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Vila Lúcia

A Vila Lúcia foi uma vila operária construída nos arredores de Itajubá no início do século XX, à margem do Rio Sapucaí, com ruas abertas e casas para os trabalhadores das fábricas da cidade. No prédio erguido ali para o asilo de velhos se alojou o 4º Batalhão de Engenharia entre 1921 e 1925.12

Segundo O Município de Itajubá, de 1915, a vila lembrava o nome da mãe do juiz de direito Luís Rennó e dos lavradores João José Rennó e Antônio Rennó Júnior. A construção foi dirigida pelo coronel Abel dos Santos.3

O texto de 1915 descreve a Vila Lúcia com 17 ruas, perto de 40 prédios de dois fogos destinados a operários das indústrias da cidade, iluminação e água potável.1 O álbum daquele ano publicou um panorama da vila e uma foto dos tipos de casas construídas para os operários.4 Uma legenda do acervo da Câmara situa a antiga Vila Lúcia nas proximidades de onde hoje fica a Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas do Sul de Minas.5

A vila ficava no caminho dos carros de aluguel: a tabela de preços da Câmara cobrava mil réis da estação ferroviária à Vila Lúcia e dois mil réis do jardim público, na atual Praça Teodomiro Santiago, até lá.67

Quando o 4º Batalhão de Engenharia foi designado para Itajubá, a Câmara, em 16 de agosto de 1920, começou a negociar com a firma Gomes & Santos a compra de terrenos na Vila Lúcia para o quartel. O que se decidiu, porém, foi ceder ao Exército o prédio recém-construído ali para o asilo dos desamparados.2

O batalhão transferiu-se definitivamente para a cidade em 31 de janeiro de 1921, sob o comando do coronel Raymundo Arthur de Vasconcelos, e ficou alojado no prédio do asilo, na Vila Lúcia, e no sobrado do antigo Ginásio de Itajubá, na Praça Teodomiro Santiago, até 1925, quando a Companhia Construtora de Santos entregou a sede própria.8910 Uma fotografia de 2 de janeiro de 1925 mostra a solenidade do sexto aniversário da reorganização da unidade no pátio do asilo.11

O Asilo Nossa Senhora da Soledade, para velhos desamparados, foi depois inaugurado na Vila Lúcia e aparece isolado, à direita, na vista da vila tirada do alto do morro da Boa Vista.1213

A ponte metálica da Rua Dona Maria Carneiro, hoje Ponte Tancredo Neves, aparece nas fotografias antigas da vila.13 Em junho de 1923, a Companhia de Pontoneiros do 4º Batalhão de Engenharia construiu sobre o Sapucaí, na Vila Lúcia, uma passadeira de madeira sobre estacas, para treinamento dos soldados.11 A enchente de 1922 alcançou a vila e o velho quartel.14

  1. O Município de Itajubá. 1915, texto reproduzido em Memória de Itajubá e da Obra de Theodomiro: a Pedra e a Fonte. 1999. ↩ ↩2

  2. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 486. ↩ ↩2

  3. O Município de Itajubá. 1915, p. 128. ↩

  4. O Município de Itajubá. 1915, fotos “Panorama da Vila Lúcia” e “Typos de casas para operários na Villa Lucia”. ↩

  5. Câmara Municipal de Itajubá. Projeto Reminiscências Fotográficas, legenda da foto “Antiga Vila Lúcia”. ↩

  6. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 196. ↩

  7. Memorial da Câmara Municipal de Itajubá: Desenvolvimento Urbano (1892–1930). Itajubá, 2012, anexo com a tabela de preços dos carros de aluguel. ↩

  8. Armelim Guimarães. Sinopse da História de Itajubá. 1966, p. 40. ↩

  9. Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 31 de janeiro de 1921. ↩

  10. Armelim Guimarães. Itajubá e Sua História (I Parte). 1998, legenda da foto do quartel do 4º Batalhão de Engenharia. ↩

  11. Armelim Guimarães. Itajubá e Sua História (II Parte). 1999, p. 93. ↩ ↩2

  12. Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 26 de fevereiro sobre a inauguração do Asilo Nossa Senhora da Soledade. ↩

  13. Armelim Guimarães. Itajubá e Sua História (II Parte). 1999, p. 77. ↩ ↩2

  14. Câmara Municipal de Itajubá. Projeto Reminiscências Fotográficas, legenda da foto da cheia de 1922 na Vila Lúcia. ↩

No acervo fotográfico

8 fotografias do acervo da História de Itajubá , em ordem de data.

Ver no acervo →