 de novembro de 1960, numa solenidade no Cine Presidente, nasceu a Fundação Theodomiro Santiago.2119
Homenagens
Seção intitulada “Homenagens”Em julho de 1917, a Câmara deu o nome de Praça Dr. Theodomiro Santiago a uma praça situada abaixo da Rua Barão do Rio Branco, entre as ruas Comendador Schumann e Major Pereira, e registrou um voto de louvor pelos serviços dele na impressão do álbum O Município de Itajubá e na codificação das leis municipais.30 A antiga Praça Cesário Alvim recebeu em 1951 uma herma de Theodomiro e, em 1963, o nome de Praça Teodomiro Santiago.3132 Os restos mortais dele voltaram a Itajubá em 1964, por iniciativa do Rotary Club, e repousam numa urna de mármore no antigo prédio do Instituto.33
A faixa do brasão de Itajubá traz uma frase de Theodomiro: “Revelemo-nos mais por atos que por palavras”.34 Armelim Guimarães o chamou de “o maior de todos os itajubenses”.35
Ver também
Seção intitulada “Ver também”Footnotes
Seção intitulada “Footnotes”-
Armelim Guimarães. Construtores de Itajubá. 1975, p. 34. ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5 ↩6
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O Município de Itajubá. 1915, homenagem ao Dr. Theodomiro Santiago nas páginas iniciais. ↩ ↩2
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Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 1º de dezembro de 1882. A data de 30 de novembro de 1881 aparece em Construtores de Itajubá. 1975, p. 34, e em Sinopse da História de Itajubá. 1966, p. 66. ↩
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Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 379. ↩
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Resumo Didático da História de Itajubá. 2000, p. 34. ↩
-
Memória de Itajubá e da Obra de Theodomiro: a Pedra e a Fonte. 1999, p. II. ↩ ↩2
-
Armelim Guimarães. Itajubá e Sua História (I Parte). 1998, legenda da foto da casa do Cel. João Carneiro Santiago Júnior. ↩
-
Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 376. ↩
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Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 420. ↩
-
Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 10 de setembro de 1908. ↩
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Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 1918 sobre a volta de Teodomiro Santiago. ↩
-
Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1972, p. 35. Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 21 de maio de 1912. ↩
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Memória de Itajubá e da Obra de Theodomiro: a Pedra e a Fonte. 1999, p. III. ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5 ↩6 ↩7 ↩8 ↩9
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Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1972, p. 42. ↩
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Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 394. ↩ ↩2 ↩3 ↩4
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Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1972, p. 80. ↩
-
Memória de Itajubá e da Obra de Theodomiro: a Pedra e a Fonte. 1999, p. IV. ↩ ↩2 ↩3
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Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 395. ↩ ↩2 ↩3
-
Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 276. ↩
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Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1972, p. 22. ↩
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Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 278. ↩
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Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 1932 sobre a manifestação de solidariedade a Teodomiro Santiago. ↩
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Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbetes de 9 de março de 1933 e da recepção em Itajubá. ↩
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Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 1934 sobre a eleição dos constituintes. ↩
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Memória de Itajubá e da Obra de Theodomiro: a Pedra e a Fonte. 1999, p. IV, dá o ano de 1917. Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, dá 1911. ↩
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Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 25 de outubro de 1936. ↩
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Memorial da Câmara Municipal de Itajubá: Desenvolvimento Urbano (1892–1930). Itajubá, 2012, capítulo sobre a memória nos nomes das ruas. ↩
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Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 588 e 589. ↩
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Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 1963 sobre o cinquentenário do Instituto Eletrotécnico de Itajubá. ↩
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Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 1964 sobre a trasladação dos restos de Teodomiro Santiago. ↩
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Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 599. Armelim Guimarães. Sinopse da História de Itajubá. 1966, p. 66. ↩
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Armelim Guimarães. Sinopse da História de Itajubá. 1966, p. 66. ↩
No acervo fotográfico
7 fotografias do acervo da História de Itajubá , em ordem de data.
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Docentes do Instituto Electotécnico e Mecânico de Itajubá1914 -
Dr. Theodomiro Santiago1914 -
Diretores e professores do Instituto Eletrotécnico e Mecânico de ItajubáDécada de 1920 -
Teodomiro Santiago e turma do Instituto Eletrotécnico de ItajubáDécada de 1920 -
Visita do governador Mello Vianna22/10/1925 -
Dr. Theodomiro Carneiro Santiago -
Registro de várias épocas da vida de Theodomiro