Rua Coronel Rennó
A Rua Coronel Rennó começa no alto da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Soledade e atravessa o centro de Itajubá. Foi uma das duas primeiras ruas do povoado, chamou-se Rua dos Passos e Rua Direita, e recebeu em 1894 o nome do coronel Antônio José Rennó.12
Rua dos Passos, Rua Direita
Seção intitulada “Rua dos Passos, Rua Direita”Os homens que fundaram a cidade com o Padre Lourenço da Costa Moreira abriram duas ruas: uma estreita, da beira do rio ao altar da primeira missa, e outra mais larga, que descia do outeiro até a baixada onde o vigário improvisou uma praça, o Largo dos Passos. A segunda ganhou o nome de Rua dos Passos.1 Cerca de dez anos depois da fundação, os moradores alargaram e retificaram a rua e dobraram seu comprimento até o cemitério do Largo do Rosário. Desde então ela se chamou Rua Direita.34 A Câmara registrou esse nome em 8 de janeiro de 1852, quando fez a primeira lista oficial das vias da vila: “Rua da Igreja ou Rua Direita”.5
O nome Rua Direita designava a rua principal. O historiador Diogo de Vasconcelos explica que as vilas mineiras davam esse nome à rua que levava os fiéis à matriz, e o tradutor Clado Ribeiro Lessa lembra que a palavra vem de “direta”, no sentido de rua que conduz ao centro.4
Na ponta de cima ficavam o Largo do Rosário e a capela de Nossa Senhora do Rosário, de onde partia o congado todo 6 de janeiro, no encontro com a atual Rua Pedro Bernardo Guimarães.6 A paróquia demoliu a capela em 1894, quando o cemitério ao lado já estava fechado.7 Em 1889, um edital do coronel Antônio José Rennó, então agente executivo, proibiu enterros no cemitério velho.8 Em 1902, o vereador José Manso Pereira Cabral propôs usar o terreno do antigo cemitério para prolongar a rua, e o médico Xavier Lisboa discutiu na Câmara o risco de abrir o chão onde estavam enterradas as vítimas da varíola de 1874.9
A Câmara decidiu em 26 de julho de 1860 começar o calçamento da cidade pela Rua Direita, e foi essa a primeira rua calçada de Itajubá.1011 As pedras irregulares do chamado pé de moleque ainda aparecem nas fotografias de 1920.12 Alfredo Moreira Pinto, que visitou a cidade em 1899, anotou que a Rua Coronel Rennó era a mais importante: calçada, comprida, limpa, alta nas pontas e com uma depressão no meio, com a Matriz no começo e o cemitério velho no fim.6
O coronel Rennó
Seção intitulada “O coronel Rennó”Antônio José Rennó foi fazendeiro, chefe político e duas vezes agente executivo do município. Presidiu a Comissão Libertadora de 1888 e, segundo Armelim Guimarães, libertou os 78 escravos que possuía; o Memorial da Câmara registra que os fazendeiros da freguesia da Vila, reunidos por ele, condicionaram a liberdade a meses de trabalho.1314 Em 19 de novembro de 1889, presidiu a reunião em que a Câmara decidiu aderir à República.15 Morreu em 14 de março de 1894.16
Em junho daquele ano, o vereador Fructuoso Fortunato Rodrigues Júnior pediu urgência para trocar o nome da Rua Direita por Rua Coronel Rennó, e a Câmara aprovou por unanimidade. O vereador Antônio Pinto de Noronha Sobrinho acrescentou uma autorização para trocar a placa na hora. A Câmara negociava na mesma época com os herdeiros do coronel o uso de um manancial das terras dele para abastecer a cidade.2
As casas da rua
Seção intitulada “As casas da rua”No alto, junto à Matriz, ficava a casa em que morou o coronel Rennó. Theodomiro Carneiro Santiago comprou o prédio e instalou nele o Instituto Eletrotécnico e Mecânico de Itajubá, que começou as aulas em 1º de março de 1913.1718 O prédio abriga hoje o Museu e a Fundação Theodomiro Santiago, e desde 1964 guarda os restos mortais do fundador, trazidos do Rio de Janeiro por iniciativa do Rotary Club.1920 Em frente morava o médico Antônio Maximiano Xavier Lisboa, numa casa que já tinha sido a residência paroquial: o Cônego Augusto Leão Quartin encomendou em 1892 ao pintor Antônio Domingos Pimenta os afrescos da sala de visitas.1821
Na esquina com a Rua Santos Pereira ficava o casarão onde D. Amélia Braga morou com o marido, Miguel Carlos da Silva Braga. Em 1907 ela o cedeu às Irmãs da Providência, que ali abriram o primeiro colégio da congregação em Itajubá, origem da Escola Normal Sagrado Coração de Jesus. O prédio recebeu depois o Ginásio de Itajubá.2223 Numa das esquinas com a Rua Santos Pereira morava, em 1915, o juiz de direito Luiz Rennó.24
Descendo a rua, na esquina com a antiga Travessa Santa Cecília, hoje Rua Olavo Bilac, funcionou por cerca de 45 anos o Teatro Santa Cecília, inaugurado em 6 de janeiro de 1873.2526 Na esquina com a Travessa Municipal, hoje Rua Comendador Schumann, Arlindo Vieira Goulart abriu em 2 de maio de 1897 a Sociedade Beneficente Itajubense, enfermaria para doentes pobres que em 10 de outubro de 1900 virou a Santa Casa de Misericórdia.27
A rua teve escolas, como o Externato São José das irmãs Francisca e Joaquina Cabral, reaberto em 1902, e a escola de trabalhos de agulha de Maria Sophia Schumann.28 Teve alfaiatarias e barbearias: em 1885 Sebastião Gonçalves Grilo mantinha na Rua Direita o Salão Popular Itajubense, o mais bem montado da cidade.29 O telégrafo funcionou por muitos anos na casa vizinha ao Cine Apolo.30
Na esquina com a praça, o sobrado do coronel João Rennó, comerciante e fazendeiro, abrigou o Ginásio de Itajubá antes de dar lugar ao Cine-Teatro Apolo.31 Na esquina oposta, onde a Princesa Isabel se hospedou em 1868, o Major João Antônio Pereira construiu seu palacete; hoje está ali o Hotel Centenário.32 Em 26 de junho de 1932, os operários da Companhia Industrial Sul-Mineira desfilaram com banda de música até essa casa para homenagear o major, diretor da empresa.33
A rua como palco
Seção intitulada “A rua como palco”A rua levava à Matriz, e a cidade a usava para as festas religiosas e cívicas. Em 7 de setembro de 1922, no centenário da Independência, o fotógrafo Numa Viallet registrou a missa campal no início da rua, com os soldados do 4º Batalhão de Engenharia formados na calçada.34 Em 1988, quando a imagem peregrina de Nossa Senhora de Fátima chegou de Portugal, milhares de fiéis fizeram fila na Rua Coronel Rennó para vê-la.35
A vista de 1897 de François Soucaseaux, com o Teatro Santa Cecília à esquerda e a Matriz sem torre ao fundo, serviu de modelo à tela de Agostinho Nogueira Bernardo Guimarães que ilustra a capa da História de Itajubá de 1987.36 O acervo reúne essas vistas, entre elas uma tirada do alto da torre da Matriz, ao lado do sino grande.37
Ver também
Seção intitulada “Ver também”- Igreja Matriz de Nossa Senhora da Soledade
- Praça Teodomiro Santiago
- Teatro Santa Cecília
- Ruas, Bairros e Lugares Notáveis
Footnotes
Seção intitulada “Footnotes”-
Memorial da Câmara Municipal de Itajubá: Desenvolvimento Urbano (1892–1930). Itajubá, 2012, capítulo sobre a memória nos nomes das ruas. ↩ ↩2
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Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 66. ↩
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Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 122 e 123. ↩ ↩2
-
Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 121. ↩
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Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 577. ↩
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Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 22 de março de 1889. ↩
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Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 510. ↩
-
Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1972, p. 51. ↩
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Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 123. ↩
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Memória de Itajubá e da Obra de Theodomiro: a Pedra e a Fonte. 1999, legenda das vistas da Rua Cel. Rennó em 1914 e 1920. ↩
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Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 170. ↩
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Memorial da Câmara Municipal de Itajubá: Formação do Município (1849–1889). Itajubá, 2012, capítulo sobre os fazendeiros e a extinção da escravidão. ↩
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Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 19 de novembro de 1889. ↩
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Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 14 de março de 1894. ↩
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Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 394. ↩
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Armelim Guimarães. Itajubá e Sua História (I Parte). 1998, legenda da foto do início da Rua Cel. Rennó. ↩ ↩2
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Armelim Guimarães. Itajubá e Sua História (I Parte). 1998, legenda da foto do Instituto Eletrotécnico e Mecânico. ↩
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Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 1964 sobre a trasladação dos restos de Teodomiro Santiago. ↩
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Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 428. ↩
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Armelim Guimarães. Itajubá e Sua História (II Parte). 1999, p. 24. Armelim Guimarães. Itajubá e Sua História (I Parte). 1998, legenda da foto da antiga Matriz vista da Rua Cel. Rennó. ↩
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Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1972, p. 46. ↩
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O Município de Itajubá. 1915, lista das autoridades da comarca. ↩
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Memória de Itajubá e da Obra de Theodomiro: a Pedra e a Fonte. 1999, legenda da foto 6. ↩
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Resumo Didático da História de Itajubá. 2000, p. 53. ↩
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Resumo Didático da História de Itajubá. 2000, p. 62. Armelim Guimarães. Itajubá e Sua História (II Parte). 1999, p. 67. O Município de Itajubá (1915) também dá 1897; a História de Itajubá (1987, p. 512) e Itajubá e Sua História (I Parte, 1998) dão 2 de maio de 1887. ↩
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Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 374 e 380. ↩
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Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 229. ↩
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Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 446. ↩
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Memória de Itajubá e da Obra de Theodomiro: a Pedra e a Fonte. 1999, legenda da foto 1. ↩
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Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 157. Armelim Guimarães. Itajubá e Sua História (II Parte). 1999, p. 21. ↩
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Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1972, p. 44. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 279. ↩
-
Armelim Guimarães. Itajubá e Sua História (I Parte). 1998, legenda da foto da missa campal de 1922. ↩
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Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 1988 sobre a imagem peregrina de Nossa Senhora de Fátima. ↩
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Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, nota da capa. ↩
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Armelim Guimarães. Itajubá e Sua História (II Parte). 1999, p. 90. ↩
No acervo fotográfico
34 fotografias do acervo da História de Itajubá , em ordem de data; aqui as 12 primeiras.
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Vista de Itajubá nos anos 18801880 a 1890 -
Trecho da Rua Direita (ora Cel. Rennó), vendo-se a igreja Matriz da Paróquia de N.S. da SoledadeDécada de 1890 -
Pintura do Teatro Santa Cecilia e Matriz1897 -
Pintura do Teatro Santa Cecilia e Matriz1897 -
Rua Cel Rennó, Teatro Santa Cecília e Matriz em 18971897 -
Sociedade Beneficente Itajubense1897 -
Teatro Santa Cecília, e a Matriz ao fundo1897 -
Ginásio de ItajubáDécada de 1900 -
4º igreja Matriz da Paróquia de N.S. da Soledade, construída por Moysés Luigi, durante o paroquiato do Cônego José Salomon.Década de 1910 -
Igreja Matriz nos anos 1910Década de 1910 -
Matriz, à hora da saída da missaDécada de 1910 -
Rua Cel Rennó e Matriz1910 a 1915