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Ponte Randolpho Paiva

A Ponte Randolpho Paiva cruza o Rio Sapucaí no centro de Itajubá, perto da Rua Padre Marçal. O nome vem da primeira ponte construída ali, de concreto armado e dois pares de arcos, que o engenheiro João Baptista Randolpho Paiva projetou e construiu e que a cidade inaugurou em 1928. Na década de 1980 a estrutura ameaçava ruir, e o prefeito Ambrósio Pinto a demoliu e construiu no lugar a ponte de cimento e aço inaugurada em 19 de março de 1985.12

Durante boa parte do século XIX, quem precisava atravessar o Sapucaí pagava aos barqueiros, que cobravam o preço que queriam. A ponte de madeira que o empreiteiro Joaquim Rodrigues Sampaio construiu em 1852 foi reconstruída em 1857, ganhou o nome de ponte nova e foi demolida vinte anos depois de erguida, com os pegões apodrecidos.3 Em 7 de dezembro de 1883, a cidade inaugurou com fogos e banda de música uma ponte de madeira de lei coberta de zinco, paga em grande parte por uma cotização dos moradores. O povo a chamou de ponte de zinco.41 A história dessas travessias está em Pontes.

A ponte de zinco ficava cerca de 150 metros abaixo do ponto onde se construiu a Ponte Randolpho Paiva, e durou até 1928.15 A Efemérides Itajubenses e o segundo volume de Itajubá e Sua História dão a distância como “pouco abaixo” e “cerca de 200 metros”.67

A História de Itajubá data de 1926 o início das obras; Itajubá e Sua História dá 1928.25 Os trabalhos pararam mais de uma vez por falta de materiais que o Brasil ainda não fabricava: o cimento vinha da Inglaterra, em barris, e os vergalhões também eram importados. Por isso a inauguração atrasou mais de um ano.5 A História de Itajubá situa a inauguração em 1928, ano em que a ponte de zinco deixou de existir.1

Os itajubenses a chamavam de Ponte dos Arcos, Ponte de Cimento e Ponte do Mercado.89 Em junho de 1950, os técnicos do Conselho Nacional de Geografia mediram a altitude do piso da ponte: 847,27 metros, doze metros abaixo da porta da Matriz de Nossa Senhora da Soledade.10

João Baptista Randolpho Paiva nasceu em 1853 e se formou engenheiro-geógrafo pela Escola Politécnica, no Rio de Janeiro, em 1874.58 Em Itajubá era engenheiro do Estado e fiscal da Rede Sul Mineira, e em 1915 morava na Rua Coronel Francisco Braz.11 Projetou o edifício do antigo Fórum, que o construtor Moisés Luigi concluiu em 1911 e que hoje abriga a Prefeitura.812 O filho, Artur Oscar Paiva, foi um dos fundadores do Itajubense Futebol Clube, em 7 de outubro de 1917.13 Randolpho Paiva morreu em 1º de junho de 1934.812

Pelo relato dos integrantes da caravana do Padre Lourenço da Costa Moreira, o fundador de Itajubá desembarcou na altura da atual Rua Padre Marçal, pouco abaixo da ponte.14 No último quarto do século XIX, o novo porto das barcas ficava entre 150 e 180 metros abaixo, mais perto das casas comerciais.15

Os trilhos do ramal de Delfim Moreira passavam pela Rua Padre Marçal, ao lado da ponte, onde funcionou a Fábrica de Doces Vera Cruz. O prédio da fábrica foi demolido para dar lugar à agência do Banco Itaú.16

Em 1936, o empresário alemão Hermano Haug mantinha o Cassino-Parque Itajubá na casa da cabeceira da ponte, na margem esquerda, onde tinha morado Amadeu Chiaradia, delegado de polícia da comarca em 1915.1711 O povo chamava o lugar de cabaré do alemão. Em 10 de maio daquele ano a cidade protestou contra o cassino, e a indignação cresceu quando se soube que ali se tocava o Hino Nacional durante as festas da noite. A imprensa atacou o estabelecimento, e Haug deixou Itajubá.1718

Com a estrutura avariada, a ponte de arcos foi interditada por risco de desabamento: em 1984, segundo a História de Itajubá, ou em 1983, segundo Itajubá e Sua História.25 O prefeito Ambrósio Pinto demoliu a ponte inteira e construiu no lugar outra, mais larga, de cimento e longarinas de aço, que manteve o nome Randolpho Paiva e foi inaugurada em 19 de março de 1985.219 Um ano antes, no mesmo dia, Ambrósio Pinto tinha inaugurado a Ponte Dr. João Baptista Cabral Rennó, com a presença do governador Tancredo Neves.2

  1. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 202. ↩ ↩2 ↩3 ↩4

  2. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 204. ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5

  3. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 200. ↩

  4. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 201. ↩

  5. Armelim Guimarães. Itajubá e Sua História (I Parte). 1998, legendas das fotos da ponte de zinco e da Ponte Randolfo Paiva. ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5

  6. Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 7 de dezembro de 1883. ↩

  7. Armelim Guimarães. Itajubá e Sua História (II Parte). 1999, p. 5. ↩

  8. Memória de Itajubá e da Obra de Theodomiro: a Pedra e a Fonte. 1999, p. VIII, legenda do postal da Foto Colombo. ↩ ↩2 ↩3 ↩4

  9. Câmara Municipal de Itajubá. Projeto Reminiscências Fotográficas, legendas das fotos da “Ponte do Mercado”. ↩

  10. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 27. ↩

  11. O Município de Itajubá. 1915, p. 140 e 142. ↩ ↩2

  12. Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 1º de junho de 1934. ↩ ↩2

  13. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 467. ↩

  14. Armelim Guimarães. Itajubá e Sua História (I Parte). 1998, texto sobre o local do desembarque do Padre Lourenço. ↩

  15. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 191. ↩

  16. Armelim Guimarães. Itajubá e Sua História (II Parte). 1999, p. 35. ↩

  17. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 443. ↩ ↩2

  18. Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 10 de maio de 1936. ↩

  19. Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 19 de março de 1985. ↩

No acervo fotográfico

30 fotografias do acervo da História de Itajubá , em ordem de data; aqui as 12 primeiras.

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