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IMBEL

A IMBEL de Itajubá é a fábrica de armas do Exército instalada em 1934 na baixada do Pacatito. Criada como Fábrica de Canos e Sabres para Armas Portáteis, passou a se chamar Fábrica de Itajubá em 1939 e foi incorporada à Indústria de Material Bélico do Brasil (IMBEL) em 1976. Os itajubenses a conheceram por décadas como Fábrica de Armas, ou simplesmente F.I.123

O presidente Getúlio Vargas criou a Fábrica de Canos e Sabres para Armas Portáteis pelo Decreto nº 23.624, de 20 de dezembro de 1933.1 A Sinopse da História de Itajubá a apresenta como a primeira fábrica de armas da América do Sul. O Aviso Ministerial nº 6, de 18 de janeiro de 1934, do ministro da Guerra, general Espírito Santo Cardoso, determinou que ela fosse construída em Itajubá.4

O lugar escolhido foi a baixada do Pacatito. Segundo a Sinopse, os terrenos pertenciam a José Maria de Oliveira, Jorge de Oliveira Braga, João Sebastião Ribeiro de Azevedo e outros, e a Municipalidade os comprou e doou ao Ministério da Guerra.4 A legenda de uma fotografia da terraplenagem, no livro Memória de Itajubá, atribui a doação ao prefeito José Rodrigues Seabra e diz que os terrenos custaram ao município cerca de 50 contos de réis. A mesma legenda registra que, segundo se conta, a abertura de “cachimbos” nos morros causou vários acidentes.5

Em 16 de julho de 1934, a pedra fundamental foi lançada com a presença do general Deschamps Cavalcanti, que pôs a primeira colherada de cimento sobre a urna com a ata, selos postais e moedas em circulação. O vigário, Padre Arnaldo Geertz, deu a bênção.436 O primeiro diretor foi o tenente-coronel Aventino Ribeiro, e o engenheiro civil José Ernesto Coelho projetou e dirigiu a construção de todos os pavilhões.247

Em 10 de junho de 1935, segundo o antigo funcionário Antônio Machado Júnior, citado na Memória de Itajubá, apresentaram-se à direção os técnicos alemães da Casa Loewe, o engenheiro K. Trotter e o mestre K. Krueger.5 A primeira oficina, a de canos, foi inaugurada em 16 de julho de 1935, com máquinas montadas sob a direção dos técnicos da Loewe Gesfürel, de Berlim.18

O Aviso Ministerial nº 328, de 25 de abril de 1939, deu ao estabelecimento o nome de Fábrica de Itajubá, porque ele já não fazia só canos e sabres, e sim armas completas: fuzis, metralhadoras e pistolas.1 Em 27 de outubro de 1945, com churrasco e concurso de tiro, a fábrica festejou o primeiro mosquetão inteiramente feito ali, com matéria-prima 100% nacional.14

Reaparelhada, a F.I. passou a produzir em série todos os tipos de armas leves, automáticas e de precisão, além de armas de caça vendidas a civis pela sua seção comercial, facas e cutelaria.2 Oficiais do Exército a dirigiram até 30 de dezembro de 1976, quando, com cerca de 1.500 funcionários e operários civis, foi incorporada ao patrimônio da IMBEL.2 A empresa pública tinha sido criada pela Lei nº 6.227, de 14 de julho de 1975, que reuniu cinco fábricas militares num só grupo.9 O livro de 1998 dá a IMBEL como fábrica de armas para as Forças Armadas, e o Resumo Didático de 2000 lhe atribui 1.500 operários.1011

Em 16 de julho de 1939, no quinto aniversário da fábrica, Getúlio Vargas chegou a Itajubá com o governador Benedito Valadares e o ministro da Guerra, general Eurico Gaspar Dutra. Percorreu todas as oficinas, foi saudado pelos 1.500 trabalhadores reunidos no jardim interno e deixou a frase “Esta Fábrica é um exemplo e uma lição”. Dormiu no estabelecimento e voltou ao Rio no dia seguinte.121314 À noite, o povo reunido na Praça Wenceslau Brás saudou o presidente, que visitava Wenceslau Braz, com discurso de José de Lima Medeiros.14 Construtores de Itajubá chama Vargas de um dos mais notáveis construtores da cidade e lembra que a fábrica foi construída ali por determinação dele.15

O Botafogo do Rio de Janeiro jogou em Itajubá naquele mês, e as fontes divergem sobre a data e o adversário. As Efemérides Itajubenses registram em 16 de julho de 1939 a inauguração do Estádio Esperança, depois Estádio Cel. Bello Lisboa, com Botafogo contra a seleção de Itajubá e a presença de Vargas.16 A História de Itajubá dá o mesmo jogo inaugural com a seleção de Itajubá, mas em 6 de julho de 1939.17 A legenda do livro de 1999 põe o jogo em 16 de julho, contra o Fábrica de Armas Futebol Clube, e dá a escalação dos dois times.18

A Sinopse, de 1966, lista os diretores até então: tenente-coronel Aventino Ribeiro (de 22 de fevereiro de 1934 a 27 de fevereiro de 1936 e de 15 de maio de 1937 a 21 de março de 1938), tenente-coronel Antônio Carlos Bello Lisboa (de 27 de fevereiro de 1936 a 15 de maio de 1937 e de 21 de março de 1938 a 7 de fevereiro de 1942), tenente-coronel Heitor Bianco de Almeida Pedroso (1942), tenente-coronel Plínio Paes Barreto Cardoso (1942 a 1944), coronel Rodrigo José Maurício (1944 a 1946), coronel Luís Antônio Bittencourt (1946 a 1949), coronel Frederico Josetti Nunes Dias (1949 a 1953), coronel Adhemar Pinto (1953 a 1957), coronel Moacyr Nery Costa (1957 a 1960), tenente-coronel José Maria de Paiva Ronco (1960 a 1964) e coronel José Alves Martins, a partir de 4 de fevereiro de 1964.4

A lista deixa um vão entre 14 de janeiro e 24 de agosto de 1944, e as Efemérides registram exatamente em 14 de janeiro de 1944 a posse do tenente-coronel Amaury Gentil de Araújo.19 As Efemérides registram também diretores posteriores: coronel Ayrton Ribeiro da Silveira em 22 de maio de 1967, coronel José de Almeida Fontenelle em 22 de agosto de 1969, coronel Paulo César Pinheiro de Meneses, logo promovido a general, em 20 de dezembro de 1972, e, já na IMBEL, coronel Aloysio Pitta Xavier em 29 de outubro de 1985.20212223 Uma fotografia publicada em 1999 mostra os oficiais mais antigos da fábrica em torno do diretor Bello Lisboa; a legenda diz que quase todos eram pioneiros.24

A Escola Industrial da Fábrica de Armas começou em 1944 o ensino metódico de mecânica prática e usinagem de precisão em Itajubá.2526 O primeiro diretor foi o capitão José Carlos Leal Jourdan.25 O curso durava quatro anos: de manhã, aulas de Tecnologia Mecânica, Desenho Industrial, Matemática, Português, História do Brasil e Ciências; no resto do tempo, oficina própria e estágio nas oficinas da fábrica, de onde saíam torneiros, fresadores e ajustadores de precisão.2527 A primeira turma de mecânicos se formou em 31 de dezembro de 1947.2528 O coronel Arlindo de Araújo Vianna aparece como diretor em duas fotografias, uma de quando a escola ainda se chamava Escola Profissional e outra com os alunos de 1949; na segunda, Armelim Guimarães aparece como secretário e professor.29 O livro de 1998 e o de 1999 dizem que a escola durou 30 anos; a História de Itajubá diz mais de 30.302725 Os aprendizes de tipografia compunham o jornal O Mosquito, cujo primeiro número saiu em 16 de julho de 1948.31

O ensino primário no Pacatito começou em 1937 numa escola mantida pela fábrica, num de seus pavilhões, com a professora Aspásia Gomes Braga; dela saiu o Grupo Escolar Barão do Rio Branco, inaugurado em 7 de setembro de 1946.32 Em 19 de fevereiro de 1959 abriu-se o Instituto Menino Jesus, que a História de Itajubá atribui ao diretor Moacyr Nery Costa, por iniciativa da educadora Maria Aparecida Simões Azevedo.33

Para a Capela de Santa Teresinha, parte do terreno foi doada por João Sebastião Ribeiro de Azevedo e a outra parte comprada por subscrição entre oficiais e servidores civis da fábrica; a escritura é de 14 de julho de 1937.34 O primeiro posto médico funcionou numa casa velha da antiga fazenda, coberta de telhas coloniais, depois demolida para dar lugar ao pavilhão do gerador Diesel e da fundição.7 O pavilhão do novo posto médico, com salas de cirurgia, raio X e gabinete dentário, foi inaugurado em 17 de novembro de 1939.35 A agência dos Correios e Telégrafos da fábrica abriu em 1º de dezembro de 1940.36 O reservatório do Pacatito, construído pela fábrica para tratar a água bombeada do Sapucaí, foi inaugurado em 16 de julho de 1949.37

A energia vinha da usina hidrelétrica de Bicas do Meio, atual Wenceslau Braz, da Rede Elétrica Piquete-Itajubá, construída pelo Ministério do Exército e inaugurada em 8 de dezembro de 1932.38 Um trem de subúrbio, o Trenzinho do Pacatito, levava os operários ao centro da cidade.39 Quando se retiraram os trilhos do ramal de Delfim Moreira, a partir de 1959, eles foram mantidos até o quilômetro 4 para os trens que serviam a fábrica e o 4º Batalhão de Engenharia de Combate.40 Em 16 de julho de 1953 inaugurou-se a ponte de cimento sobre o Sapucaí, na fábrica, de acesso à Rodovia Itajubá-Lorena.41

A banda de música da fábrica foi organizada em 1934 pelo maestro Antônio Venturelli Ferrer, o Juju.42 O livro de 1999 diz que ela animou as festas cívicas da cidade de 1934 a 1974 e que, das décadas de 1940 a 1970, não havia festa em Itajubá sem ela.43

O cinema da fábrica começou em 1941, numa sala do Contingente de Segurança, passou para um pavilhão de oficinas em construção e ganhou prédio próprio em 1942, em frente à Capela de Santa Teresinha. O Cine Auditório da F.I., projetado por José Ernesto Coelho, foi inaugurado em 7 de fevereiro de 1953.44

O Fábrica de Armas Futebol Clube, o Esquadrão de Aço, foi fundado no Pacatito em 5 de maio de 1935 por iniciativa do capitão Walfrido Antônio dos Santos e do coronel Bello Lisboa.4546 Em 1º de maio de 1941, 400 operários da fábrica fizeram evoluções de ginástica no Estádio do Vasco da Gama, no Rio de Janeiro, diante de Getúlio Vargas.47 Em 8 de janeiro de 1960, o primeiro helicóptero a descer em Itajubá pousou no campo de esportes da fábrica.48 O coronel Frederico Josetti Nunes Dias fundou em 27 de abril de 1951 o Clube Recreativo 16 de Julho, para os funcionários civis; o nome é a data de fundação da fábrica.4943

A revista F.I., órgão da fábrica, teve o primeiro número em junho de 1939.50 O Resumo Didático diz que a revista durou três anos, mas a História de Itajubá cita o nº 139 do jornal F.I., de junho a agosto de 1966.5152

Homens da fábrica, do batalhão e da Prefeitura fizeram juntos, em 19 de abril de 1942, o mutirão que preparou o campo de pouso da cidade.53

  1. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 348. ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5

  2. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 349. ↩ ↩2 ↩3 ↩4

  3. Armelim Guimarães. Itajubá e Sua História (II Parte). 1999, p. 37, legenda da foto do lançamento da pedra fundamental. ↩ ↩2

  4. Armelim Guimarães. Sinopse da História de Itajubá. 1966, p. 39. ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5 ↩6

  5. Memória de Itajubá e da Obra de Theodomiro: a Pedra e a Fonte. 1999, legendas das fotos das obras da Fábrica de Canos e Sabres. ↩ ↩2

  6. Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 16 de julho de 1934. ↩

  7. Armelim Guimarães. Itajubá e Sua História (II Parte). 1999, p. 38, legendas das fotos da pedra fundamental e do primitivo posto médico. ↩ ↩2

  8. Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 16 de julho de 1935. ↩

  9. Indústria de Material Bélico do Brasil. Wikipédia. Acesso em junho de 2026. ↩

  10. Armelim Guimarães. Itajubá e Sua História (I Parte). 1998, texto de apresentação sobre as indústrias de Itajubá. ↩

  11. Resumo Didático da História de Itajubá. 2000, p. 65. ↩

  12. Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 16 de julho de 1939. ↩

  13. Armelim Guimarães. Itajubá e Sua História (II Parte). 1999, p. 45, legenda da foto da chegada de Getúlio Vargas. ↩

  14. Armelim Guimarães. Itajubá e Sua História (II Parte). 1999, p. 48, legendas das fotos de Getúlio Vargas. ↩ ↩2

  15. Armelim Guimarães. Construtores de Itajubá. 1975, p. 72. ↩

  16. Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 16 de julho de 1939 sobre o Estádio Esperança. ↩

  17. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 469. ↩

  18. Armelim Guimarães. Itajubá e Sua História (II Parte). 1999, p. 47, legenda da foto do time do Botafogo. ↩

  19. Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 14 de janeiro de 1944. ↩

  20. Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 22 de maio de 1967. ↩

  21. Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 22 de agosto de 1969. ↩

  22. Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 20 de dezembro de 1972. ↩

  23. Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 29 de outubro de 1985. ↩

  24. Armelim Guimarães. Itajubá e Sua História (II Parte). 1999, p. 39, legenda da foto dos oficiais mais antigos da Fábrica de Armas. ↩

  25. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 392. ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5

  26. Armelim Guimarães. Sinopse da História de Itajubá. 1966, p. 48. ↩

  27. Armelim Guimarães. Itajubá e Sua História (II Parte). 1999, p. 43, legenda da foto da oficina da Escola Industrial. ↩ ↩2

  28. Armelim Guimarães. Itajubá e Sua História (II Parte). 1999, p. 42, legenda da foto da Escola Industrial. ↩

  29. Armelim Guimarães. Itajubá e Sua História (II Parte). 1999, p. 44, legendas das fotos da Escola Industrial. ↩

  30. Armelim Guimarães. Itajubá e Sua História (I Parte). 1998, texto de apresentação sobre o ensino em Itajubá. ↩

  31. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 411. ↩

  32. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 378. ↩

  33. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 381. ↩

  34. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 578. ↩

  35. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 519. ↩

  36. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 453. ↩

  37. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 359. ↩

  38. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 481. ↩

  39. Armelim Guimarães. Itajubá e Sua História (I Parte). 1998, legenda da foto do comboio da Fábrica de Armas. ↩

  40. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 217. ↩

  41. Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 16 de julho de 1953. ↩

  42. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 421. ↩

  43. Armelim Guimarães. Itajubá e Sua História (II Parte). 1999, p. 41, legendas das fotos do Clube Recreativo 16 de Julho e da banda de música. ↩ ↩2

  44. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 439. ↩

  45. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 468. ↩

  46. Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 5 de maio de 1935. ↩

  47. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 181. ↩

  48. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 501. ↩

  49. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 462. ↩

  50. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 410. ↩

  51. Resumo Didático da História de Itajubá. 2000, p. 51. ↩

  52. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 470. ↩

  53. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 499. ↩

No acervo fotográfico

37 fotografias do acervo da História de Itajubá , em ordem de data; aqui as 12 primeiras.

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