Ruas, Bairros e Lugares Notáveis
As ruas, praças e bairros de Itajubá guardam a memória urbana da cidade. Os primeiros nomes eram os do uso popular, ligados ao que havia em cada lugar: a igreja, a cadeia, o porto, o brejo, o cemitério. Entre 1894 e 1917 a Câmara trocou os nomes das vias centrais por nomes de pessoas, e é essa camada que a cidade usa até hoje.12
Os primeiros nomes, em 1852
Seção intitulada “Os primeiros nomes, em 1852”Cumprindo ordem da Presidência da Província, a Câmara indicou em 8 de janeiro de 1852 os nomes das ruas da vila. Na falta de denominações oficiais, ela registrou as designações populares: Rua da Igreja ou Rua Direita, Rua da Casa da Câmara, Rua da Cadeia, Rua do Paula, Rua do Porto, Rua do Júnior, Rua das Flores, Rua do Brejo, Rua do Cemitério, Rua do Rosário, Rua do Finado Joaquim Francisco, Rua do Esgoto, Rua da Biquinha, Rua Atrás do Morro, Rua de Nossa Senhora dos Remédios, Rua do Fogo, Rua da Varginha, Rua da Ponte Velha e Rua da Ponte Nova, além de becos e travessas.1
O emplacamento e a numeração das casas, determinados por ofício de 1851, só se fizeram dez anos mais tarde, contra a vontade dos vereadores, que alegavam falta de verba. Luís Rodrigues foi a “pessoa hábil” contratada para o serviço, apesar dos protestos de Achilles Salomon, para quem aquilo era “uma obra de mero luxo”.3
Os largos antigos mudaram de nome e de função. O Largo dos Curros ou das Cavalhadas, onde se corriam as cavalhadas, virou Largo dos Andradas e é hoje a Praça Presidente Getúlio Vargas; o Largo da Quitanda virou Praça do Mercado e é hoje a Praça Adolfo Olinto; o Largo dos Passos é a Praça Teodomiro Santiago.3 A Rua dos Passos, sinuosa, foi alargada, retificada e dobrada em comprimento um decênio depois da fundação, passou a se chamar Rua Direita e hoje é a Rua Coronel Rennó.3
As trocas de nome
Seção intitulada “As trocas de nome”O Memorial da Câmara trata essas mudanças como a construção de uma memória sob o regime republicano, e o vereador José Gaspar Pereira Leite, ao aplaudir a primeira, já lembrava “ser de justiça também outras mudanças”.2
- 1894: por indicação do vereador Fructuoso Furtunato Rodrigues Júnior, a Rua Direita passou a Rua Coronel Rennó, em homenagem ao coronel Antônio José Rennó, morto naquele ano. Um vereador propôs ainda que se gastasse o necessário para trocar a placa de imediato.2
- 1903: a Rua Marquês do Herval passou a Rua Doutor Pereira Cabral, por proposta de Francisco José de Faria Sobrinho. O vereador José Manso Pereira Cabral, filho do homenageado, declarou-se suspeito e não votou.2
- 1905: dois projetos do vereador Luiz Dalle Afflalo trocaram três ruas e duas praças. A Praça dos Andradas virou Praça Wenceslau Brás, a Rua dos Remédios virou Rua Xavier Lisboa e a Rua da Estação virou Rua Miguel Braga, “como testemunho da gratidão pública”; no segundo projeto, o Largo da Estação virou Praça Doutor Pereira dos Santos e a Rua do Porto Velho, Rua Dr. Américo de Oliveira.2
- 1907: na sessão solene em que se inaugurou a luz elétrica, em 12 de janeiro, o vereador Luís Dias Pereira propôs e a Câmara aprovou que a Praça da Misericórdia passasse a Praça D. Amélia Braga, a praça do novo jardim no extremo da Rua Coronel Rennó a Praça Dr. Aureliano Magalhães e a Rua da Varginha a Rua José Joaquim.4
- 1912: a Rua das Flores passou a Rua Barão do Rio Branco, por projeto dos vereadores Bráulio Carneiro Santiago e Bernardo Pereira da Silva, em homenagem a José Maria da Silva Paranhos Júnior, morto em fevereiro daquele ano. O Memorial observa que foi uma das poucas mudanças que não homenagearam gente da terra.5
- 1917: uma indicação do vereador Antônio Lúcio Borges deu a uma praça pública, abaixo da Rua Barão do Rio Branco e entre as ruas Comendador Frederico Schumann e Major Pereira, o nome de Praça Dr. Theodomiro Santiago, e pediu ao governo estadual que o grupo escolar a ser construído recebesse o nome do coronel João Carneiro Santiago Júnior. Por ser o pai e o irmão dos homenageados, o vereador Thiago Carneiro Santiago deu-se por suspeito na votação.6 A Praça Teodomiro Santiago de hoje é a antiga Praça Cesário Alvim, que recebeu esse nome em 1963.7
A cidade em 1915
Seção intitulada “A cidade em 1915”O texto de O Município de Itajubá apresenta os nomes das ruas com a explicação de cada homenagem. Quem chegava pela estrada de ferro dava logo na Rua Coronel Carneiro Júnior, “chefe político do município”, larga e arborizada, que ia da praça da Estação à Praça Capitão Gomes. No centro, terminando na Matriz e passando pelo Jardim Municipal, ficava a Rua Coronel Rennó, “ex-presidente do município”, toda calçada.8
O mesmo texto arrola as outras vias e os homenageados: Santos Pereira, chefe do município no Império; Major Pereira, itajubense de família tradicional; Dr. Américo de Oliveira, político e médico; Comendador Schumann, ex-deputado estadual; Coronel Pereira Júnior, político; Barão do Rio Branco, chanceler; Dr. Cabral, magistrado; Coronel Francisco Braz, ex-presidente do município; Silvestre Ferraz, parlamentar do Império que ajudou a trazer a estrada de ferro; Coronel Joaquim Francisco, do diretório político local; Dr. Xavier Lisboa, clínico; José Joaquim, itajubense de família tradicional; Miguel Braga, capitalista; e Eugênio Salles, ex-deputado provincial. Entre as praças, destacava Cesário Alvim, Dr. Olyntho, Dr. Wenceslau Braz, D. Amélia Braga e Capitão Gomes.8
Alinhamentos, calçamento e arborização
Seção intitulada “Alinhamentos, calçamento e arborização”O primeiro calçamento de que se tem notícia foi o da Rua Direita; depois vieram o retângulo em volta do Largo dos Passos, feito com pedras enormes e irregulares “sem esquadria”, e a Rua do Comércio, por proposta do vereador José Caetano Grilo, em 1857.39
A Câmara fez desapropriações para alinhar ruas e recebeu, ao longo do século XIX, doações de faixas de terra para abrir ou prolongar vias. Entre os doadores estão o Padre Lourenço da Costa Moreira, José Bento Rodrigues da Gama, o coronel Joaquim Francisco Pereira Júnior, Constâncio José Mendes, o major Joaquim Inácio Vilas-Boas da Gama, o alferes Luís Francisco Rennó, o capitão Antônio José Rennó, Aureliano Moreira Magalhães, Manuel dos Passos e Silva, Domiciano da Costa Moreira e Inácio Teodoro de Araújo.10
A arborização das praças centrais foi pedida em 1879 pelo vereador Paiva e Luz, que propôs alinhar, nivelar e arborizar o Largo dos Passos com “árvores sanitárias”. Em 24 de setembro de 1884, Frederico Schumann se ofereceu para arborizar o Largo dos Passos e a Praça do Mercado.10
Os bairros
Seção intitulada “Os bairros”A História de Itajubá lista como principais bairros urbanos, em 1985: Santa Rosa, Pacatito, Varginha, Nossa Senhora de Fátima, São Sebastião, Santo Antônio, São Vicente, Avenida, Lourdes, Porto Velho, Centro, Boa Vista, Canudos, Floresta, Oriente, Biquinha, Cantina, Vila Neusa, Vila Isabel, Vila Rubens, Chácara das Moças, Morro Chique, Rebourgeon, Pinheirinho e Vila Poddis.11
Alguns estão ligados a obras e instituições: o Pacatito é o bairro da fábrica de armas, instalada ali em 1934, que manteve no bairro escola, capela e clube; o São Vicente abriga a Vila Vicentina; e o Morro Chique ficou no aterro feito com a terra do morro de São Benedito, desmontado a jatos de água por Fritz Hoffmann.12131415
Páginas de ruas e praças
Seção intitulada “Páginas de ruas e praças”A wiki tem página própria para a Avenida Cesário Alvim, a Avenida Coronel Carneiro Júnior, a Praça Adolfo Olinto, a Praça Amélia Braga, a Praça Pereira dos Santos, a Praça Presidente Getúlio Vargas, a Praça Teodomiro Santiago, a Praça Wenceslau Brás, a Rua Coronel Rennó, a Rua Dona Maria Carneiro, a Rua Dr. Américo de Oliveira, a Rua Dr. João de Azevedo, a Rua Eugênio Salles, a Rua Francisco Braz, a Rua Oliveira Marques, a Rua Padre Marçal Ribeiro, a Rua Silvestre Ferraz e a Rua Xavier Lisboa.
Ver também
Seção intitulada “Ver também”- Urbanização e Planejamento
- Desenvolvimento Urbano e Infraestrutura
- Patrimônio e Memória
- Bairro Boa Vista
Footnotes
Seção intitulada “Footnotes”-
Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 121, citando a Ata de 8 de janeiro de 1852. ↩ ↩2
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Memorial da Câmara Municipal de Itajubá: Desenvolvimento Urbano (1892–1930). Itajubá, 2012, capítulo sobre a memória nos nomes das ruas. ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5
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Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 122. ↩ ↩2 ↩3 ↩4
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Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 478, transcrevendo a ata de 12 de janeiro de 1907. ↩
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Memorial da Câmara Municipal de Itajubá: Desenvolvimento Urbano (1892–1930). Itajubá, 2012, capítulo sobre as mudanças de nomes de ruas. ↩
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Memorial da Câmara Municipal de Itajubá: Desenvolvimento Urbano (1892–1930). Itajubá, 2012, capítulo sobre as homenagens de 1917. ↩
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Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 1963 sobre o cinquentenário do Instituto Eletrotécnico de Itajubá. ↩
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O Município de Itajubá. 1915, texto reproduzido em Memória de Itajubá e da Obra de Theodomiro: a Pedra e a Fonte. 1999. ↩ ↩2
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Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 123. ↩
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Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 33. ↩
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Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 348. ↩
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Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 378. ↩
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Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 594, verbete “Desmonte”. ↩
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Câmara Municipal de Itajubá. Projeto Reminiscências Fotográficas, legenda da foto “Vila Vicentina de Itajubá”. ↩
No acervo fotográfico
307 fotografias do acervo da História de Itajubá , em ordem de data; aqui as 12 primeiras.
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Primeira construção da atual Matriz da Soledade1840 -
A mais antiga fotografia abrangente de toda a pequena cidade de ItajubáSéculo XIX -
Trecho da Rua dos Remédios (atual Xavier Lisboa), no final do século XIX.1850 a 1899 -
Desenho retratando Itajubá no século XIXDécada de 1860 -
Segunda construção da atual Matriz da SoledadeDécada de 1860 -
Pintura de Luiz Teixeira de Itajubá nos anos 18701870 -
Pintura de panorâmica de Itajubá nos anos 1870Década de 1870 -
Mercado Municipal, Praça Adolfo Olinto1884 -
Antigo Mercado MunicipalDécada de 1890 -
Pintura da antiga estação ferroviária na praça Pereira dos Santos por Luiz TeixeiraDécada de 1890 -
Trecho da Rua Direita (ora Cel. Rennó), vendo-se a igreja Matriz da Paróquia de N.S. da SoledadeDécada de 1890 -
Antiga Vila Lúcia, em meados do final do século XX1894