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Agricultura e Pecuária

A lavoura sustentou Itajubá desde a fundação, e a pecuária foi, no século XIX, atividade pequena e voltada ao consumo doméstico. A História de Itajubá conta que a fertilidade do solo foi o que fez o Padre Lourenço da Costa Moreira ficar no lugar em 1819, e que o engenheiro francês Lucien Le Coin, em visita comissionada pelo ministério da agricultura da França em julho de 1911, incluiu no relatório os maiores louvores às terras itajubenses.1

As lavouras iniciais foram as do milho, do arroz e do feijão. Já emancipada, a Câmara quis incentivar outras culturas e recorreu ao governo: as primeiras sementes vindas da Europa foram enviadas pelo presidente da província em 1855. Os lavradores não se interessavam pelas experiências, e em 1858, por proposta do vereador Francisco de Paula Xavier Machado, a Câmara tentou obrigar os fazendeiros a plantar mandioca e batata, mandando que juízes de paz e inspetores informassem quem cumpria a ordem.12

Naquele mesmo ano chegaram sementes de trigo de Jerez de la Frontera e de fumo de Havana para distribuir entre os principais fazendeiros, e em 1861 o governo provincial ainda insistia no plantio de algodão e trigo.2

Até 1861 não havia cafezais em terras itajubenses: a informação é oficial, de uma resposta da Câmara ao inspetor da Mesa das Rendas naquele ano. Quem primeiro plantou café no município foi o médico Domiciano da Costa Moreira, segundo Xavier da Veiga nas Efemérides Mineiras, que atribui a ele a introdução de uma cultura que se tornaria a base principal da lavoura local.2

Em 1º de fevereiro de 1883, Aureliano Moreira Magalhães sugeriu à Câmara pedir ao Ministério da Agricultura alguns quilos de café Maragogipe para distribuir entre os fazendeiros e ensaiar a produção.2

O fumo foi por décadas o principal produto de exportação. Em 1891, o espanhol Leôncio Blanco Miranda, técnico que passara onze anos em Cuba, veio a Itajubá enviado por um industrial do Rio de Janeiro e declarou ao jornal A Verdade que o fumo daqui era tão bom quanto o cubano, ou melhor, e comprou fumais inteiros.3 No fim do século, o capitão Antônio Luís Pinto de Noronha representava na cidade uma grande firma carioca exportadora de fumo.3

O livro Memória de Itajubá registra que, até cerca de 1920, a economia do município se apoiou na renda do fumo e de seus derivados, com pequenas fábricas de cigarros, charutos, rapé e fumo picado.4 O Município de Itajubá, de 1915, dá a produção anual de fumo em mais de 100 mil arrobas e a de café em 655 mil quilos.5

A cana teve peso bastante para atrair investidores de fora. Em 1891, o jornal A Verdade noticiou a aprovação do plano e do orçamento do Engenho Central de Itajubá, cuja concessão era do Banco Central Mineiro, mas a obra não saiu do papel e nenhum itajubense aparece comprometido com ela nas publicações. Em 1899, Moreira Pinto encontrou na cidade uma refinaria de açúcar.67

No século da fundação, o trabalho na lavoura era o do escravo. Até 1854, segundo informação da própria Câmara, não havia no município nenhuma colônia de imigrantes. Em 1883, o presidente da província pediu aos fazendeiros de Itajubá esforços para introduzir colonos das Canárias e dos Açores.7

A História de Itajubá diz que a pecuária foi pouco desenvolvida: no século XIX não havia rebanhos que merecessem entrar na história, e fazendeiros e sitiantes tinham o gado, as vacas leiteiras, os porcos, os cavalos e os bois de carro estritamente necessários à vida na roça.8 Em 1862, ano em que Itajubá virou cidade, a Câmara respondeu a uma consulta do governo imperial dizendo que o município não tinha gado de corte para fornecer à capital do país, e em 1858 informara ao governo provincial que não existia no termo um criador de cavalos propriamente dito.8

A criação melhorou no século XX. O Município de Itajubá avaliava o rebanho em 30 mil bovinos, com reprodutores suíços, holandeses, Simmenthal e Jersey, e registrava a exportação de gado suíno em pé e em fardos de toucinho, carnes salgadas e linguiças, das raças Berkshire, Yorkshire e Canastrão. Os governos estadual e federal mantinham postos zootécnicos nos arredores da cidade.5

Itajubá realizou de 16 a 20 de julho de 1961 a 1ª Exposição Agropecuária e Industrial, sob os auspícios da Associação Rural de Itajubá, com exposição de flores.9 A Associação Rural Regional do Alto Sapucaí promoveu cursos, como o de floricultura doméstica de janeiro de 1956, e a Escola de Horticultura também fazia exposições.9

  1. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 324. ↩ ↩2

  2. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 325. ↩ ↩2 ↩3 ↩4

  3. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 329. ↩ ↩2

  4. Memória de Itajubá e da Obra de Theodomiro: a Pedra e a Fonte. 1999, texto sobre a indústria em Itajubá. ↩

  5. O Município de Itajubá. 1915, texto sobre as produções, reproduzido em Memória de Itajubá e da Obra de Theodomiro: a Pedra e a Fonte. 1999. ↩ ↩2

  6. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 331. ↩

  7. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 332. ↩ ↩2

  8. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 337. ↩ ↩2

  9. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 336. ↩ ↩2

No acervo fotográfico

11 fotografias do acervo da História de Itajubá , em ordem de data.

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