Cadeia e Delegacia de Polícia
Itajubá teve três cadeias no centro: a casa adaptada em 1849, o sobrado inaugurado em 1851 que também abrigava a Câmara Municipal e o prédio construído em 1898 na Avenida Coronel Carneiro Júnior. A Delegacia de Polícia funcionou por muito tempo num prédio do adro da Matriz.123
A cadeia de 1849
Seção intitulada “A cadeia de 1849”A lei que emancipou o município exigia, entre outras coisas, que a vila tivesse cadeia. Em 12 de setembro de 1849 começou a subscrição popular para comprar as casas onde se instalariam a Câmara Municipal, o Conselho de Jurados e a cadeia pública.4 O presídio improvisado ficou no local onde logo depois se abriu a Rua Tenente Viotti, hoje Rua Dr. Américo de Oliveira.15
O primeiro carcereiro foi Lourenço Luís Gomes Nogueira, nomeado em ata de 1º de maio de 1850. Para alimentar os presos, ele cobrava 100 réis, valor depois elevado a 240.1
O sobrado da esquina
Seção intitulada “O sobrado da esquina”Em 19 de março de 1851 foi inaugurado o prédio próprio, na esquina da Rua Dr. Américo de Oliveira com a Rua Coronel Francisco Brás: a cadeia no térreo e a sala da Câmara Municipal no pavimento superior.62 No lugar dele funcionou depois a Casa Esperança, de Humberto Werdine.1
As atas da Câmara registram a rotina do presídio e os problemas dele. Em 1857 elas descrevem os detalhes arquitetônicos da nova cadeia e o número de enxovias; em 1858, o carcereiro José Honório da Silva relatou o mau estado do prédio, e os presos tiveram de ser levados para Campanha por falta de segurança. Houve fugas por buracos nas paredes, e o mau cheiro do presídio aparece nas atas de 1860 e 1863. Em 1864 a situação era a mesma.1 Cabia à Câmara cuidar de tudo, da iluminação da cadeia ao caldo de galinha dos detentos com dieta prescrita por médico.2
Em 25 de julho de 1860, o vereador Evaristo da Silva Campista pediu um lampião para a esquina da cadeia: foi o primeiro ato da Municipalidade em direção à iluminação pública.7
Em fevereiro de 1888, o jornal A Verdade noticiou que saíra escoltado da cadeia de Itajubá, a pedido do delegado de Pouso Alegre, o criminoso Dionísio Tavares da Silva, apontado como um dos autores da morte do senador José Bento Leite Ferreira de Melo, assassinado em 1844.1
A cadeia de 1898
Seção intitulada “A cadeia de 1898”Em dezembro de 1892, A Verdade informava que a Secretaria da Agricultura mandara o engenheiro da circunscrição preparar, com urgência, a planta e o orçamento de um prédio para servir de cadeia em Itajubá, com cômodos para as sessões da Câmara e uma sala para o tribunal do júri.2 Em junho de 1894, o mesmo jornal noticiava que o deputado Wenceslau Braz apresentara no Congresso Mineiro o projeto nº 45, autorizando vender em hasta pública o prédio onde funcionavam a cadeia e o júri.2
A cadeia nova só saiu em 1898, no governo estadual de Bias Fortes, na Avenida Coronel Carneiro Júnior, esquina com a travessa Francisco Masselli. Foi o primeiro edifício construído na avenida recém-aberta, que o povo chamava de Rua Nova.238 Ela aparece na fotografia mais antiga que mostra a cidade inteira, publicada em Itajubá e Sua História, apontada por uma seta.9
O prédio foi demolido. No lugar dele se instalou a Caixa Econômica do Estado de Minas Gerais, a Minas Caixa; extinta a instituição, o ponto virou loja, e as fontes divergem sobre qual: Itajubá e Sua História cita a loja Linda Mulher e uma legenda do acervo da Câmara, o Lojão das Fábricas.21011
A cadeia seguinte foi construída no bairro da Boa Vista. Na reunião de 23 de fevereiro de 1981, a Câmara Municipal registrou em ata a necessidade de uma cadeia pública mais condizente com a dignidade humana dos presos.2
A Delegacia e o Quartel Policial
Seção intitulada “A Delegacia e o Quartel Policial”A Delegacia de Polícia funcionou por muito tempo num prédio do adro da Matriz de Nossa Senhora da Soledade, onde depois se ergueu a casa paroquial. No Largo dos Andradas, hoje Praça Getúlio Vargas, do lado da Rua Dr. Américo de Oliveira e perto da ponte sobre o ribeirão José Pereira, existiu o Quartel Policial.2
A Câmara também cuidava de assuntos de polícia. Em 9 de julho de 1862, atendendo a ofício do juiz municipal, resolveu declarar por editais quais eram as armas ofensivas proibidas na vila: espingarda, pistola, bacamarte, faca de ponta, punhal, sovelões, bengalas, chicotes de estoque e canivete de mola. Carreiros e tropeiros podiam usar as facas de trabalho.2
Ver também
Seção intitulada “Ver também”Footnotes
Seção intitulada “Footnotes”-
Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 367, citando A Verdade de 9 de fevereiro de 1888 e atas da Câmara de 1850 a 1864. ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5 ↩6
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Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 368, citando A Verdade de 17 de dezembro de 1892 e de 2 de junho de 1894 e atas da Câmara. ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5 ↩6 ↩7 ↩8 ↩9 ↩10
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Armelim Guimarães. Itajubá e Sua História (II Parte). 1999, p. 30. ↩ ↩2
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Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 12 de setembro de 1849. ↩
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Memória de Itajubá e da Obra de Theodomiro: a Pedra e a Fonte. 1999, legenda da foto da cadeia da Avenida Cel. Carneiro Júnior. ↩
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Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 19 de março de 1851. ↩
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Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1972, p. 50. ↩
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Câmara Municipal de Itajubá. Projeto Reminiscências Fotográficas, legenda da foto “Primeira Cadeia de Itajubá”. ↩
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Armelim Guimarães. Itajubá e Sua História (I Parte). 1998, legenda da fotografia mais antiga da cidade. ↩
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Armelim Guimarães. Itajubá e Sua História (I Parte). 1998, legenda da foto da cadeia de 1898. ↩
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Câmara Municipal de Itajubá. Projeto Reminiscências Fotográficas, legenda da foto “Antiga Cadeia de Itajubá, construída em 1898”. ↩
No acervo fotográfico
4 fotografias do acervo da História de Itajubá , em ordem de data.