Antônio Maximiano Xavier Lisboa
Antônio Maximiano Xavier Lisboa foi o médico que chefiou o governo provisório de Itajubá na Proclamação da República e o primeiro clínico da Santa Casa de Misericórdia. Nasceu na Campanha em 1860 e morreu em Itajubá em 1957, aos 97 anos, depois de quase sete décadas vivendo na cidade. A antiga Rua dos Remédios leva o nome dele desde 1905.123
Formação
Seção intitulada “Formação”Xavier Lisboa nasceu na Campanha em 21 de fevereiro de 1860, filho de Justino Xavier de Melo Lisboa e de D. Inocência Claudina de Magalhães Lisboa. Doutorou-se pela Faculdade de Medicina da Bahia em 1887 e trabalhou dois anos no Rio de Janeiro com os clínicos Torres Homem e Andrade Pertence. Em 1889 abriu consultório em Itajubá.1 Em 1891, ele e Américo de Oliveira eram os dois médicos da cidade.4
Casou-se em Pedralva, em 30 de julho de 1892, com D. Maria Cândida de Paiva Lisboa, a D. Sinhazinha, que morreu em 28 de novembro de 1949.15
O chefe republicano
Seção intitulada “O chefe republicano”Xavier Lisboa chegou a Itajubá quando o movimento republicano crescia na cidade. Armelim Guimarães conta que muitos republicanos só se declararam publicamente depois que o médico assumiu a causa, e que ele trouxe para ela os nomes mais influentes da sociedade local.6
A notícia da Proclamação da República chegou pelo correio na tarde de 17 de novembro de 1889. No mesmo dia, o Partido Republicano aclamou no Largo dos Passos um governo provisório de três membros: Xavier Lisboa, o farmacêutico Julião Florêncio Meyer Júnior e o industrial Luís Dias Pereira.78 O triunvirato exigiu da Câmara o arquivo e o cofre. Em 19 de novembro, a Câmara presidida pelo coronel Antônio José Rennó decidiu aderir à República e deu posse ao governo provisório.910
O governo durou poucos dias. Em 29 de novembro o Partido Republicano elegeu um diretório e considerou o triunvirato extinto. Xavier Lisboa e Meyer Júnior publicaram em dezembro que continuavam governo até serem exonerados pelo governador de Minas, e Luís Dias Pereira respondeu pelo jornal A Verdade que os dois tinham votado na criação do novo diretório sem protestar.119 Em fevereiro de 1890, presidindo a Câmara, Xavier Lisboa mandou comprar cem barris de banha americana para vender a preço de custo à população, contra a alta que os vendedores de carne de porco tinham provocado.12 Em 1892 entrou no diretório da União Republicana, fundada na casa do coronel João Carneiro Santiago Júnior.13
O médico da cidade
Seção intitulada “O médico da cidade”O governo do estado nomeou Xavier Lisboa delegado de higiene de Itajubá em setembro de 1892, e dois meses depois ele foi nomeado delegado vacinador.14 Foi também médico municipal e diretor da higiene municipal. Nessa função, deu parecer favorável ao uso da água do Rio Sapucaí para ampliar o abastecimento da cidade: “sem água abundante e boa não há higiene”, escreveu à Câmara.15 Em 1902, a Câmara consultou o médico sobre o risco de abrir o antigo cemitério do Rosário, onde estavam enterradas as vítimas da varíola de 1874.16
Em 10 de outubro de 1900, Xavier Lisboa participou da reunião, na casa do coronel João Carneiro Santiago Júnior, em que os beneméritos da cidade assumiram a Sociedade Beneficente Itajubense e a transformaram na Santa Casa de Misericórdia. Foi o primeiro médico da instituição.1718 Na epidemia de gripe espanhola de 1918, Armelim Guimarães o cita entre os médicos que atenderam a população pobre do município.19
Em 1905 a Câmara deu o nome dele à Rua dos Remédios, em homenagem ao “médico humanitário”, quando ele tinha 45 anos.3
O benfeitor
Seção intitulada “O benfeitor”Xavier Lisboa foi diretor da Companhia Industrial Sul-Mineira e do Banco de Itajubá.1 Ajudou a financiar a Escola de Farmácia e de Odontologia de Itajubá, fundada em 1925.20 Integrou a comissão que construiu a nova Igreja Matriz a partir de 1926 e deu o altar do Sagrado Coração de Jesus, inaugurado em 28 de junho de 1931.21
A cidade deu o nome dele à Maternidade Xavier Lisboa, construída ao lado da Santa Casa por iniciativa do médico Gaspar Lisboa. A pedra fundamental foi lançada em 8 de setembro de 1941, e o próprio Xavier Lisboa discursou na inauguração, em 25 de dezembro de 1944.2223 Em 1951, os médicos da cidade o escolheram presidente de honra da seção regional da Associação Médica de Minas Gerais.24
Morou na Rua Coronel Rennó, em frente ao prédio do Instituto Eletrotécnico, numa casa que tinha sido residência paroquial e que em 1987 ainda guardava na sala de visitas os afrescos pintados por Antônio Domingos Pimenta em 1892.2526 Morreu em 9 de março de 1957.2 O Grupo Escolar Dr. Xavier Lisboa, criado em 1965, também leva o nome dele.27
Ver também
Seção intitulada “Ver também”- Santa Casa de Misericórdia
- Sociedade Beneficente Itajubense
- Rua Coronel Rennó
- Desenvolvimento Político e Urbano
Footnotes
Seção intitulada “Footnotes”-
Armelim Guimarães. Construtores de Itajubá. 1975, p. 54. ↩ ↩2 ↩3 ↩4
-
Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 9 de março de 1957. ↩ ↩2
-
Memorial da Câmara Municipal de Itajubá: Desenvolvimento Urbano (1892–1930). Itajubá, 2012, capítulo sobre a memória nos nomes das ruas. ↩ ↩2
-
Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, capítulo sobre os médicos, com base em A Verdade de 10 de janeiro de 1891. ↩
-
Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1972, p. 82. ↩
-
Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 265. ↩
-
Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 267. ↩
-
Resumo Didático da História de Itajubá. 2000, p. 58. ↩
-
Memorial da Câmara Municipal de Itajubá: Regime Republicano (1889–1930). Itajubá, 2012, capítulo sobre o governo provisório de 1889. ↩ ↩2
-
Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1972, p. 80. ↩
-
Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 272. ↩
-
Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 224. ↩
-
Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 274. ↩
-
Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 512. ↩
-
Memorial da Câmara Municipal de Itajubá: Desenvolvimento Urbano (1892–1930). Itajubá, 2012, parecer do Dr. Xavier Lisboa sobre a água do rio Sapucaí. ↩
-
Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 510 e 541. ↩
-
Resumo Didático da História de Itajubá. 2000, p. 63. ↩
-
Memória de Itajubá e da Obra de Theodomiro: a Pedra e a Fonte. 1999, legenda sobre a Sociedade Beneficente Itajubense. ↩
-
Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 511. ↩
-
Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 400. ↩
-
Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 574. ↩
-
Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 519. ↩
-
Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 25 de dezembro de 1944. ↩
-
Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 524. ↩
-
Armelim Guimarães. Itajubá e Sua História (I Parte). 1998, legenda da foto do início da Rua Cel. Rennó. ↩
-
Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 428. ↩
-
Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 1965 sobre a criação do Grupo Escolar Dr. Xavier Lisboa. ↩
No acervo fotográfico
4 fotografias do acervo da História de Itajubá , em ordem de data.