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Educação

A educação em Itajubá começa com as aulas públicas do tempo da vila, passa pelos colégios particulares e pelas Irmãs da Providência e chega ao ensino superior com o Instituto Eletrotécnico de 1913, hoje UNIFEI. Esta página reúne o panorama; cada instituição tem página própria.

Em 1852 a cidade estava sem escola, e o camarista José Manuel dos Santos Pereira, pai do cientista Vital Brasil, pediu à Câmara a criação de uma cadeira de instrução primária. O presidente da província atendeu e nomeou o professor João Pedro Xavier de Sales, que começou a dar aulas em julho daquele ano. Em 1853 a cidade já parecia ter prédio próprio de escola, com 50 alunos, porque o professor pedia um carapina para consertá-lo.1

A primeira proposta de aula pública para meninas foi do vereador Guilherme Luís de Sá, em 1854, atendida em 1856; a primeira professora nomeada foi D. Ana dos Santos Leite. A escola durou pouco: em 1864 um vereador pedia ao governo a “restauração da aula de instrução primária do sexo feminino”.1

Minas Gerais era dividida em Círculos Literários para a inspeção do ensino, e Itajubá pertenceu ao 15º e depois ao 17º. A primeira visita de inspetor escolar registrada em ata é de 13 de outubro de 1855, do doutor João Dias Ferraz da Luz.1

No último decênio do século XIX, o governo municipal do coronel Francisco Braz Pereira Gomes criou a escola primária noturna para adultos.2 Muitos mestres mantinham “coleginhos” nas próprias casas, entre eles Ramiro Campista, José Ramos de Lima, João Dalle Afflalo, Cornélio de Faria e Eulália Mendes Schumann.2

O coronel Francisco Braz criou em 11 de julho de 1894 a Escola Normal de Itajubá, instalada no prédio de D. Lúcia Pereira dos Santos Rennó, na esquina das atuais ruas Francisco Pereira e Pereira Cabral, sob a direção do farmacêutico José Manso Pereira Cabral. O governo de Minas a reconheceu em 11 de fevereiro de 1897, e a cidade fez duas festas naquele ano: a inauguração oficial, em 15 de março, e o regozijo pela oficialização, em 21.345

Alfredo Moreira Pinto a visitou em 1899 e elogiou o material didático e o laboratório. A escola não chegou ao século XX: em 1º de agosto de 1901, uma lei municipal autorizou vender todo o material técnico dela, inclusive o laboratório.36 O relatório de Luís Gonçalves da Silva Pessanha sobre essa escola, impresso em Ouro Preto em 1897, registra que havia então 27 escolas no município, com 740 alunos.3

No primeiro quartel do século XX o Estado mantinha seis cadeiras públicas primárias na cidade.3 O primeiro grupo escolar foi criado em 1º de janeiro de 1911 e recebeu o nome do coronel Carneiro Júnior: é a Escola Estadual Coronel Carneiro Junior, na Praça Getúlio Vargas.7

Vieram depois o Grupo Escolar Teodomiro Santiago, criado em 22 de março de 1932 e inaugurado em 13 de maio de 1933; o Barão do Rio Branco, no Pacatito, em 1946; o Professor Rafael Magalhães; o Casimiro Osório; o Venceslau Neto; o São Sebastião; o Dr. Antônio Salomon; o Ana Laura Pereira; o Professor Jorge Tibiriçá de Boucherville; o Professor Carmo Cascardo; o Xavier Lisboa; o Silvério Sanches; o Florival Xavier; o Professora Isaura Pereira dos Santos; e o Santa Rosa, de 1983. A designação “grupo escolar” desapareceu e deu lugar a “escola estadual”; em 1985 eram vinte na área urbana, mais as rurais e treze escolas municipais nos bairros do campo.78

Em 1948, por proposta do vereador João Sebastião Ribeiro de Azevedo, o município instituiu o Dia da Instrução, marcado em 30 de novembro.8

O Ginásio de Itajubá foi o maior colégio do começo do século. As fontes divergem sobre o ano: a História de Itajubá transcreve a notícia da Gazeta de Itajubá de 4 de setembro de 1904 sobre a vinda de Belarmino de Menezes para fundá-lo, e Construtores de Itajubá diz que ele o fundou em 1903, com aulas iniciadas em 11 de março daquele ano.910 Instalado no sobrado da esquina da Rua Coronel Rennó com a Praça Teodomiro Santiago, foi equiparado ao Ginásio Nacional em 10 de setembro de 1906. Belarmino morreu em dezembro daquele ano, e o colégio passou a ser custeado por uma sociedade de D. Amélia Braga, Luís Dias Pereira, José Joaquim dos Santos e outros capitalistas, com direção de Theodomiro Carneiro Santiago.9

Outros estabelecimentos do período: o Externato Mineiro, de Francisco Cardoso de Moura Brasil, de 1901; o Instituto João de Deus, do professor Cornélio de Faria, de 1910; o Colégio Nossa Senhora da Glória, da educadora Isaura Santos, de 1912; o Liceu Nossa Senhora Auxiliadora, de Joaquim Severino de Paiva Azevedo, de 1915; e o Colégio São Vicente de Paulo, de Geraldino Furtado de Medeiros, de 1925, cujo prédio passou depois às Irmãs da Providência.1112

A Escola de Comércio de Itajubá foi fundada em 21 de junho de 1932 por Antônio Rodrigues de Oliveira e oficializada em fevereiro de 1933.13 Mais tarde surgiram o Colégio Estadual de Itajubá, hoje Escola Estadual Major João Pereira, que começou em 1956 no prédio do grupo escolar; o Ginásio Estadual João XXIII, erguido nos terrenos do antigo matadouro; e os colégios 7 de Setembro e 19 de Março.1415

As Irmãs da Providência de Gap chegaram em 1907, acolhidas por D. Amélia Braga, e fundaram a Escola Normal Sagrado Coração de Jesus e o Instituto para Surdas e Mudas, que ensinava pelo método oral aprovado no Congresso de Milão e era o único do gênero no país para mulheres.1617 A Escola Normal foi equiparada à Escola Normal Modelo do Estado em 22 de outubro de 1912 e manteve internato para as alunas dos preparatórios e do magistério.1819

O Instituto Dom Bosco, criado pelo Decreto estadual nº 2.826, de 14 de maio de 1910, no governo de Wenceslau Braz, e inaugurado em 11 de setembro daquele ano, recolhia meninos pobres e lhes ensinava ofícios: alfaiataria, sapataria, carpintaria, marcenaria e ferraria. Virou Escola de Horticultura e depois Colégio Agrícola Venceslau Brás, hoje Escola Estadual Venceslau Brás.2021

A Escola Industrial da Fábrica de Armas começou em 1944 o ensino de mecânica prática e usinagem de precisão, com curso de quatro anos e estágio nas oficinas da fábrica; formou a primeira turma em 31 de dezembro de 1947 e durou cerca de trinta anos.21 Funcionaram ainda o SENAI e a Escola Técnica de Química Industrial de Itajubá, cujo curso começou em 2 de maio de 1963.1822

Antes de ter curso superior, Itajubá contribuiu para as faculdades do Estado: em 1893 uma comissão local angariou donativos para o patrimônio da Faculdade Livre de Minas, em Ouro Preto.23

O ensino superior começou com o Instituto Eletrotécnico e Mecânico de Itajubá, inaugurado em 23 de novembro de 1913 por Theodomiro Carneiro Santiago, federalizado em 1956 como Escola Federal de Engenharia e hoje UNIFEI.2324 Vieram depois a Faculdade de Farmácia e Odontologia, a Escola de Enfermagem Venceslau Brás, inaugurada em 1955 e oficializada em 1956, e a Faculdade de Medicina de Itajubá, autorizada pelo Conselho Federal de Educação em 6 de fevereiro de 1968.2526

  1. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 371. ↩ ↩2 ↩3

  2. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 373. ↩ ↩2

  3. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 377. ↩ ↩2 ↩3 ↩4

  4. Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 11 de julho de 1894. ↩

  5. Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 11 de fevereiro de 1897. ↩

  6. Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 1º de agosto de 1901. ↩

  7. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 378. ↩ ↩2

  8. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 379. ↩ ↩2

  9. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 384, citando a Gazeta de Itajubá de 4 de setembro de 1904. ↩ ↩2

  10. Armelim Guimarães. Construtores de Itajubá. 1975, p. 76. ↩

  11. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 380. ↩

  12. Resumo Didático da História de Itajubá. 2000, p. 47. ↩

  13. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 386. ↩

  14. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 387. ↩

  15. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 388. ↩

  16. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 581. ↩

  17. O Município de Itajubá. 1915, seção sobre o Colégio Sagrado Coração. ↩

  18. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 389. ↩ ↩2

  19. Armelim Guimarães. Itajubá e Sua História (I Parte). 1998, legenda da foto do Colégio Sagrado Coração de Jesus. ↩

  20. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 390. ↩

  21. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 392. ↩ ↩2

  22. Resumo Didático da História de Itajubá. 2000, p. 49. ↩

  23. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 393. ↩ ↩2

  24. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 395. ↩

  25. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 398. ↩

  26. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 399. ↩

No acervo fotográfico

101 fotografias do acervo da História de Itajubá , em ordem de data; aqui as 12 primeiras.

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