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Capela dos Remédios

A Capela dos Remédios, ou Capela de Nossa Senhora dos Remédios, fica no fim da Rua Xavier Lisboa, em Itajubá. Armelim Guimarães a chama de segundo templo construído na cidade, e ela está sob a guarda das Irmãs da Providência desde o começo do século XX.12

O primeiro templo erguido em território itajubense foi uma rústica ermida de paus roliços na Berta, local hoje mais conhecido como Anhumas, anterior à capela do Padre Lourenço da Costa Moreira. A imagem de Nossa Senhora dos Remédios era custodiada ali por D. Antônia da Silva Ribeiro, e a História de Itajubá diz que o culto tinha degenerado em idolatria e exploração.31

Em 1843 o vigário Joaquim José de Oliveira retirou a imagem das Anhumas e a levou em procissão para a cidade. As Efemérides Itajubenses datam o traslado de 7 de outubro daquele ano.14 Joaquim José dos Reis, morador do fim da Rua do Porto, depois Rua dos Remédios, ofereceu ao vigário um cômodo de sua casa para servir de capela e o armou “a capricho”, com uma combinação de espelhos e luzes.31

O cronista da paróquia atribuiu ao culto da imagem uma das causas do crescimento rápido do povoado, e a História de Itajubá registra uma coincidência: nas Anhumas o nicho da santa era enfeitado pelos irmãos Prados, dois surdos-mudos zeladores da imagem, e o colégio que as Irmãs da Providência edificaram “à sombra dessa relíquia histórica” seria dedicado primeiro ao ensino de surdas-mudas.5

Em 24 de setembro de 1850, o vigário Joaquim José de Oliveira nomeou para a capela provisória o tesoureiro Antônio Soares dos Santos Júnior, o zelador Joaquim Gonçalves Mendes, a quem ficou a chave, e o sacristão Manuel José dos Santos. O termo lavrado nesse dia registra a entrega de 194 mil réis, uma arroba e três libras de cera e uma relação de madeiras, telhas e tijolos.3

As duas descrições que Armelim Guimarães dá da capela seguinte não coincidem. Numa passagem ele escreve que a imagem passou, anos depois, para uma capela maior de pau a pique, construída junto à casa do zelador.1 Noutra, diz que mais de uma década depois da chegada da imagem foi concluída no mesmo local uma capela maior, coberta de telhas, terminada entre 1857 e 1861.3 O Livro de Batizados de Escravos, que então servia de Tombo, anotou: “Nossa Senhora dos Remédios. Está principiada a Capela desta Santa na rua que segue para o Rio de Janeiro”.1

A comissão diretora das obras foi formada por Luís José de Sousa Vianna, presidente, Miguel Carlos da Silva Braga, tesoureiro, e Fructuoso Ramos de Lima, secretário. Em 1894, o fabriqueiro e zelador era Francisco Mendes de Brito.1 Visitando o templo em 1899, Alfredo Moreira Pinto anotou que a capela tinha o altar de Nossa Senhora dos Remédios e dois nichos, com São João e Santo Antônio, e a descreveu como pequena e sem arquitetura.16

Em 1862, as paredes da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Soledade estavam rachadas e o teto ameaçava desabar. Em parecer de 30 de janeiro de 1863, Araújo Falhares propôs que a Câmara se entendesse com o vigário “a fim de não celebrar mais na dita Matriz, mas sim na igreja dos Remédios”, e as missas conventuais passaram para a capela.7

A capela serviu como Matriz de 1863 a 1884. Em 16 de março de 1884, depois da bênção da igreja nova, uma procissão transladou dela o Santíssimo Sacramento e as imagens para o templo recém-construído.8

As Irmãs da Providência de Gap chegaram a Itajubá vindas do Carmo do Rio Claro, acolhidas por D. Amélia Braga. As duas fontes divergem no dia: a História de Itajubá diz 6 de junho de 1907 e as Efemérides Itajubenses dizem 16 de junho de 1907, data que a placa do monumento erguido em 1957 também traz.91011 Elas vinham fundar o Instituto para Surdas e Mudas, a Escola Normal Sagrado Coração de Jesus e o noviciado da congregação.10

Chegadas as Irmãs, elas trataram de construir uma capela nova, alguns metros mais afastada da primitiva, em terreno que já lhes pertencia; a História de Itajubá estima a distância em cerca de trinta metros, ou pouco menos. A pintura interna foi obra de Luís Teixeira e já tinha desaparecido quando Armelim Guimarães escreveu.67 Em 18 de outubro de 1916, o bispo de Pouso Alegre D. Otávio Chagas de Miranda, atendendo ao capelão Padre João Galiart, autorizou benzer a capela e abri-la ao culto público, permitindo nela todos os atos religiosos, “exceto os sacramentos do Batismo e do Matrimônio”. Em 27 de novembro do mesmo ano erigiu-se ali a Via-Sacra.612

A imagem pequena, que Armelim Guimarães chama de relíquia mais antiga e tradicional da história de Itajubá, ficou com as Irmãs. Em informação escrita de setembro de 1981, a Irmã Maria Marta esclareceu que ela tinha sido colocada dentro de uma imagem nova e maior de Nossa Senhora dos Remédios, então na capela do Colégio.2

A praça diante da capela chama-se Praça João Martinho Moyë, também escrita Praça Padre Moyë.1311 Ela era um dos pontos da cidade com aparelho fontanário, ao lado da Praça do Mercado, do adro da Matriz, dos Canudos, do Beco do Goiabal, da Varginha, da Biquinha, do Porto Velho, da Boa Vista e da Rua da Palha.14

Em 1957, no cinquentenário da chegada das Irmãs, inaugurou-se ali o sexto monumento público de Itajubá: um bloco de granito com a efígie do Padre João Martinho Moyë, fundador da Congregação da Providência, em reconhecimento pela obra das Irmãs na instrução e na caridade. A data da inauguração aparece de dois jeitos na mesma página da História de Itajubá: o texto diz 16 de julho de 1957 e a placa transcrita logo abaixo traz 16-06-1957. As Efemérides registram o monumento no verbete de 16 de junho.1115

O acervo guarda uma fotografia da procissão de Corpus Christi na capela, cuja legenda da Câmara também a chama de segundo templo da cidade.16 A capela aparece ao fundo em duas vistas de rua publicadas no segundo volume de Itajubá e Sua História: um trecho da Rua Cel. Joaquim Francisco e o encontro das ruas Dr. Luiz Vianna e Xavier Lisboa.1718

  1. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 575. ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5 ↩6 ↩7 ↩8

  2. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 106. ↩ ↩2

  3. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 104. ↩ ↩2 ↩3 ↩4

  4. Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 7 de outubro de 1843. ↩

  5. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 105. ↩

  6. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 576. ↩ ↩2 ↩3

  7. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 569. ↩ ↩2

  8. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 570. ↩

  9. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 581. ↩

  10. Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 16 de junho de 1907. ↩ ↩2

  11. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 589. ↩ ↩2 ↩3

  12. Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 18 de outubro de 1916. ↩

  13. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 552. ↩

  14. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 354. ↩

  15. Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 16 de junho de 1957. ↩

  16. Câmara Municipal de Itajubá. Projeto Reminiscências Fotográficas, legenda da foto “Corpus Christi na capela dos remédios, foi o 2º templo da cidade de Itajubá”. ↩

  17. Armelim Guimarães. Itajubá e Sua História (II Parte). 1999, p. 82, legenda da foto. ↩

  18. Armelim Guimarães. Itajubá e Sua História (II Parte). 1999, p. 85, legenda da foto. ↩

No acervo fotográfico

3 fotografias do acervo da História de Itajubá , em ordem de data.

Ver no acervo →