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Fábrica de Chapéus de Feltro

A Fábrica de Chapéus de Feltro foi a fábrica da Companhia Manufatora Progresso de Itajubá, fundada em 24 de agosto de 1913 por José Francisco de Faria Júnior, João Gomes de Lima e Narciso José Brasil. Produzia chapéus de feltro, de pelo de castor e de lebre, de lã e de palha, e também chapéus de sol. O prédio da fábrica ficava na Praça Wenceslau Brás.123

Segundo Armelim Guimarães, a fabricação de chapéus em Itajubá começou em 1870, com a fábrica de Agostinho Pereira Leite, que também fazia cartolas e bonés. No começo do século XX instalou-se a fábrica de Eduardo Osino, ou Ursini, que ainda aparece na lista de indústrias da cidade em 1915.14

A Companhia Manufatora Progresso de Itajubá foi organizada como sociedade anônima, com sede na cidade, para fabricar e vender chapéus de pelo, lã e palha e chapéus de sol. José Francisco de Faria Júnior era o diretor-presidente, e João Gomes de Lima e Narciso José Brasil completavam a diretoria.56 O álbum O Município de Itajubá, de 1915, publicou o retrato dos três e chamou a companhia de um dos estabelecimentos industriais mais importantes do país e, talvez, o mais completo do gênero em Minas Gerais.65

A direção técnica ficou com Antônio Schmutzer e Carlos Müller.1 Müller, polonês, filho de alemão, tinha se especializado em fábricas de chapéus da Europa e trabalhava numa indústria do ramo em São Paulo quando, em 1913, aceitou um convite de Wenceslau Braz e veio para Itajubá.7

Em 1915, a fábrica ocupava 1.584 metros quadrados e trabalhava com máquinas elétricas de procedência italiana e norte-americana. A matéria-prima vinha da França, da Inglaterra e da Bélgica, e a fábrica estava aparelhada para produzir 600 chapéus por dia.4 O álbum daquele ano lista dezenas de máquinas, entre elas as de enformar, prensar e engomar os chapéus e as de fazer caixas de papelão, e descreve o serviço interno dividido em duas seções, a de preparação e a de acabamento.5 A energia vinha do serviço hidroelétrico da Companhia Industrial Sul-Mineira.84

Armelim Guimarães reproduziu em Itajubá e Sua História fotografias do prédio e das instalações, entre elas uma das oficinas e a sala de embalagem.97

Na exposição de 1922, a fábrica recebeu o Grande Prêmio. Mais tarde, José Brás e João Brás Pereira Gomes foram diretores da companhia, e Isaltino R. Caldas, Severiano Ribeiro Cardoso e José Teotônio fizeram parte da diretoria.1

Fotografias da Praça Wenceslau Brás das décadas de 1930 e 1940 mostram o prédio da fábrica.1011 O Partido Progressista fazia suas reuniões numa sala da antiga fábrica.12 Em 1948, o prédio onde ela tinha funcionado virou sede da Associação da Mocidade Itajubense, inaugurada em 22 de outubro daquele ano com a presença do governador Milton Campos.3 As fontes consultadas não registram quando a fábrica fechou. Armelim Guimarães a lembra, no fim do século XX, entre as fábricas notáveis do passado da cidade, de uma época em que “homem nenhum andava de cabeça descoberta”.1314

  1. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 346. ↩ ↩2 ↩3 ↩4

  2. Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1972, p. 58. Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 24 de agosto de 1913. ↩

  3. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 461. ↩ ↩2

  4. O Município de Itajubá. 1915, texto reproduzido em Memória de Itajubá e da Obra de Theodomiro: a Pedra e a Fonte. 1999. ↩ ↩2 ↩3

  5. O Município de Itajubá. 1915, seção “Itajubá industrial”, verbete da Companhia Manufactora Progresso de Itajubá. ↩ ↩2 ↩3

  6. O Município de Itajubá. 1915, p. 27. ↩ ↩2

  7. Armelim Guimarães. Itajubá e Sua História (II Parte). 1999, p. 57. ↩ ↩2

  8. O Município de Itajubá. 1915, seção “Itajubá industrial”, verbete da Companhia Industrial Sul-Mineira. ↩

  9. Armelim Guimarães. Itajubá e Sua História (II Parte). 1999, p. 56. ↩

  10. Câmara Municipal de Itajubá. Projeto Reminiscências Fotográficas, legenda da foto “Praça Wenceslau Brás”. ↩

  11. Câmara Municipal de Itajubá. Projeto Reminiscências Fotográficas, legenda da foto “Antiga Praça Cap. Gomes - Atual Praça Wenceslau Brás.”. ↩

  12. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 283. ↩

  13. Armelim Guimarães. Resumo Didático da História de Itajubá. 2000, p. 65. ↩

  14. Armelim Guimarães. Itajubá e Sua História (I Parte). 1998, texto de apresentação sobre a indústria itajubense. ↩

No acervo fotográfico

11 fotografias do acervo da História de Itajubá , em ordem de data.

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