Pular para o conteúdo

Instituto Dom Bosco

O Instituto Dom Bosco foi a escola profissional para meninos pobres que o governo de Minas manteve em Itajubá de 1910 a 1933, na antiga Colônia Itajubá. Os alunos moravam na escola, estudavam as primeiras letras e aprendiam um ofício e agricultura. Em 1933 o instituto virou Escola de Horticultura, origem da atual Escola Estadual Wenceslau Braz.12

O instituto nasceu de uma experiência anterior. Depois do Congresso das Municipalidades de 1907, em Itajubá, o governo de Minas instalou uma colônia agrícola na antiga fazenda do capitão João José Rennó, a poucos metros da cidade. As famílias de colonos europeus recebiam lotes, e a colônia tinha engenho, moinho e máquinas para fabricar açúcar, rapadura, farinha de milho e de mandioca e óleo de mamona.34 Em 1913, o Anuário de Nelson de Senna contou na colônia oito famílias portuguesas, doze italianas, três alemãs, duas polonesas, três russas, uma suíça e uma francesa.5 A professora Carlinda Salomon regia ali uma escola rural mista.3

Wenceslau Braz, presidente do estado, criou o Instituto Dom Bosco pelo Decreto nº 2.826, de 14 de maio de 1910. O construtor Francisco Beltrão reformou o prédio da velha fazenda, e em 11 de setembro de 1910 Wenceslau Braz e o secretário do Interior, Estêvão Leite de Magalhães Pinto, inauguraram a escola.1 O livro de 1999 sobre Theodomiro Santiago e uma legenda da Câmara dão 1908 como ano da fundação.5

O nome homenageava Dom Bosco, o padre de Turim que dedicou a vida às crianças pobres. A escola ficava a dois quilômetros da cidade, num ponto alto, com o campo de prática voltado para o Rio Sapucaí e a estrada de ferro.6

Os meninos eram internos. Nas oficinas aprendiam um ofício com mestres da cidade: alfaiataria com Higino Miranda, sapataria com Francisco Nisticó, marcenaria com Fernando Pinto Paulista, serralheria com o italiano Ângelo Boer, além de carpintaria, ferraria e selaria.1 Tinham aulas práticas de agricultura, instrução primária com as professoras Carlinda e Francisca Salomon e com o professor Cornélio de Faria, instrução militar, e desenho e pintura com o artista Luís Teixeira.1 Em 1924, Luís Teixeira expôs no Clube Itajubense quadros pintados pelos alunos.7

O maestro Francisco Nisticó formou com os alunos uma banda que durou mais de vinte anos e compôs, com letra de Pedro Bernardo Guimarães, o hino do instituto.28 A banda tocou em 1929 na inauguração do telefone interurbano.9

No campo, os alunos plantavam milho, batata, arroz, feijão, cebola e cana, faziam rapadura e cuidavam de uma horta e de chiqueiros-modelo, e a escola vendia no mercado o que sobrava do consumo.6 Na década de 1920 o instituto mantinha também um posto de observação meteorológica.10 O diretor Jarbas Guimarães instalou, com dinheiro próprio, um cinema para os alunos.11

Quatro diretores comandaram o instituto: Sócrates Brasileiro, nomeado em 1910; Joaquim Lopes Vianna, até 1916; o coronel Jarbas Guimarães, de 1916 a 1927; e o professor Carmo Cascardo, de 1927 a 1933.1 Armelim Guimarães considerou Jarbas Guimarães o maior remodelador da escola.12

Em 19 de julho de 1929 foi lançada a pedra fundamental de um prédio novo, projetado pelo arquiteto Eduardo Piquet. Wenceslau Braz, Gustavo Capanema, Carlos Drummond de Andrade, Guerino Casassanta e Theodomiro Santiago estiveram na inauguração, que a História de Itajubá data de 13 de maio de 1931 e as Efemérides de 13 de maio de 1933.213

Theodomiro Santiago propôs transformar o instituto numa escola agrícola, porque faltavam técnicos no país. Os cursos agrícolas começaram em 1º de junho de 1931, orientados pelo belga Louis Saublens e pelo português Américo Lopes da Silva.214 Em 7 de julho de 1933, o Decreto nº 10.954, do presidente do estado Olegário Maciel, criou a Escola de Horticultura de Itajubá no lugar do Instituto Dom Bosco.2 A nova escola levou flores e plantas ornamentais a exposições no Clube Itajubense.15

Em 1965, a Lei nº 3.650, do deputado Luís Fernando Faria de Azevedo, transformou a Escola de Horticultura em Colégio Agrícola, depois Escola Estadual Wenceslau Braz, que ocupa o prédio projetado por Piquet.1617

  1. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 390. ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5

  2. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 391. ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5

  3. O Município de Itajubá. 1915, seção sobre a Colônia Itajubá. ↩ ↩2

  4. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 333. ↩

  5. Memória de Itajubá e da Obra de Theodomiro: a Pedra e a Fonte. 1999, p. II e legenda das fotos da Escola de Horticultura. ↩ ↩2

  6. O Município de Itajubá. 1915, p. 121 e 122. ↩ ↩2

  7. Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 11 de junho de 1924. ↩

  8. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 420. ↩

  9. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 445. ↩

  10. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 33. ↩

  11. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 438. ↩

  12. Armelim Guimarães. Construtores de Itajubá. 1975, p. 58. ↩

  13. Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1972, p. 34. Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 13 de maio de 1933. ↩

  14. Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1972, p. 39. ↩

  15. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 336 e 392. ↩

  16. Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 1965 sobre a Lei nº 3.650. Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1972, p. 83. ↩

  17. Armelim Guimarães. Itajubá e Sua História (I Parte). 1998, legenda da foto do Instituto Dom Bosco. ↩

No acervo fotográfico

22 fotografias do acervo da História de Itajubá , em ordem de data; aqui as 12 primeiras.

Ver as 22 fotografias →