Francisco Nisticó
Francisco Nisticó foi maestro, compositor e professor de música em Itajubá. Nasceu na Calábria, na Itália, em 2 de dezembro de 1879, filho de Victor Nisticó e Maria Teresa Nisticó, e desembarcou em Santos em 22 de abril de 1896. Regeu bandas e orquestras da cidade por décadas, ensinou música no Ginásio de Itajubá e no Instituto Dom Bosco e fundou, em 1908, a primeira fábrica de macarrão do século na cidade. Morreu em 15 de setembro de 1963.123
Do circo a Itajubá
Seção intitulada “Do circo a Itajubá”Depois de alguns meses em São Carlos do Pinhal, Nisticó entrou para o elenco do Circo Spinelli, de Afonso Spinelli, e ainda muito jovem virou regente da orquestra da companhia. Numa passagem por Itajubá, apaixonou-se por Druzina Cascardo, irmã do professor Carmo Cascardo, casou-se com ela e não saiu mais da cidade. Segundo os Construtores de Itajubá, ele chegou a integrar a orquestra que acompanhou o tenor Enrico Caruso.14
Bandas, orquestras e recitais
Seção intitulada “Bandas, orquestras e recitais”Em 1903, Nisticó foi o maestro e regente da banda Juventude Itajubense, organizada com Oscar Faria na direção.5 A corporação tocou na recepção dos bispos D. João Nery e D. Júlio Tonti e numa festa a que compareceu a diretoria do Centro Operário Dom João Nery.56
Em 13 de agosto de 1911, tocou flauta na Matriz, acompanhado ao piano por Isaura Carneiro, antes e depois de uma conferência em benefício da igreja: executou a Serenata de Köhler e o Rigoletto de Verdi.7 Em 10 de setembro de 1931, a orquestra regida por ele participou do Oratório Santa Cecília, promovido pelas Irmãs da Providência na Matriz.8 No mesmo ano, no Cine-Teatro Apolo, regeu a execução da sinfonia Tiradentes, composta pelo filho dele, Vito Nisticó.9 Uma orquestra organizada e regida por Nisticó também se apresentou no Clube Itajubense.10
Vito Nisticó, itajubense, tornou-se maestro e compositor e morreu no Rio de Janeiro. Na década de 1920, quando era soldado do 4º Batalhão de Engenharia, organizou uma banda com os militares da unidade.1112
O compositor
Seção intitulada “O compositor”As fontes divergem sobre o tamanho da obra. Os Construtores de Itajubá falam em centenas de valsas, mazurcas, polcas, choros, vaudevilles, ouvertures, operetas, peças sacras e missas, além de cerca de 200 dobrados e marchas; as Efemérides e Itajubá e Sua História dão cerca de 150 dobrados.1213 Armelim Guimarães o põe ao lado de Fructuoso de Lima Vianna e Luiz Ramos de Lima entre os compositores itajubenses que gravaram discos.1314
Professor
Seção intitulada “Professor”Nisticó foi professor de música do Ginásio de Itajubá e chegou a organizar uma banda com os alunos. Em 14 de julho de 1911, essa banda tocou composições de Luiz Ramos de Lima no desfile dos ginasianos.151617 No Instituto Dom Bosco, foi mestre da oficina de sapataria e regeu a banda formada pelos educandos, registrada em fotografias publicadas em O Município de Itajubá e reproduzidas na Memória de Itajubá e da Obra de Theodomiro.181920 Na Escola Industrial da Fábrica de Armas, criada pelo Ministério da Guerra em 1944, foi mestre do curso de sapataria.21
Indústria
Seção intitulada “Indústria”Em 1908, Nisticó instalou num prédio da Praça Adolfo Olinto a primeira fábrica de macarrão do século em Itajubá, depois vendida aos irmãos Maurício e José Acácio Pereira dos Santos.3 Teve também uma sapataria e uma indústria de calçados no começo do século; a História de Itajubá a chama de A Bota Mineira numa página e de A Bola Mineira em outra.2223
Cidadão itajubense
Seção intitulada “Cidadão itajubense”Em 17 de fevereiro de 1961, a Prefeitura entregou a Nisticó o diploma de Cidadão Itajubense, concedido pela Lei nº 29, de 18 de outubro de 1960.24 Ao registrar a morte dele, em 1963, as Efemérides lembraram que educou gerações de moços na arte musical e organizou várias bandas, orquestras e recitais na cidade.2
Ver também
Seção intitulada “Ver também”Footnotes
Seção intitulada “Footnotes”-
Armelim Guimarães. Construtores de Itajubá. 1975, p. 36. ↩ ↩2 ↩3
-
Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 15 de setembro de 1963. Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1972, p. 63. ↩ ↩2 ↩3
-
Armelim Guimarães. Construtores de Itajubá. 1975, p. 56. ↩
-
Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 420, citando a Gazeta de Itajubá de 10 de maio de 1903. ↩ ↩2
-
Memorial da Câmara Municipal de Itajubá: Ordenamento Social (1849–1930). Itajubá, 2012, anexo sobre as festas do Centro Operário Dom João Nery. ↩
-
Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 573, citando a Gazeta de Itajubá de 6 e 13 de agosto de 1911. ↩
-
Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 10 de setembro de 1931. ↩
-
Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 1931 sobre a execução da sinfonia Tiradentes no Apolo. ↩
-
Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 12 de outubro sobre a orquestra de Francisco Nisticó no Clube Itajubense. ↩
-
Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 1º de maio sobre a morte de Vito Nisticó. ↩
-
Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 421. ↩
-
Armelim Guimarães. Itajubá e Sua História (I Parte). 1998, texto sobre a música e as artes em Itajubá. ↩ ↩2
-
Armelim Guimarães. Sinopse da História de Itajubá. 1966, p. 65. ↩
-
Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 384. ↩
-
Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 385. ↩
-
O Município de Itajubá. 1915, relação dos professores do Ginásio de Itajubá. ↩
-
Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 390. ↩
-
O Município de Itajubá. 1915, legendas das fotos da aula de sapataria e da banda musical do Instituto Dom Bosco. ↩
-
Memória de Itajubá e da Obra de Theodomiro: a Pedra e a Fonte. 1999, legenda da foto da banda do Instituto Dom Bosco. ↩
-
Armelim Guimarães. Sinopse da História de Itajubá. 1966, p. 48. ↩
-
Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 243. ↩
-
Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 347. ↩
-
Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 17 de fevereiro de 1961. ↩
No acervo fotográfico
3 fotografias do acervo da História de Itajubá , em ordem de data.