Rua Dr. João de Azevedo
A Rua Dr. João de Azevedo é uma rua do centro de Itajubá que sai da Praça Teodomiro Santiago e que antes se chamou Rua do Esgoto e Rua Major Pereira. O nome atual homenageia o médico, político e jornalista João Sebastião Ribeiro de Azevedo.123
Os nomes
Seção intitulada “Os nomes”A ata da Câmara de 8 de janeiro de 1852, que registrou os primeiros nomes das ruas da vila a partir das designações populares, já traz uma Rua do Esgoto e uma Travessa do Esgoto.4 A legenda de um mapa da cidade desenhado por Luiz Teixeira e datado de 1888 identifica a Rua do Esgoto como a atual Rua Dr. João de Azevedo, que terminava no morro de São Benedito.2 Anúncios da Gazeta Comercial de 1880 e 1881, porém, já citam a Rua Major Pereira.5
Segundo Armelim Guimarães, a Rua Major Pereira homenageava o major Francisco José Pereira, do século XIX, pai de D. Lucinda Santiago e avô de Theodomiro Carneiro Santiago. Algumas legendas de Itajubá e Sua História escrevem Rua Major João Pereira, e o autor esclarece que o nome era o do antigo major Pereira.16 O álbum O Município de Itajubá, de 1915, descreve o homenageado como itajubense falecido, de família tradicional.7 As fontes consultadas não dizem quando a rua passou a se chamar Dr. João de Azevedo.
O Dr. João de Azevedo
Seção intitulada “O Dr. João de Azevedo”João Sebastião Ribeiro de Azevedo doutorou-se em medicina em 1914. Ainda estudante, ajudou o médico Xavier Lisboa no atendimento aos doentes da Santa Casa. Foi vereador, agente executivo municipal em 1927 e fundador, diretor e redator do jornal A Voz do Povo, cujo primeiro número saiu em 16 de abril de 1950. Morreu em 19 de janeiro de 1966.3
Ele morou na própria rua, numa casa construída por Moisés Luigi para Luiz Dias Pereira, seu primeiro morador. A casa foi demolida, e no terreno se ergueu um prédio de quatro andares com lojas no térreo.8910
O caminho da estação
Seção intitulada “O caminho da estação”Em 1891, a rua que ligava a estação provisória da estrada de ferro ao início da Rua Major Pereira recebeu o nome de Rua Cesário Alvim, em homenagem ao governador que foi à inauguração da ferrovia.11 Em 1892, um editorial do jornal A Verdade reclamava que o acesso à estação se fazia só pela Rua da Estação e pela Rua Major Pereira, e que com pouca chuva o trânsito desde o centro ficava dificílimo, com lama sobre as pedras até nos trechos calçados.12
A capela de São Benedito
Seção intitulada “A capela de São Benedito”Em 1896, a comissão de obras da capela de São Benedito pediu licença para construir a igreja num terreno em frente à Rua Major Pereira, junto ao morro. O agente executivo Francisco Braz Pereira Gomes consultou o Conselho Distrital da cidade sobre a possibilidade de abrir no futuro um túnel no morro. Em 20 de abril, o conselho julgou o túnel “irrealizável”, afirmou que o morro jamais seria atravessado ou arrasado e autorizou a capela, com a condição de fechar o adro com um gradil.13
No início do século XX, uma pequena capela de São Benedito foi erguida na Rua Eugênio Sales, de frente para a atual Rua Dr. João de Azevedo. Em 1905, a ex-escrava Inês Maria de Jesus recolheu esmolas e as entregou a José Rennó Pereira, que pagou com elas o pedreiro Jeremias Rennó, e a capela foi bastante ampliada. A inauguração foi em 1907.1415 Em 1915, O Município de Itajubá a localizava no extremo da Rua Major Pereira.7 Em 1926, com a demolição da velha Matriz, a capela serviu de matriz provisória.16
O morro de São Benedito já não existe: em 24 de fevereiro de 1920 começaram, sob a direção de Fritz Hoffmann, as obras de desmonte com jatos de água, para formar o bairro do Morro Chique.1714 A legenda de uma fotografia na Memória de Itajubá e da Obra de Theodomiro situa a capela na confluência da rua com a Praça Luiz Dias. A capela foi demolida para prolongar a rua, e no lugar dela ficou uma rampa íngreme de acesso ao Morro Chique. Itajubá e Sua História conta a demolição depois da construção da nova igreja de São Benedito, na Rua José Joaquim, consagrada em 30 de maio de 1946; a legenda da Memória dá o ano de 1940.181519
Comércio e serviços
Seção intitulada “Comércio e serviços”Nas décadas de 1880 e 1890, a oficina de objetos de flandres e caldeiraria de Vicente Lamoglia, Irmão & Cia. funcionava no número 22 da Rua Major Pereira, e no século XIX também esteve ali a Olaria Italiana de Estêvão Donato Carelli.2021 A rua teve ainda a tabacaria de Almeida & Dias, com fábrica própria de charutos e cigarros, e, por algum tempo, o Hotel Barbosa.2223 Em 1903, o professor Carmo Cascardo mantinha ali o Externato Itajubense.24 No começo do século XX vieram a fábrica de bebidas de Henrique Beckmann e a marmoraria do escultor italiano Gonippo Puliti, que se mudou para a rua pouco depois de 1908.2526 A agência do Correio também passou pela rua.27
Em 1º de janeiro de 1912, a Companhia Industrial Sul-Mineira inaugurou na esquina com a Rua Silvestre Ferraz a sua Seção Bancária, o primeiro estabelecimento bancário de Itajubá, que logo virou o Banco de Itajubá. Em 16 de agosto de 1950 o prédio passou a abrigar o Banco da Lavoura de Minas Gerais, e depois o Banco Real.610 O álbum de 1915 citava o palacete da Companhia Industrial, na Rua Major Pereira, entre os prédios de bela fachada da cidade.28
Numa fotografia de 1934, tomada da atual Praça Wenceslau Brás, aparecem na rua a loja A Liberty, a sede do Banco de Itajubá, a casa de Olyntho Carneiro Villela e a barbearia de Vicente Gesualdi, que tinha seis cadeiras e funcionou até quase o fim da década de 1940.19 Outras vistas mostram a Drogaria do farmacêutico Florival Xavier, a Casa Vera Cruz, a agência do Banco Nacional de Minas Gerais e o Cine Presidente, construído por Airton Rennó Pinto.293031 No trecho da praça ficavam o Cine-Teatro Apolo, a residência do Major João Antônio Pereira e o Grande Hotel.1932 Ao fundo de duas vistas da rua, depois de um jardim, aparece a casa do major Severiano Ribeiro Cardoso, vereador e prefeito, onde depois se instalou a Caixa Econômica Federal.3033
Ver também
Seção intitulada “Ver também”Footnotes
Seção intitulada “Footnotes”-
Armelim Guimarães. Itajubá e Sua História (II Parte). 1999, p. 21. ↩ ↩2
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Memória de Itajubá e da Obra de Theodomiro: a Pedra e a Fonte. 1999, legenda do mapa da cidade. ↩ ↩2
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Armelim Guimarães. Construtores de Itajubá. 1975, p. 45. ↩ ↩2
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Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 121. ↩
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Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 528. ↩
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Armelim Guimarães. Itajubá e Sua História (II Parte). 1999, p. 89 e 90. ↩ ↩2
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O Município de Itajubá. 1915, texto reproduzido em Memória de Itajubá e da Obra de Theodomiro: a Pedra e a Fonte. 1999. ↩ ↩2
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Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 13 de dezembro de 1941. ↩
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Armelim Guimarães. Itajubá e Sua História (II Parte). 1999, p. 20 e 21. ↩
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Armelim Guimarães. Itajubá e Sua História (II Parte). 1999, p. 86. ↩ ↩2
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Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 214. ↩
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Memorial da Câmara Municipal de Itajubá: Desenvolvimento Urbano (1892–1930). Itajubá, 2012, capítulo sobre a urbanização, editorial de A Verdade de 1892. ↩
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Memorial da Câmara Municipal de Itajubá: Desenvolvimento Urbano (1892–1930). Itajubá, 2012, capítulo sobre a urbanização, ofício de 15 de abril de 1896 e parecer do Conselho Distrital. ↩
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Armelim Guimarães. Itajubá e Sua História (I Parte). 1998, legenda da foto da primeira igreja de São Benedito. ↩ ↩2
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Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 574. ↩
-
Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 24 de fevereiro de 1920. ↩
-
Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 578. ↩
-
Memória de Itajubá e da Obra de Theodomiro: a Pedra e a Fonte. 1999, p. VIII, legenda da foto 9. ↩ ↩2 ↩3
-
Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 230. ↩
-
Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 343. ↩
-
Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 227. ↩
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Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 228. ↩
-
Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 380. ↩
-
Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 344. ↩
-
Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 430. ↩
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Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 453. ↩
-
O Município de Itajubá. 1915, p. 130. ↩
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Armelim Guimarães. Itajubá e Sua História (II Parte). 1999, p. 32. ↩
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Armelim Guimarães. Itajubá e Sua História (II Parte). 1999, p. 88. ↩ ↩2
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Armelim Guimarães. Itajubá e Sua História (II Parte). 1999, p. 90. ↩
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Armelim Guimarães. Itajubá e Sua História (I Parte). 1998, legenda da foto da Rua Dr. João de Azevedo com o Cine-Teatro Apolo. ↩
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Armelim Guimarães. Itajubá e Sua História (II Parte). 1999, p. 91. ↩
No acervo fotográfico
12 fotografias do acervo da História de Itajubá , em ordem de data.
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Rua Dr. João de Azevedo, antiga Rua Major Pereira1914 -
Cine Apolo na praça Cesário AlvimDécada de 1920 -
Rua Dr. João de Azevedo e cinema ApoloDécada de 1930 -
Enchente de 19401940 -
Enchente1945 -
Vista da Rua Dr. João de Azevede sentido praça Theodomiro Santiago1945 a 1953 -
Enchente1957 -
Enchente de 19571957 -
Enchente de 195717/01/1957 -
Visão da praça Teodomiro Santiago com Grande Hotel, Cine Apolo e Hotel Centenário1969 -
Residência do Dr. João Sebastião Ribeiro de AzevedoDécada de 1990 -
Enchente em 19911991