Pular para o conteúdo

Praça Wenceslau Brás

A Praça Wenceslau Brás fica no centro de Itajubá, no fim da Avenida Coronel Carneiro Júnior, diante do palacete onde morou o presidente Wenceslau Braz. Antes chamou-se Praça Capitão Gomes, e os itajubenses também a conhecem como praça do relógio.12

O primeiro nome homenageava o capitão da Guarda Nacional Manuel José Pereira Gomes, avô paterno de Wenceslau Braz, fazendeiro em Itajubá e na Vargem Grande, hoje Brasópolis, vereador e agente executivo do município.3 Com o sogro, o alferes Antônio Dias Pereira, ele conseguiu a instalação do Termo Judiciário de Itajubá.4 Manuel José Pereira Gomes presidia a Câmara em 1862, ano em que Itajubá passou de vila a cidade.5

O nome de Wenceslau Braz esteve primeiro em outra praça. Em 1905, um projeto do vereador Luiz Dalle Afflalo rebatizou a Praça dos Andradas, antigo Largo das Cavalhadas, como Praça Wenceslau Braz.6 O livro O Município de Itajubá, de 1915, lista a “praça Dr. Wenceslau Braz” e a “praça Capitão Gomes” como duas praças diferentes.7

Mais tarde, a Praça dos Andradas passou a se chamar Praça Getúlio Vargas, e o nome de Wenceslau Braz foi para a Praça Capitão Gomes, onde ficava a casa do estadista.48 As fontes digitalizadas não trazem o ano da troca. Por isso, um documento do início do século XX que fale em Praça Wenceslau Braz pode estar descrevendo a atual Praça Getúlio Vargas. Em 1940, quando o prefeito Alcides Faria remodelou a Praça Teodomiro Santiago, a herma de Wenceslau Braz que ficava lá veio para esta praça.9

O construtor Moisés Luigi ergueu o palacete de Wenceslau Braz na praça. Pedro Rebello fotografou a casa em 1914 para O Município de Itajubá.1011 As fontes a apontam como residência de Wenceslau Braz nessa foto de 1914 e ainda em 1947, quando ele discursou da sacada. Pintada de rosa, ficou conhecida como Casa Rosa; segundo a legenda da Câmara, continua preservada e pertence aos descendentes dele.1213 Na casa vizinha, de quatro janelas para a praça, morava o maestro e compositor Luiz Ramos de Lima.3

O escultor italiano Gonippo Puliti instalou sua primeira marmoraria na Praça Capitão Gomes, em 1908.14 Uma foto de O Município de Itajubá, de 1915, mostra na praça o rinque de patinação e tiro ao alvo de Martiniano Vianna Júnior, o Smart-Rink.15

A empresa Salgado, Lisboa & Braga inaugurou na praça, em 10 de agosto de 1913, um cinema que se chamaria Molière-Cinema e acabou batizado de Edison Cinema. Joaquim Rodrigues Pinto comprou o cinema em 1914.16 O prédio abrigou depois a loja A Liberty, dos irmãos Álvaro e Benedito Mendonça Chaves, que Armelim Guimarães descreveu como o maior estabelecimento comercial das primeiras décadas do século XX. A Liberty vendia fazendas, roupas, brinquedos e livros, e foi a primeira casa da cidade a vender discos e vitrolas.17

Em 1913, os industriais José Francisco de Faria Júnior, João Gomes de Lima e Narciso José Brasil fundaram na praça a Companhia Manufatora Progresso de Itajubá, dona da Fábrica de Chapéus de Feltro, que produzia cerca de 600 chapéus por dia.18 O Partido Progressista se reunia numa sala do prédio da antiga fábrica, que em 22 de outubro de 1948 virou sede da Associação da Mocidade Itajubense, inaugurada com a presença do governador Milton Campos.1920

O médico Braz Reale construiu o prédio da esquina com a Avenida Coronel Carneiro Júnior. Ali funcionou a Escola de Farmácia e Odontologia de Itajubá, de 1925 a 1930, e depois o Hotel Avenida. O prédio foi demolido.21 Na mesma praça estavam a Farmácia Santa Teresa, de Eurico Vianna, e o Dispensário Escolar, inaugurado em 24 de março de 1930 sob a direção dos médicos Gaspar Lisboa e José Sanches.2223 As Filhas de Maria inauguraram ali o Grêmio Regina Coelis em 1º de maio de 1933, e o professor Manuel de Sousa Perez animou o Grêmio Português Sul-Mineiro, aberto na praça em 1º de janeiro de 1934.24

Em 10 de junho de 1959, Ailton Rennó Pinto abriu na praça o Cine Presidente, com o filme Viva o Palhaço.25 Fotografias antigas mostram um coreto na praça, que já não existia em 1999.26

Na tarde de 31 de dezembro de 1934, a polícia prendeu e soltou o ex-sargento Francisco Gonçalves de Moura, líder comunista que distribuía boletins convocando um comício socialista, e uma multidão se juntou no centro. As autoridades improvisaram outro comício na praça, em frente à casa de Wenceslau Braz, e atraíram o povo para lá. Houve tiros. Quando Moura chegou com seus seguidores, um sedã preto que vinha da Avenida Coronel Carneiro Júnior atravessou a praça disparando uma rajada de metralhadora, que feriu várias pessoas, entre elas o próprio Moura, e matou o estudante de engenharia Joaquim Rodrigues Pinto Filho.27

Na noite de 16 de julho de 1939, a população se reuniu na praça para saudar o presidente Getúlio Vargas, que visitava Wenceslau Braz, e o advogado José de Lima Medeiros discursou em nome dos itajubenses.28 Em 1947, Wenceslau Braz falou da sacada da própria casa num comício de Milton Campos, candidato ao governo de Minas.13 Em 20 de fevereiro de 1949, procissões saídas de todas as igrejas se juntaram na praça em protesto contra a condenação do cardeal húngaro József Mindszenty. Em 12 de junho do mesmo ano, o Congresso da Liga Católica Jesus-Maria-José celebrou missa campal ali.29 Em 14 de setembro de 1950, o brigadeiro Eduardo Gomes e Odilon Braga, candidatos da UDN à Presidência e à Vice-Presidência, fizeram comício no palanque da praça.30

A praça já abrigou também feiras de artesanato e o comércio dos hippies.31 As enchentes do Sapucaí a alcançaram em 1945, em 1957 e em 2000, e o acervo guarda fotografias das três.

  1. O Município de Itajubá. 1915, texto reproduzido em Memória de Itajubá e da Obra de Theodomiro: a Pedra e a Fonte. 1999. ↩

  2. Câmara Municipal de Itajubá, Projeto Reminiscências Fotográficas, legenda da foto da praça com o relógio do Rotary. ↩

  3. Armelim Guimarães. Itajubá e Sua História (II Parte). 1999, p. 20. ↩ ↩2

  4. Resumo Didático da História de Itajubá. 2000, p. 101. ↩ ↩2

  5. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 590. O Município de Itajubá. 1915, capítulo sobre a história do município. ↩

  6. Memorial da Câmara Municipal de Itajubá: Desenvolvimento Urbano (1892–1930). Itajubá, 2012, capítulo sobre a memória nos nomes das ruas. ↩

  7. O Município de Itajubá. 1915, lista das praças reproduzida em Memória de Itajubá e da Obra de Theodomiro: a Pedra e a Fonte. 1999. ↩

  8. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 111 e 122. ↩

  9. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 588. ↩

  10. Memória de Itajubá e da Obra de Theodomiro: a Pedra e a Fonte. 1999, legenda da foto 17. ↩

  11. Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 1941 sobre a morte de Moisés Luigi. ↩

  12. Câmara Municipal de Itajubá, Projeto Reminiscências Fotográficas, legenda da foto da casa na década de 1950. ↩

  13. Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 1947 sobre o comício na Praça Venceslau Brás. ↩ ↩2

  14. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 430. ↩

  15. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 464. Ficha do acervo: foto da praça em O Município de Itajubá. ↩

  16. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 438. Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 10 de agosto de 1913. ↩

  17. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 238. ↩

  18. Câmara Municipal de Itajubá, Projeto Reminiscências Fotográficas, legenda da foto da praça com a fábrica de chapéus. ↩

  19. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 283. ↩

  20. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 461. ↩

  21. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 400. Armelim Guimarães. Itajubá e Sua História (I Parte). 1998, legenda da foto do prédio de Braz Reale. ↩

  22. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 528. ↩

  23. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 508. ↩

  24. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 461. ↩

  25. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 439. ↩

  26. Armelim Guimarães. Itajubá e Sua História (II Parte). 1999, p. 34 e 90. ↩

  27. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 281 e 282. ↩

  28. Armelim Guimarães. Itajubá e Sua História (II Parte). 1999, p. 48. ↩

  29. Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbetes de 20 de fevereiro e 12 de junho de 1949. ↩

  30. Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1972, p. 63. Câmara Municipal de Itajubá, Projeto Reminiscências Fotográficas, legenda da foto do comício. ↩

  31. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 237. ↩

No acervo fotográfico

54 fotografias do acervo da História de Itajubá , em ordem de data; aqui as 12 primeiras.

Ver as 54 fotografias →