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Urbanização e Planejamento

A urbanização de Itajubá foi feita aos poucos, entre a topografia difícil, os brejos e as cheias do Rio Sapucaí. O Memorial da Câmara trata o distrito da cidade como um enclave urbano dentro de uma estrutura de base rural, em que hábitos do campo se mostraram incompatíveis com a vida urbana e ameaçaram a saúde da população.1 Os nomes das ruas e a lista dos bairros estão em Ruas, Bairros e Lugares Notáveis.

Em 15 de março de 1917, a Câmara aprovou um substitutivo do vereador Severiano Ribeiro Cardoso que organizou o espaço da cidade em zona urbana, perímetro e área de construção. A área de construção era uma faixa de terrenos ribeirinhos descrita marco a marco, criada “como meio de prevenir o desenvolvimento futuro da cidade”, com planos de arruamento para os terrenos de fora do perímetro. Dentro dela, ficava proibido edificar sem licença do presidente da Câmara, sob multa e obrigação de demolir a obra.2

A cidade passou décadas sem água encanada. Em 1883, o vereador Pereira dos Santos propôs pedir seis contos de réis à Assembleia Provincial e contrair empréstimo de doze contos, amortizado com o imposto sobre fogão. A Assembleia aprovou a quota, mas o presidente da província respondeu que ela não podia ser entregue, por não haver rubrica própria no orçamento.3 Em 1886, outro projeto na Assembleia consignava cinco contos para a canalização e chafarizes.3

A água só chegou no fim do século. O capitão João José Rennó cedeu gratuitamente o manancial, a instalação dos chafarizes foi dirigida por Thomaz James Wood, e a inauguração se deu em 6 de dezembro de 1896, com fogos, banda de música, passeatas e Te-Deum na Matriz. Foi também Wood quem instalou a primeira rede de esgoto da cidade, pondo fim às fossas abertas nos quintais.4

Já na República, a Câmara tornou obrigatórias as latrinas higiênicas ligadas à rede de esgoto e proibiu, em todo o município, “a contaminação do solo por meio das fezes humanas”, exigindo fossas protegidas contra as moscas e a chuva onde não houvesse rede. O Memorial observa que a eficácia dessas medidas esbarrava nas exigências para obter a concessão de pena d’água.5

Um texto de jornal reproduzido no Memorial resume a preocupação da época: a topografia local trazia febres na estação quente, o conselho distrital mandava limpar as valas das águas estagnadas, e nunca se conseguia extinguir os chiqueiros dentro do perímetro urbano, porque os infratores escapavam da fiscalização.6

As posturas da Primeira República foram nessa direção: proibiram a criação de porcos e as vacas leiteiras no perímetro urbano, os carros de boi no distrito da cidade e na estrada estadual, e regulamentaram os veículos, as bicicletas e as motocicletas e o transporte de passageiros.7 Em 1916, a Câmara proibiu a construção de olarias no perímetro urbano, porque as poças abertas para tirar barro guardavam água parada e criavam moscas.89

O jornal A Verdade de 14 de novembro de 1891 já falava de um desaterro em frente à estação ferroviária e do rebaixamento e nivelamento de uma rua nova, a atual Rua Eugênio Salles. O serviço só se concluiu no século XX, sob a direção de Fritz Hoffmann, que removeu o morro de São Benedito com jatos de água bombeada do ribeirão José Pereira e, com a terra, aterrou o pantanal onde depois se fizeram a estação rodoviária, a nova estação ferroviária e a Praça José Brás.10

As atas da Câmara registram reclamações contra o lixo desde o tempo da vila. Quando Armelim Guimarães escrevia, em 1985, a Prefeitura mantinha uma equipe de garis e “Margaridas” para varrer as ruas e caminhões para a coleta, mas ele lamentava os monturos deixados às margens do Sapucaí e perto do Distrito Industrial.10

  1. Memorial da Câmara Municipal de Itajubá: Desenvolvimento Urbano (1892–1930). Itajubá, 2012, capítulo sobre o ordenamento do espaço urbano do distrito da cidade. ↩

  2. Memorial da Câmara Municipal de Itajubá: Desenvolvimento Urbano (1892–1930). Itajubá, 2012, anexo com o substitutivo aprovado em 15 de março de 1917. ↩

  3. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 353. ↩ ↩2

  4. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 355. ↩

  5. Memorial da Câmara Municipal de Itajubá: Desenvolvimento Urbano (1892–1930). Itajubá, 2012, capítulo sobre o saneamento. ↩

  6. Memorial da Câmara Municipal de Itajubá: Desenvolvimento Urbano (1892–1930). Itajubá, 2012, anexo “Salubridade pública”. ↩

  7. Memorial da Câmara Municipal de Itajubá: Desenvolvimento Urbano (1892–1930). Itajubá, 2012, anexos com as proibições e regulamentações municipais. ↩

  8. Memorial da Câmara Municipal de Itajubá: Desenvolvimento Urbano (1892–1930). Itajubá, 2012, anexo “Proibição das olarias no perímetro urbano da cidade”. ↩

  9. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 343. ↩

  10. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 594, verbetes “Limpeza pública” e “Desmonte”. ↩ ↩2

No acervo fotográfico

24 fotografias do acervo da História de Itajubá , em ordem de data; aqui as 12 primeiras.

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