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Fructuoso Ramos de Lima

Fructuoso Ramos de Lima, comerciante português radicado em Itajubá, foi solicitador, político conservador e fundador do jornal A Verdade, que circulou de 1886 a 1945. Chegou à cidade em 1861 como empregado do comércio, abriu loja própria, estudou por conta própria e passou a advogar como solicitador de causas. Presidiu o Conselho Distrital da cidade de 1895 a 1897 e morreu em 2 de outubro de 1917.1234

Fructuoso nasceu em Portugal em 24 de outubro de 1842 e veio para o Brasil aos treze anos. Chegou a Itajubá em 1861, como empregado de uma casa comercial, e logo teve o próprio negócio. Em 1862 casou com D. Ana Maria de Jesus Lima, e naturalizou-se brasileiro.15 O filho, Luís Ramos de Lima, nascido em 3 de julho de 1872, foi maestro e compositor; o cunhado Feliciano José Pinto da Silva foi músico, poeta e pintor.67

Na loja dele se vendiam ferragens, armarinho, tecidos e chapéus, máquinas de costura Singer e Nothmann e espingardas Laport. Plantava cana e produzia álcool, cachaça e rapadura.89 Em 1874 hospedou em casa o relojoeiro alemão André Schimidt, recém-chegado.10 Em 1884 comprou da Câmara, por 100 mil réis, o material aproveitável da Quitanda, o velho mercado do Largo dos Passos.11

Nas horas de folga, estudava. Abriu escritório de advocacia e trabalhou como solicitador de causas, tanto por conta própria quanto nomeado para o Fórum da Comarca; em 1915 morava na Rua Dr. Américo de Oliveira.1412 Serviu também como promotor interino e, em 1892, como inspetor escolar do Círculo Literário.1314

Em 4 de março de 1886 circulou o primeiro número de A Verdade. As Efemérides o chamam de fundador e diretor do jornal; a História de Itajubá lista quatro fundadores: Fructuoso, o coronel Joaquim Francisco Pereira Júnior, o capitão Antônio José Leite e Antônio José Pinto da Silva.152 Em 17 de maio de 1888, A Verdade dedicou a primeira página inteira à Lei Áurea, três dias antes de O Itajubá, com o poema “Liberdade”, de Sebastião Maggy Salomon.16 Uma legenda de 1999 inclui Fructuoso, com Aureliano Moreira Magalhães, entre os abolicionistas mais atuantes da cidade.17

A primeira fase do jornal terminou em 25 de junho de 1896. Em 5 de agosto de 1917, Fructuoso fez A Verdade reaparecer e morreu menos de dois meses depois. O neto, o historiador José Ernani de Lima, tocou a segunda fase com o maestro Luís Ramos de Lima e Geraldino Furtado de Medeiros até 25 de julho de 1920. O bisneto José de Lima Medeiros dirigiu a terceira, de 8 de janeiro de 1939 a 5 de agosto de 1945.218

Em 6 de janeiro de 1873, quando a Sociedade Recreio Dramático inaugurou o Teatro Santa Cecília, Fructuoso fez o papel de Adriano; as moças ainda não subiam ao palco.19 As Efemérides de 1972 datam a fundação do Recreio Dramático de 1º de janeiro de 1874, com Fructuoso como primeiro presidente, embora a sociedade já tivesse se apresentado na inauguração do teatro. A História de Itajubá registra uma diretoria presidida por ele e a passagem da presidência, no mesmo ano, a Joaquim Francisco Pereira Júnior.2021 Em 7 de setembro de 1884 falou em nome da sociedade na inauguração do Mercado Municipal.22

Fundou o Colégio São Paulo com João Dalle Afflalo e Christiano Pereira Brasil, por volta de 1880.2324 Foi vice-presidente do primeiro Clube Literário e Recreativo Itajubense, antecessor do Clube Itajubense, fundado em 19 de agosto de 1880 segundo a História de Itajubá, ou em 1879 segundo a Sinopse.2526

Fructuoso filiou-se ao Partido Conservador em 1868 e, em 1885, festejou com o coronel Antônio José Rennó a subida do gabinete conservador de Cotegipe.2728 Em 1888 era subdelegado de polícia da cidade.29 Em 1º de janeiro de 1884, na inauguração dos lampiões a querosene, falou em nome do povo e felicitou a Câmara pelo primeiro ano de mandato.30

Na República entrou para a União Republicana, fundada em 1892, e integrou a comissão que redigiu os estatutos do partido.3132 No mesmo ano foi eleito conselheiro do Conselho Distrital da cidade, e no triênio de 1895 a 1897 presidiu o conselho, cargo que acumulava a função de agente executivo do distrito.33334 Em 1896 contratou Tobias Pereira dos Santos para recolher o lixo da cidade em carroças aos sábados e propôs que o imposto sobre as vacas soltas nas ruas virasse licença anual.3536 Construtores de Itajubá e as listas de Armelim Guimarães o contam entre os agentes executivos municipais; a mesma História de Itajubá, porém, dá o coronel Francisco Brás Pereira Gomes como presidente da Câmara e agente executivo municipal naquele triênio.1373

Fructuoso participou das comissões da cidade: a que revisou o regulamento do novo cemitério, em 1889, a que estudou o arrasamento do cemitério velho, em 1902, e a que preparou a fundação do Ginásio de Itajubá, em 1904.383940 Em 1903, os comerciantes, agricultores e industriais do município o elegeram por aclamação delegado ao Congresso Agrícola, Comercial e Industrial de Minas.41 Falou na inauguração da Santa Casa, em 1904, e esteve na sessão que inaugurou a luz elétrica, em 1907.4243

Fructuoso morreu em 2 de outubro de 1917. A pedido do vereador Thiago Carneiro Santiago, que destacou o trabalho dele como solicitador do Fórum, a Câmara aprovou por unanimidade um voto de pesar.184 Na casa dele havia uma tela antiga com a vista do Itajubá primitivo, e O Município de Itajubá, de 1915, reproduziu uma cópia dela feita por Luís Teixeira. Luís Teixeira também o pôs, com Justino Paulistano de Olivas e Maria Teixeira, na aquarela da estação da Praça Pereira dos Santos.4445

  1. Armelim Guimarães. Construtores de Itajubá. 1975, p. 20. ↩ ↩2 ↩3 ↩4

  2. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 406. ↩ ↩2 ↩3

  3. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 302. ↩ ↩2 ↩3

  4. Memorial da Câmara Municipal de Itajubá: Desenvolvimento Urbano (1892–1930). Itajubá, 2012, capítulo sobre a memória nos nomes das ruas e nas homenagens. ↩ ↩2 ↩3

  5. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 157. ↩

  6. Armelim Guimarães. Construtores de Itajubá. 1975, p. 43. ↩

  7. Armelim Guimarães. Construtores de Itajubá. 1975, p. 48. ↩

  8. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 225. ↩

  9. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 330. ↩

  10. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 231. ↩

  11. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 235. ↩

  12. O Município de Itajubá. 1915, p. 142. ↩

  13. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 364. ↩

  14. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 371. ↩

  15. Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1972, p. 16. Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 4 de março de 1886. ↩

  16. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 172. ↩

  17. Memória de Itajubá e da Obra de Theodomiro: a Pedra e a Fonte. 1999, legenda sobre a abolição em Itajubá. ↩

  18. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 407. ↩ ↩2

  19. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 431. ↩

  20. Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1972, p. 3. ↩

  21. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 433. ↩

  22. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 234. ↩

  23. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 374. ↩

  24. Armelim Guimarães. Sinopse da História de Itajubá. 1966, p. 51. ↩

  25. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 454. ↩

  26. Armelim Guimarães. Sinopse da História de Itajubá. 1966, p. 32. ↩

  27. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 262. ↩

  28. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 251. ↩

  29. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 173. ↩

  30. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 474. ↩

  31. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 275. ↩

  32. Memorial da Câmara Municipal de Itajubá: Regime Republicano (1889–1930). Itajubá, 2012, anexo 6, sobre o partido União Republicana. ↩

  33. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 301. ↩

  34. O Município de Itajubá. 1915, p. 55 e 56. ↩

  35. Memorial da Câmara Municipal de Itajubá: Desenvolvimento Urbano (1892–1930). Itajubá, 2012, capítulo sobre a limpeza pública. ↩

  36. Memorial da Câmara Municipal de Itajubá: Desenvolvimento Urbano (1892–1930). Itajubá, 2012, capítulo sobre os animais soltos nas ruas. ↩

  37. Armelim Guimarães. Sinopse da História de Itajubá. 1966, p. 4. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 321. ↩

  38. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 537. ↩

  39. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 541. ↩

  40. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 383. ↩

  41. Memorial da Câmara Municipal de Itajubá: Ordenamento Social (1849–1930). Itajubá, 2012, capítulo sobre o trabalho e a mão de obra. ↩

  42. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 516. ↩

  43. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 477. ↩

  44. O Município de Itajubá. 1915, p. 66. ↩

  45. Armelim Guimarães. Itajubá e Sua História (II Parte). 1999, p. 103. ↩

No acervo fotográfico

2 fotografias do acervo da História de Itajubá , em ordem de data.

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