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Transportes

Os transportes de Itajubá passaram das picadas abertas a foice para as tropas e os carros de bois às linhas de ônibus que, no século XX, chegaram a desativar a estrada de ferro.12 A ferrovia e as pontes têm páginas próprias.

A História de Itajubá descreve as estradas antigas como deficientes e precárias: serviam mais às tropas que aos carros, no verão davam passagem e nas chuvas ficavam intransitáveis; as pontes sobre os rios maiores eram poucas, de madeira e quase sempre semiapodrecidas, e nos rios menores se atravessava em vau.1

Quando Itajubá foi fundada, a estrada mais importante da região partia da Soledade de Itajubá, hoje Delfim Moreira, e ia ao Rio de Janeiro: quem ia à Corte passava pelo posto de fiscalização chamado Registro da Mantiqueira e seguia para Santana do Capivari e Itamonte, de onde alcançava o Vale do Paraíba.3

A Câmara vivia às voltas com pedidos e queixas: um abaixo-assinado de São Caetano da Vargem Grande pedindo estrada, um fazendeiro que se obstinava em não deixar passar pelo caminho aberto em suas terras, um pedido particular de via até uma herdade. Em 1873, O Itajubá publicou um longo artigo sobre o “deplorável estado” das estradas, cheias de atoleiros e buracos.3 A primitiva estrada de Cristina passava pela serra dos Toledos e saía no morro dos Canudos: foi por ela que a Princesa Isabel chegou a Itajubá, e era quase intransitável até para comboios de tropas.3

Um regulamento municipal fixava os pontos e os preços dos carros de praça, com tabela por trajeto e lotação máxima de cinco pessoas por carro, excluídas as crianças de menos de seis anos.4

Os primeiros automóveis apareceram por volta de 1912, os Fords de bigode. O primeiro da cidade foi o de um morador apelidado Quinquim; veio depois o de Adriano Piazzaroli.4 O primeiro automóvel de aluguel foi o de Carmenulto Fitipaldi, que também era alfaiate, e o português José Fonseca da Cruz dizia ter sido o primeiro motorista da cidade a tirar carteira.5

A bicicleta já era conhecida no fim do século XIX, quando ainda se escrevia “bicyclette”.5 Em 20 de março de 1914 a Câmara proibiu o trânsito de veículos na Praça Teodomiro Santiago depois das cinco da tarde, num trecho entre o Clube Itajubense e um prédio vizinho, com multa de 5 mil réis para bicicletas e 20 mil para os outros veículos.5 Os primeiros sinaleiros luminosos das esquinas centrais foram inaugurados em 7 de setembro de 1960.5

As bombas de gasolina mais antigas que aparecem nas atas são a de Raphael Bianchi, na Rua Miguel Braga, e a da Standard Oil, na Praça Adolfo Olinto, as duas licenciadas na reunião de 3 de março de 1925. Até então a gasolina se comprava em latas de 18 litros ou em tambores.2

A primeira empresa de transporte intermunicipal com horário regular foi a Chiaradia, Genro & Filho, que em 1911 punha carros três vezes por semana para Piranguçu, ao preço de dois mil réis por passageiro, em “excelente caleça”.5

O primeiro ônibus regular para outra cidade foi a jardineira para Paraisópolis, registrada em ata de 15 de maio de 1928. Depois vieram o ônibus de Sebastião Antunes Siqueira para Piranguçu, a Empresa Malerba ligando Itajubá a Lorena em 1947, e a Pássaro Marron, que inaugurou em 25 de março de 1949 a primeira ligação direta com o Rio de Janeiro e São Paulo. Nos anos seguintes surgiram a Empresa Pereira, para Pouso Alegre, a Santa Teresinha, para São Lourenço, o Rápido São José, para Varginha, em 1955, e a linha de Joaquim Faria, de 1956, que passava por Pedralva, Cristina e Carmo de Minas.5

Os ônibus suburbanos entre a Boa Vista e o Pacatito começaram com Antônio Pereira Machado, da Empresa Santa Teresinha. Em 22 de setembro de 1950, Max Rudolf Herren pôs veículos novos na linha, com o nome de Auto-Viação Itajubá. Mais tarde a Empresa Malerba assumiu e criou novas linhas, mas suspendeu os serviços ao se desentender com a Prefeitura, que exigia passagem de vinte centavos; Joaquim José do Carmo pôs seus ônibus nas ruas até o contrato com a Sayonara, em 4 de julho de 1968.2

A Estação Rodoviária foi inaugurada em 1º de agosto de 1959.6 Quando Armelim Guimarães escrevia, os ônibus tinham dominado o transporte a ponto de desativar a estrada de ferro, e o movimento da rodoviária era grande de dia e de noite.2

  1. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 185. ↩ ↩2

  2. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 198. ↩ ↩2 ↩3 ↩4

  3. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 186. ↩ ↩2 ↩3

  4. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 196. ↩ ↩2

  5. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 197. ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5 ↩6

  6. Armelim Guimarães. Itajubá e Sua História (II Parte). 1999, p. 13, cronologia. ↩

No acervo fotográfico

8 fotografias do acervo da História de Itajubá , em ordem de data.

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