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Praça Adolfo Olinto

A Praça Adolfo Olinto, no centro de Itajubá, foi o Largo da Quitanda e a Praça do Mercado, onde funcionou de 1884 a 1954 o Mercado Municipal. Recebeu o nome do primeiro juiz de direito da comarca, Adolpho Augusto Olyntho, no dia da inauguração do mercado, e ganhou um jardim depois que o prédio foi demolido.123

Antes do mercado, o lugar era conhecido como Largo da Quitanda. A História de Itajubá, porém, situa a Quitanda inaugurada em 1860 numa esquina do Largo dos Passos, hoje Praça Teodomiro Santiago.14 A primeira cadeia da cidade, instalada em 1849 numa casa comprada por subscrição pública, ficava ali, no início da atual Rua Dr. Américo de Oliveira.5

Em 15 de março de 1883, o presidente da Câmara, José Pereira dos Santos, pôs em discussão o projeto do Mercado Municipal, numa das sessões mais agitadas da Câmara. Os vereadores calcularam em 4 contos e 575 mil réis as desapropriações, e a Câmara comprou e demoliu quatro casas velhas de pau a pique para formar o terreno da praça.6 Em julho de 1884, O Itajubá garantia que o mercado seria, pela elegância e pelo tamanho, o primeiro da província.7

O mercado foi inaugurado em 7 de setembro de 1884, com banda de música, fogos e discursos de vereadores e de representantes das sociedades da cidade, entre eles Fructuoso Ramos de Lima, pelo Recreio Dramático.7 Na mesma sessão solene, o vereador Aureliano Moreira Magalhães propôs dar à nova praça do mercado o nome do juiz Adolpho Augusto Olyntho, que agradeceu a homenagem à Câmara em novembro.82 No ano seguinte, o vereador Frederico Schumann pediu que se fechasse o terreno da velha Quitanda do Largo dos Passos, já desativada.9

Os códigos de posturas obrigavam quem trazia gêneros para vender nos dias de feira a levá-los diretamente à Praça do Mercado, e o de 1917 proibia animais parados na praça nesses dias.1011 Em 1915 o mercado fazia feiras aos domingos, das seis da manhã às quatro da tarde, e ali se vendiam a retalho perto de 3 mil capados (porcos castrados) por ano, cerca de 15 mil arrobas.12 Um dos chafarizes de ferro que a Câmara instalou na cidade no fim do século XIX ficava na praça.13

Em 14 de fevereiro de 1954, o prefeito Vicente Vilela Vianna inaugurou o novo Mercado Municipal, no bairro Vicentino. O mercado da Praça Adolfo Olinto foi desativado e demolido, e no lugar dele se fez um jardim.314

A praça reuniu lojas, oficinas e casas de diversão. Ali funcionaram a Casa Dias, a loja A Primavera, de Fortunato José Carlos Peixoto, a joalheria de Carlos A. Cuello, a Padaria dos Operários, de Francisco de Sousa Vianna, e a Farmácia São José, e também esteve na praça a Farmácia Lavoisier, de José Manso Pereira Cabral.1516171819 Luís Achilles Salomon e Ismael Pinto de Noronha mantinham um bilhar na esquina da praça.20 Em 1908, Francisco Nisticó instalou num prédio da praça a primeira fábrica de macarrão do século.21 Em 3 de março de 1925, a Câmara licenciou ali a bomba de gasolina da Standard Oil, uma das duas mais antigas registradas nas atas.22

Em 1901, o comerciante português José de Almeida Cunha Júnior abriu o Salão Japonês, na esquina com a Rua Coronel Francisco Brás, uma casa de diversões com bonecos de mola, vistas de cidades europeias e lanterna mágica. Foi ali que os itajubenses ouviram o primeiro gramofone, e em 22 de maio de 1903 viram a primeira projeção de cinema da cidade.232425 No início do século, o Cosmorama, com suas vistas de cidades e batalhas, também se montou na Praça do Mercado.23

O palacete de Isaltino Ribeiro, construído por Moisés Luigi, ficava na praça e serviu por muitos anos de sede da Prefeitura, até o início da gestão de Ambrósio Pinto.262728 Na esquina com a Rua Silvestre Ferraz ficava a casa do coronel João Carneiro Santiago Júnior, onde Theodomiro Carneiro Santiago passou a infância e a adolescência. O herdeiro, Paulo Carneiro Santiago, demoliu a casa e construiu no terreno um posto de gasolina.29

Em 16 de dezembro de 1957, Dia do Reservista, a guarnição militar e a Prefeitura inauguraram na praça o monumento do Expedicionário Itajubense, a figura de um soldado fundida pela firma Bronzarte, de São Paulo, com nomes de pracinhas da FEB.3031 Em 3 de maio de 1959, três enfermeiras militares que tinham servido na Itália depositaram flores no pedestal. O monumento foi depois transferido para a Praça Pereira dos Santos.3231

A praça também recebeu a herma de Jorge de Oliveira Braga, farmacêutico, industrial e seis vezes prefeito, inaugurada num 19 de março: em 1966, segundo a História de Itajubá e as Efemérides, ou em 1960, segundo a cronologia de Itajubá e Sua História.333435

  1. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 122. ↩ ↩2

  2. Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 7 de setembro de 1884. ↩ ↩2

  3. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 236. ↩ ↩2

  4. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 232. ↩

  5. Memória de Itajubá e da Obra de Theodomiro: a Pedra e a Fonte. 1999, legenda da foto 20. ↩

  6. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 233. ↩

  7. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 234. ↩ ↩2

  8. Comarca de Itajubá 1872–2022. 2022, p. 91. ↩

  9. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 235. ↩

  10. Memorial da Câmara Municipal de Itajubá: Ordenamento Social (1849–1930) e Desenvolvimento Urbano (1892–1930). Itajubá, 2012, anexos com os códigos de posturas. ↩

  11. Memorial da Câmara Municipal de Itajubá: Desenvolvimento Urbano (1892–1930). Itajubá, 2012, capítulo sobre os animais soltos nas ruas. ↩

  12. O Município de Itajubá. 1915, texto reproduzido em Memória de Itajubá e da Obra de Theodomiro: a Pedra e a Fonte. 1999. ↩

  13. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 354. ↩

  14. Armelim Guimarães. Itajubá e Sua História (II Parte). 1999, p. 65 e 66. ↩

  15. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 226. ↩

  16. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 239. ↩

  17. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 231. ↩

  18. Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 28 de outubro de 1909. ↩

  19. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 528. ↩

  20. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 441. ↩

  21. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 345. ↩

  22. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 198. ↩

  23. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 442. ↩ ↩2

  24. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 426. ↩

  25. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 436. Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 22 de maio de 1903. ↩

  26. O Município de Itajubá. 1915, p. 130. ↩

  27. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 243. ↩

  28. Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 1955 sobre a morte de Isaltino Ribeiro Caldas Bastos. ↩

  29. Armelim Guimarães. Itajubá e Sua História (I Parte). 1998, legenda da foto da casa do Cel. João Carneiro Santiago Júnior. ↩

  30. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 589. ↩

  31. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 495. ↩ ↩2

  32. Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 3 de maio de 1959. ↩

  33. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 590. ↩

  34. Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 19 de março de 1966. ↩

  35. Armelim Guimarães. Itajubá e Sua História (II Parte). 1999, p. 13. ↩

No acervo fotográfico

13 fotografias do acervo da História de Itajubá , em ordem de data; aqui as 12 primeiras.

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