D. Amélia Braga

Amélia Cândida Vianna Braga foi a viúva do comendador Miguel Carlos da Silva Braga e uma das maiores proprietárias e acionistas de Itajubá no começo do século XX. Empregou a fortuna herdada em prédios, nas empresas industriais da cidade e em obras de caridade, acolheu as Irmãs da Providência em 1907 e morreu em 12 de agosto de 1925, no mesmo dia que a Madre Maria Raphael.123
A fortuna
Seção intitulada “A fortuna”O marido, um dos comerciantes e industriais mais prósperos de Itajubá no século XIX, morreu em 2 de setembro de 1903.4 O segundo volume de Itajubá e Sua História conta que D. Amélia herdou uma grande riqueza e a empregou em obras filantrópicas e investimentos em benefício da cidade.2 O Município de Itajubá, de 1915, diz que ela aplicava boa parte das rendas em construções, figurava entre os principais proprietários da cidade e aparecia como uma das maiores acionistas de todas as empresas industriais que se organizavam em Itajubá.1 A História de Itajubá a inclui entre os capitalistas que promoveram e financiaram as indústrias da cidade e registra que, pouco antes de morrer, ela imaginou instalar bondes elétricos em Itajubá, o que não se realizou.56
As casas
Seção intitulada “As casas”A primeira residência do casal foi um casarão na esquina da Rua Coronel Rennó com a Rua Santos Pereira. Viúva, D. Amélia construiu o palacete da Praça Cesário Alvim, hoje Praça Teodomiro Santiago.78 O palacete é obra de Moisés Luigi; depois dela morou ali o coronel Alcides Faria, e no lugar se ergueu o Edifício João Correia.9102 Em abril de 1907, durante o 1º Congresso das Municipalidades do 5º Distrito, o presidente de Minas, João Pinheiro, hospedou-se no palacete.1112 Ela tinha também, com Miguel Vianna, uma chácara nas divisas do perímetro urbano.13
Irmãs da Providência
Seção intitulada “Irmãs da Providência”As primeiras Irmãs da Providência chegaram a Itajubá vindas do Carmo do Rio Claro, sob a direção da Madre Maria Raphael, e D. Amélia as acolheu e as ajudou a se estabelecer. A História de Itajubá dá a chegada em 6 de junho de 1907 e as Efemérides, em 16 de junho.1415 Ela lhes cedeu de graça o velho casarão da esquina das ruas Coronel Rennó e Santos Pereira, onde as Irmãs fundaram em 1º de julho de 1907 o primeiro colégio e onde funcionou de início a Escola Normal Sagrado Coração de Jesus.16177 As Efemérides comparam o que D. Amélia foi para a Madre Raphael ao que D. Maria Goulart de Andrade tinha sido para ela no Carmo do Rio Claro.18
Ginásio, cinema e Santa Casa
Seção intitulada “Ginásio, cinema e Santa Casa”Quando o fundador do Ginásio de Itajubá, Belarmino de Menezes, morreu em 11 de dezembro de 1906, o colégio só não desapareceu, segundo Construtores de Itajubá, pelos esforços de D. Amélia Braga, do capitão Luís Dias Pereira e de José Joaquim da Silva.19 A História de Itajubá diz que o ginásio passou a ser custeado por uma sociedade de D. Amélia, Luís Dias Pereira, José Joaquim dos Santos e mais dois sócios, e O Município de Itajubá também a inclui na comissão que o mantinha.2021
Comprou da Paróquia o terreno em frente à Praça Cesário Alvim, antes aforado pela Irmandade dos Passos, e nele construiu o prédio em que José Martins Garcia instalou o cinema Bijou-Salon, noticiado pela Gazeta de Itajubá em fevereiro de 1911. Extinto o cinema, ali funcionou o Bar Acadêmico.222324
A História de Itajubá a arrola entre os primeiros e maiores benfeitores da Santa Casa de Misericórdia, à qual deu um relógio.2526
Na vida da Paróquia
Seção intitulada “Na vida da Paróquia”Em 1884, fez parte da comissão de senhoras que ajudou nas festas de inauguração da nova Matriz, identificada então como esposa de Miguel Carlos da Silva Braga.27 Em 1889, na visita do bispo D. Lino, presidiu a comissão de senhoras encarregada da subscrição para comprar um harmônio para a Matriz.28
Homenagens e morte
Seção intitulada “Homenagens e morte”Em 12 de janeiro de 1907, na sessão solene da Câmara que inaugurou a luz elétrica na cidade, à qual ela estava presente, o vereador Luís Dias Pereira propôs, em reconhecimento pelos serviços dela ao progresso do município, que a Praça da Misericórdia passasse a se chamar Praça D. Amélia Braga; a proposta foi aprovada por unanimidade.2930 Na Academia Itajubense de História, ela é patrona da cadeira 17.31
Morreu em 12 de agosto de 1925. A História de Itajubá e as Efemérides registram que a Madre Maria Raphael, a quem ela protegeu, morreu no mesmo dia.318
Ver também
Seção intitulada “Ver também”- Miguel Carlos da Silva Braga
- Palacete de D. Amélia Braga
- Praça Amélia Braga
- Madre Maria Raphael
- Comissão de Senhoras
Footnotes
Seção intitulada “Footnotes”-
Armelim Guimarães. Itajubá e Sua História (II Parte). 1999, p. 17, legenda da foto do palacete. ↩ ↩2 ↩3
-
Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 2 de setembro de 1903. ↩
-
Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 347. ↩
-
Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 198. ↩
-
Armelim Guimarães. Itajubá e Sua História (II Parte). 1999, p. 24, legenda da foto da casa da esquina das ruas Cel. Rennó e Santos Pereira. ↩ ↩2
-
Armelim Guimarães. Itajubá e Sua História (I Parte). 1998, legenda da foto da Rua Cel. Rennó. ↩
-
Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 133. ↩
-
Armelim Guimarães. Itajubá e Sua História (I Parte). 1998, legenda da foto do jardim e do palacete de D. Amélia Braga. ↩
-
Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 118. ↩
-
O Município de Itajubá. 1915, p. 64. ↩
-
Memorial da Câmara Municipal de Itajubá: Desenvolvimento Urbano (1892–1930). Itajubá, 2012, descrição do perímetro da área de construção. ↩
-
Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 581. ↩
-
Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 16 de junho de 1907. ↩
-
Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 1º de julho de 1907. ↩
-
Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 389. ↩
-
Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 12 de agosto de 1925. ↩ ↩2
-
Armelim Guimarães. Construtores de Itajubá. 1975, p. 76. ↩
-
Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 384. ↩
-
O Município de Itajubá. 1915, seção sobre o Ginásio de Itajubá. ↩
-
Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 437. ↩
-
Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 580. ↩
-
Armelim Guimarães. Itajubá e Sua História (II Parte). 1999, p. 65, legenda da foto do Bijou-Salon. ↩
-
Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 517. ↩
-
Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 515. ↩
-
Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 570. ↩
-
Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 547. ↩
-
Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 477. ↩
-
Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 478, transcrevendo a ata de 12 de janeiro de 1907. ↩
-
Comarca de Itajubá 1872–2022. 2022, p. 134. ↩
No acervo fotográfico
5 fotografias do acervo da História de Itajubá , em ordem de data.