Igreja Matriz de Nossa Senhora da Soledade
A Igreja Matriz de Nossa Senhora da Soledade ocupa o outeiro onde o Padre Lourenço da Costa Moreira celebrou a primeira missa da atual Itajubá, em 19 de março de 1819. O prédio de hoje começou a subir em 1926 e é o último de vários templos levantados no mesmo lugar, no começo da Rua Coronel Rennó.12
O outeiro do Ibitira
Seção intitulada “O outeiro do Ibitira”Os indígenas chamavam a colina de Ibitira.3 Francisco Alves, dono da sesmaria, doou o outeiro à Igreja, e o Livro de Tombo da paróquia registra a doação.1 Os homens da caravana do padre armaram um altar de paus roliços na madrugada de 19 de março de 1819. Em pouco mais de uma semana, brancos e escravos levantaram em volta dele uma capela de pau a pique coberta de sapé, que pintaram com tabatinga amarela.1
O padre foi erguendo, com seus escravos e a ajuda dos fiéis, as paredes de taipa da capela definitiva ao redor da ermida. A obra seguia inacabada em 1832, quando a sede da freguesia deixou a capela velha, no alto da serra, e passou para a Boa Vista do Sapucaí. Padre Lourenço trouxe para a igreja nova os paramentos, os livros e os objetos do culto, e essa mudança provocou o conflito conhecido como Encontro.1 No altar-mor, ele tinha colocado São José; depois do conflito, mandou esculpir uma imagem igual à da padroeira da capela velha e pôs Nossa Senhora da Soledade no lugar do santo.4 A história da freguesia primitiva está em Nossa Senhora da Soledade de Itajubá e em Fundação da Nova Itajubá.
A igreja de 1871 a 1884
Seção intitulada “A igreja de 1871 a 1884”Em 1862 a capela de taipa tinha as paredes rachadas e o teto ameaçava cair. A Câmara discutiu o problema em janeiro de 1863, e o vigário levou as missas para a capela de Nossa Senhora dos Remédios, que serviu de matriz de 1863 a 1884.56 Em 1º de janeiro de 1871, por ordem do bispo D. Lino Deodato Rodrigues de Carvalho, o pároco reuniu os paroquianos para abrir subscrições. Os taipeiros começaram em novembro daquele ano, e os carpinteiros em agosto de 1872. Em abril de 1873, os oficiais do empreiteiro Manuel Machado Carvalho armaram a cumeeira ao som da banda e de foguetes soltos às quatro da madrugada.56
O dinheiro acabou e o interior esperou dez anos. O bispo autorizou a bênção em 22 de novembro de 1883, e o vigário Martiniano de Oliveira Pinto Dias benzeu a igreja em 16 de março de 1884. Uma procissão trouxe o Santíssimo e as imagens da capela dos Remédios. Domingos Barbosa de Brito deu 20 contos de réis para a obra, e um grupo de senhoras que incluía D. Amélia Braga e D. Ana Maria de Jesus Lima organizou as festas.6
A igreja nova tinha cinco janelas na frente e nenhuma torre. Os sinos ficavam num campanário separado do corpo do templo. O sino grande, fundido na Campanha em 1857 por José Carlos Onofre, ainda tocava nos dias de festa quando Armelim Guimarães escreveu, em 1987.57 O bispo D. Lino, em 1889, achou o interior “vasto, espaçoso e cômodo” e reclamou da fachada, que tinha dois telheiros no lugar das torres e manchas de barro vermelho escorridas das paredes.8
O Cônego Augusto Leão Quartin renovou a pintura interna e contratou o pintor Antônio Domingos Pimenta para os retábulos, os estandartes e um sudário em tamanho natural. Em 8 de dezembro de 1902, o vigário Marçal Ribeiro acendeu na igreja a iluminação a gás acetileno, com material que comprara no Rio de Janeiro.9
A torre de 1912
Seção intitulada “A torre de 1912”Em 1906 o bispo de Pouso Alegre, D. João Nery, ordenou que o vigário mudasse a fachada. O Padre Marçal Pereira Ribeiro juntou donativos e nomeou uma comissão presidida pelo coronel João Carneiro Santiago Júnior. Em agosto de 1911, Pedro Bernardo Guimarães deu no Clube Itajubense uma conferência sobre o tupi-guarani e entregou a renda às obras.9 O construtor Moisés Luigi fez a torre arredondada, que levou os sinos para o alto e juntou o campanário ao corpo da igreja. O Cônego José Salomon a inaugurou em 29 de junho de 1912.91011
No livro de 1987, Armelim Guimarães apresenta a torre como a maior obra da remodelação da igreja benta em 1884. Nas legendas de Itajubá e Sua História, de 1998, o mesmo autor conta a igreja de 1912 como a quarta construída no local e dá a anterior como demolida em 1910.12
A Matriz atual
Seção intitulada “A Matriz atual”Em 24 de maio de 1926, o vigário holandês João Baptista van Rooyen apresentou aos paroquianos o plano de uma igreja nova: achava a existente pequena e feia. O bispo D. Otávio Chagas de Miranda aprovou a obra quatro dias depois. Wenceslau Braz ficou com a tesouraria da comissão, e o engenheiro Conrado Zepff dirigiu a construção.2
A capela de São Benedito, na ponta da Rua Dr. João de Azevedo, serviu de matriz provisória. Os operários começaram a demolição no fim de julho de 1926, e o Padre van Rooyen lançou a pedra fundamental em 15 de agosto. Em 26 de maio de 1927, os fiéis já assistiam à missa dentro da nave, entre andaimes e sob as telhas à vista.2
Altares e pinturas
Seção intitulada “Altares e pinturas”Os benfeitores da cidade pagaram os altares laterais: o Dr. Antônio Maximiano Xavier Lisboa deu o do Sagrado Coração de Jesus, inaugurado em 28 de junho de 1931; Wenceslau Braz, o de São José, em 1º de novembro do mesmo ano; Silvério Sanches, o de São Sebastião, em 20 de fevereiro de 1932.13 O bispo D. Delfim Ribeiro Guedes consagrou em 15 de agosto de 1950 o altar-mor construído pelo marmorista João Puliti. Em 19 de agosto de 1951, o organista Ângelo Camin, do Teatro Municipal de São Paulo, tocou na inauguração do órgão elétrico Hammond.13
O pintor holandês Henk Asperslagh, professor da Escola de Belas-Artes de Haia, pintou o interior, que o Padre Agostinho Picard inaugurou em 10 de fevereiro de 1957. Asperslagh pintou também os quadros da Via-Sacra. Eles tomaram o lugar de catorze relevos de cerâmica feitos em Itajubá, e Armelim Guimarães lamentou a troca.1314
A imagem de Nossa Senhora das Dores é centenária: Antônio Pedro da Silva e Maria Inácia do Espírito Santo a doaram, e o vigário interino a benzeu em 19 de setembro de 1858.8
O adro e o mirante
Seção intitulada “O adro e o mirante”O jornal O Itajubá noticiou em outubro de 1884 o plano de arborizar o adro.15 Em 19 de março de 1919, no centenário da cidade, o vigário inaugurou no adro a estátua do Cristo Redentor, com a inscrição Christus vivit, regnat, imperat, na presença do bispo D. Otávio Chagas de Miranda. O salesiano José Joaquim Santana fez o sermão.1612 Em 1998 a estátua estava num canto da praça, ao lado da casa paroquial, sem a placa original e danificada por vandalismo.12 Em 7 de setembro de 1922, no centenário da Independência, o fotógrafo Numa Viallet registrou a missa campal no início da Rua Coronel Rennó, com os soldados do 4º Batalhão de Engenharia formados na calçada, na primeira participação do batalhão numa festa cívica da cidade.12
A Lei Municipal nº 68, de 10 de março de 1950, mandou construir o muro de arrimo em volta do outeiro. A obra ligou a Rua Padre Marçal Ribeiro ao adro por uma escadaria de pedra com balaústres e um painel de azulejos que reproduz uma tela de Luís Teixeira. O prefeito Antônio Rennó Pereira a inaugurou em 8 de dezembro de 1956, com o nome de Mirante Amélia Mokarzel Mauad, em homenagem a uma das maiores doadoras.17
A igreja e as eleições do Império
Seção intitulada “A igreja e as eleições do Império”A lei do Império mandava votar dentro das igrejas. Em 7 de setembro de 1852, tumultos e fraudes dentro da Matriz levaram à anulação de todos os votos da eleição de vereadores.18 Numa das disputas entre conservadores e liberais, um capanga do grupo liberal feriu a tiro, dentro do templo, o homem que vigiava a urna dos conservadores.19 A Matriz recebeu também a Princesa Isabel e o Conde d’Eu em 2 de dezembro de 1868: o vigário os esperou na porta, e os homens mais importantes da cidade carregaram o pálio.20
Em 1958 o bispo dividiu Itajubá e criou a Paróquia de São José.21
As fotografias do acervo acompanham a igreja em cada fase: a fachada sem torre fotografada por François Soucaseaux em 1897, a torre de 1912 e a Matriz atual vista da Praça Teodomiro Santiago e da ponte do mercado.
Ver também
Seção intitulada “Ver também”- Praça Teodomiro Santiago
- Vida Religiosa
- Padre Lourenço da Costa Moreira
- Nossa Senhora da Soledade de Itajubá
Footnotes
Seção intitulada “Footnotes”-
Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 568. ↩ ↩2 ↩3 ↩4
-
Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 574. ↩ ↩2 ↩3
-
Resumo Didático da História de Itajubá. 2000, p. 12. ↩
-
Resumo Didático da História de Itajubá. 2000, p. 26. ↩
-
Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 569. ↩ ↩2 ↩3
-
Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 570. ↩ ↩2 ↩3
-
Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 571. ↩
-
Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 573. ↩ ↩2 ↩3
-
Memória de Itajubá e da Obra de Theodomiro: a Pedra e a Fonte. 1999, legenda da foto 8. ↩
-
Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1972, p. 44. ↩
-
Armelim Guimarães. Itajubá e Sua História (I Parte). 1998, legendas das fotos da Matriz, do monumento de 1919 e da missa campal de 1922. ↩ ↩2 ↩3 ↩4
-
Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 574 e 575. ↩ ↩2 ↩3
-
Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 343. ↩
-
Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 131. ↩
-
Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 588. ↩
-
Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 132. ↩
-
Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 7 de setembro de 1852. ↩
-
Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 259. Resumo Didático da História de Itajubá. 2000, p. 40. ↩
-
Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 154. ↩
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Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 1958 sobre a criação da Paróquia de São José. ↩
No acervo fotográfico
80 fotografias do acervo da História de Itajubá , em ordem de data; aqui as 12 primeiras.
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Primeira construção da atual Matriz da Soledade1840 -
Desenho retratando Itajubá no século XIXDécada de 1860 -
Segunda construção da atual Matriz da SoledadeDécada de 1860 -
Vista de Itajubá nos anos 18801880 a 1890 -
Trecho da Rua Direita (ora Cel. Rennó), vendo-se a igreja Matriz da Paróquia de N.S. da SoledadeDécada de 1890 -
Pintura do Teatro Santa Cecilia e Matriz1897 -
Pintura do Teatro Santa Cecilia e Matriz1897 -
Rua Cel Rennó, Teatro Santa Cecília e Matriz em 18971897 -
Teatro Santa Cecília, e a Matriz ao fundo1897 -
4º igreja Matriz da Paróquia de N.S. da Soledade, construída por Moysés Luigi, durante o paroquiato do Cônego José Salomon.Década de 1910 -
Igreja Matriz nos anos 1910Década de 1910 -
Igreja Matriz nos anos 1910Década de 1910