Vida Religiosa
A vida religiosa organizou a cidade desde o começo: o povoado nasceu em torno da capela do Padre Lourenço da Costa Moreira, a freguesia deu o nome ao arraial e as irmandades de leigos mantiveram capelas e festas durante todo o século XIX. Esta página é o panorama; a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Soledade, a Capela dos Remédios e a Paróquia São José Operário têm páginas próprias.
A freguesia e os bispados
Seção intitulada “A freguesia e os bispados”Nos primeiros tempos, a divisa entre os bispados de São Paulo e de Mariana era motivo de atrito. Ela ficou fixada no rio Lourenço Velho por convenção dos dois bispos, em conferência realizada em São Gonçalo, em 15 de outubro de 1857, comunicada aos vigários em novembro. A Câmara ainda submeteu a divisa à consideração do governo imperial em janeiro de 1858.1
A primeira visita de um bispo a Itajubá foi a de D. Antônio Joaquim de Melo, entre 16 e 29 de outubro de 1855. Três dias antes, a Câmara nomeara uma comissão para cuidar das festividades.1
Os templos
Seção intitulada “Os templos”A História de Itajubá ordena os templos católicos da cidade por ordem cronológica:
- a Matriz de Nossa Senhora da Soledade, do Padre Lourenço, reconstruída no século XIX e inaugurada em 16 de março de 1884;2
- a Capela dos Remédios, que começou num cômodo da casa de Joaquim José dos Reis, em 1843, serviu de Matriz de 1863 a 1884 e ganhou prédio novo das Irmãs da Providência, bento em 1916;324
- a Capela de Nossa Senhora do Rosário, na atual Rua Pedro Bernardo Guimarães, com o cemitério velho nos fundos, em obras em 1868 e demolida em 1894;45
- a antiga Capela de São Benedito, erguida no começo do século XX na Rua Eugênio Salles, ampliada em 1905 pelos esforços da ex-escrava Inês Maria de Jesus e inaugurada em 1907;5
- a Capela de Nossa Senhora Aparecida, da Vila Vicentina;6
- a capela do convento das Irmãs da Providência, dedicada a Nossa Senhora Auxiliadora, benta em 26 de abril de 1933;6
- a igreja de São José, na Boa Vista, com capela provisória benta em 1937 e planta de José Ernesto Coelho;6
- a Capela de Santa Teresinha, do Pacatito, em terreno doado em parte por João Sebastião Ribeiro de Azevedo e comprado em parte por subscrição entre os servidores da fábrica de armas;6
- a Capela de São José, do Asilo dos Velhos.7
Quando terminava a História de Itajubá, em 1985, o Cônego Augusto José de Carvalho movia no Pinheirinho a construção de uma igreja de São Judas Tadeu.7 A Casa Paroquial de Nossa Senhora da Soledade foi inaugurada em 30 de janeiro de 1937, construída pelo vigário Arnaldo Geerts, e o Salão Paroquial começou a ser levantado em 1942.7
As irmandades
Seção intitulada “As irmandades”A Irmandade de São Benedito já existia em 1843, quando a imagem de Nossa Senhora dos Remédios veio para a cidade, mas só muito mais tarde construiu capela; antes disso se reunia no consistório da Matriz, sob a presidência do vigário. Era formada quase só por cativos, e com a Abolição houve uma cisão: em 1890, no Dia de Reis, os confrades se reuniram para fundar uma nova irmandade sob a mesma invocação.8
Também centenária na paróquia é a Irmandade do Senhor Bom Jesus dos Passos, que chegou a comprar um terreno no Largo dos Passos para construir capela própria, o que nunca aconteceu; o terreno acabou sendo o do cinema Bijou-Salon.9 Dos velhos tempos são ainda a Irmandade do Santíssimo Sacramento, a de Nossa Senhora da Boa Morte e a do Sagrado Coração de Jesus.10911
As Irmãs da Providência
Seção intitulada “As Irmãs da Providência”As Irmãs da Providência de Gap chegaram em 1907, trazidas pela Madre Maria Raphael e acolhidas por D. Amélia Braga. Além da Escola Normal Sagrado Coração de Jesus e do Instituto para Surdas e Mudas, assumiram a direção da Santa Casa de Misericórdia, do Asilo Santa Isabel, do Asilo dos Velhos e da Maternidade Xavier Lisboa.1213 A História de Itajubá lista as religiosas da congregação falecidas em Itajubá, de 1923 a 1968.14
Outras religiões
Seção intitulada “Outras religiões”O primeiro pregador de outra religião de que a História de Itajubá encontrou registro foi o reverendo Modesto Perestrello B. de Carvalho, que em julho de 1873 fez uma conferência sobre a Reforma luterana e distribuiu dois folhetos. Em setembro do mesmo ano, o pastor Miguel Gonçalves Torres pregou no Hotel Diniz e no Teatro Santa Cecília.14
O filólogo Eduardo Carlos Pereira, autor da Gramática Expositiva e fundador da Igreja Presbiteriana Independente, esteve em Itajubá em 1882, 1884, 1885 e 1887. Nas conferências de novembro de 1882, no salão da Câmara, foi aparteado por Aureliano Moreira Magalhães, que contestou suas conclusões de Bíblia na mão.14 Um recenseamento feito por comissão da Câmara encontrou, em 1890, um único “acatólico” em toda a cidade.15
Os presbiterianos foram os primeiros protestantes a se estabelecer na cidade, com adeptos no bairro de São João. O primeiro ministro residente, o reverendo Antônio Nunes de Carvalho, chegou em 13 de janeiro de 1929, e a Igreja Presbiteriana de Itajubá foi organizada em 30 de março de 1934; em 1985 tinha três templos.1516 Vieram depois a Assembleia de Deus, fundada em 11 de maio de 1934 pelo pastor Hilário José Ferreira; os batistas, organizados em 18 de abril de 1948, com templo inaugurado em 21 de abril de 1962 no antigo estádio municipal; as Testemunhas de Jeová, que realizaram um congresso na cidade em abril de 1959; a Igreja Adventista; a Congregação Cristã do Brasil; e o Brasil Para Cristo, de 1961.16
O espiritismo tem adeptos em Itajubá desde o início do século XX. Em 10 de março de 1941, Francisco Pinto de Miranda e Aldegondes Ribeiro do Amaral fundaram o Grupo Família Espírita, e em 4 de junho de 1950 César Sabak e Aurélio Correale fundaram o Centro de Estudos Evangélicos Allan Kardec, hoje em prédio próprio da Rua Francisco Masselli, em terreno doado pela Municipalidade.17
Ver também
Seção intitulada “Ver também”- Igreja Matriz de Nossa Senhora da Soledade
- Capela dos Remédios
- Paróquia São José Operário
- Nossa Senhora da Soledade de Itajubá
- Folclore e Tradições Populares
Footnotes
Seção intitulada “Footnotes”-
Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 575. ↩
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Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 578. ↩ ↩2 ↩3 ↩4
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Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 579. ↩ ↩2 ↩3
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Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 560. ↩
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Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 561. ↩
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Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 563. ↩
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Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 581. ↩
-
Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 582. ↩
-
Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 583. ↩ ↩2 ↩3
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Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 586. ↩
No acervo fotográfico
59 fotografias do acervo da História de Itajubá , em ordem de data; aqui as 12 primeiras.
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Primeira construção da atual Matriz da Soledade1840 -
Segunda construção da atual Matriz da SoledadeDécada de 1860 -
Trecho da Rua Direita (ora Cel. Rennó), vendo-se a igreja Matriz da Paróquia de N.S. da SoledadeDécada de 1890 -
4º igreja Matriz da Paróquia de N.S. da Soledade, construída por Moysés Luigi, durante o paroquiato do Cônego José Salomon.Década de 1910 -
Igreja Matriz nos anos 1910Década de 1910 -
Igreja Matriz nos anos 1910Década de 1910 -
Irmãs do convento1910 -
Madre Maria RafaelDécada de 1910 -
Matriz, à hora da saída da missaDécada de 1910 -
Rua Cel Rennó e Matriz1910 a 1915 -
Antiga Igreja Matriz Nossa Senhora da Soledade, com portal de entrada1912 a 1926 -
Corpus Christi na capela dos remédios, foi o 2º templo da cidade de Itajubá1912 a 1925