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Vida Militar

A vida militar de Itajubá começa com os homens que o município mandou às lutas do Império e ganhou outro peso no século XX, quando a cidade passou a sediar uma unidade do Exército, o 4º Batalhão de Engenharia de Combate, e uma fábrica de armas, hoje IMBEL. Armelim Guimarães resume a história lembrando que Itajubá deu seus filhos para lutar em 1842, de 1865 a 1870, de 1924 a 1926, em 1930, em 1932 e de 1944 a 1945.1

Em junho de 1842, durante a revolução liberal em Minas, o tenente-coronel Caetano Ferreira da Costa e Silva chegou a Itajubá com cerca de cem homens a cavalo, vindos de São Caetano da Vargem Grande. Num comício no Largo dos Passos, atual Praça Teodomiro Santiago, expôs a fidelidade à Coroa do partido que representava e pediu adesões para marchar contra os revoltosos. A coluna se juntou à Legião de Pouso Alegre, do coronel Julião Florêncio Meyer, e seguiu para Baependi, o núcleo rebelde mais visado pelos legalistas no Sul de Minas.23

Armelim Guimarães não achou o número de itajubenses que seguiram na coluna nem os nomes deles. Registrou apenas dois: o escravo João Congo e Antônio Salustiano de Miranda, que, segundo A Verdade de 1888, aderiu à revolução como liberal convicto e, portanto, não pode ter estado com Costa e Silva.2 Costa e Silva, bisavô materno de Wenceslau Braz, comandava um batalhão da Guarda Nacional, que ele mesmo equipou e armou para a luta.4

Um ofício do governo da província, de 4 de janeiro de 1865, pediu homens a Itajubá para a guerra. Em 23 de fevereiro, a Câmara reuniu os moradores para decidir como alistar os Voluntários da Pátria e mandá-los à Corte. Discursaram o vereador Domiciano da Costa Moreira, o juiz municipal Francisco Antônio da Luz, José Inácio Machado e Aureliano Moreira Magalhães, o professor Ezequiel Correia de Melo ofereceu dez mil réis mensais do próprio salário, e abriram-se subscrições para custear a remessa.56

Em setembro de 1865 a Câmara nomeou comissões nas freguesias do município para angariar voluntários, e em 7 de setembro fez uma manifestação no Largo dos Passos pela vitória de Uruguaiana, repetida com Te-Deum na Matriz em 10 de outubro.7 O vereador Manuel Félix de Alvarenga e Silva aparece nas atas como o maior agenciador de voluntários, e foi sob o comando dele que os de Itajubá partiram em 1º de outubro de 1865 para a Campanha, de onde seguiram para o Rio de Janeiro e para a guerra.8

As atas não registram os nomes dos combatentes. Armelim Guimarães recorreu à memória de moradores, a jornais antigos e ao coronel Arlindo de Araújo Vianna, que pesquisou em 1955 nos arquivos do Ministério do Exército, e chegou a quinze nomes: Belisário Penha da Silva, Benedito Rodrigues de Lemos, Calisto Dias, Claudino Manuel da Costa, Hilário Fernandes da Silva, João Luís Alves de Noronha, João Pereira Vilas-Boas, Joaquim Lopes Guimarães, José Lopes, Julião Vieira Vilaça, Miguel Anunciação Peixoto, Pedro José Correia Nunes, Sebastião do Prado Gorgulho, Simplício Pereira Leite e Vicente de Matos Vasconcelos.8910 A Sinopse, de 1966, publicara quatorze desses nomes, sem Vicente de Matos Vasconcelos.11

Vicente era um escravo. Designado em 1867 para a guerra como guarda nacional, o lavrador Antônio de Mattos Vasconcelos, do bairro do Sabará, foi substituído por ele, libertado para esse fim, e Vicente lutou com o sobrenome do antigo senhor.12 Simplício Pereira Leite não voltou: morreu no ataque de Avaí, em 1868.10

O mais lembrado foi Joaquim Lopes Guimarães, nascido em Pouso Alto em 18 de agosto de 1846. Segundo a filha, aos 19 anos roubou um cavalo do pai, vendeu-o por 8 mil réis e fugiu para a Campanha, onde alcançou o batalhão de voluntários. Voltou sargento, com a cicatriz de um golpe de espada recebido em Tuiuti. Foi vereador nos triênios de 1892 a 1894 e de 1895 a 1897 e morreu em 15 de julho de 1937.910 Em 11 de junho de 1935, aniversário da Batalha do Riachuelo, o Ginásio de Itajubá o apresentou aos alunos, aos 89 anos.1013

A lei de 26 de setembro de 1874 tornou o serviço militar obrigatório. Conta-se que em agosto de 1875, quando o governo mandou proceder ao recrutamento, um grupo numeroso de mulheres, mães, esposas e irmãs dos prováveis convocados, invadiu a igreja onde funcionava a Junta de Alistamento em Itajubá, desmanchou a mesa e inutilizou os papéis, sem que o destacamento policial do capitão José Manuel Pereira Cabral conseguisse impedir.1

A imprensa local também protestava. Em 1888, O Itajubá chamou o recrutamento forçado de “caçada de homens”. Naquele ano, o juiz de direito Adolpho Augusto Olyntho, presidente da Junta Revisora do Alistamento Militar, instalou a junta em 10 de novembro; houvera alistamentos também em 1886 e 1887.114

Em 14 de maio de 1911, no Clube Literário e Recreativo Itajubense, os sócios da Linha de Tiro se reuniram com o apoio de Wenceslau Braz, e a sociedade recebeu o nome dele. A primeira diretoria teve Theodomiro Carneiro Santiago como presidente e o aspirante Alberto Basson Jacques como diretor de tiro.15 Funcionaram em Itajubá os Tiros de Guerra 111, do Ginásio de Itajubá, até 1934, 170 e 285.15 Uma fotografia de O Município de Itajubá, de 1915, mostra os alunos do ginásio em evoluções militares no recreio, sob o instrutor tenente J. Novaes.16

Armelim Guimarães atribui a Wenceslau Braz, como presidente da República, o cumprimento da lei do serviço militar obrigatório, e ao prestígio que ele conquistou entre os militares a vinda de uma unidade do Exército para Itajubá.15

O 4º Batalhão de Engenharia chegou a Itajubá em 31 de janeiro de 1921 e se mudou em 1º de abril de 1925 para o quartel construído para ele.1718 Participou das revoluções de 1924, 1930 e 1932, guarneceu Fernando de Noronha na Segunda Guerra e mandou homens à Itália com a Força Expedicionária Brasileira.19202122 A história dele está em 4º Batalhão de Engenharia de Combate, e os pracinhas são lembrados no monumento do Expedicionário Itajubense.

A Fábrica de Canos e Sabres para Armas Portáteis teve a pedra fundamental lançada no Pacatito em 16 de julho de 1934, virou Fábrica de Itajubá em 1939 e foi incorporada à IMBEL em 1976; sua história está em IMBEL.2324

O acervo reúne as fotografias do tema: o retrato e as medalhas de Joaquim Lopes Guimarães, a aula de evoluções militares no ginásio, o quartel e os treinamentos do batalhão, e a fábrica de armas, com a visita de Getúlio Vargas em 1939.

  1. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 483. ↩ ↩2 ↩3

  2. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 97. ↩ ↩2

  3. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 98. ↩

  4. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 99, citando o jornal Brasópolis de 29 de dezembro de 1940. ↩

  5. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 145. ↩

  6. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 146. ↩

  7. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 147. ↩

  8. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 148. ↩ ↩2

  9. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 149. ↩ ↩2

  10. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 150. ↩ ↩2 ↩3 ↩4

  11. Armelim Guimarães. Sinopse da História de Itajubá. 1966, p. 16. ↩

  12. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 151, citando o jornal Cidade de Itajubá de 14 de julho de 1901. ↩

  13. Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 11 de junho de 1935. ↩

  14. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 484. ↩

  15. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 485, citando a Gazeta de Itajubá de 21 de maio de 1911. ↩ ↩2 ↩3

  16. O Município de Itajubá. 1915, legenda da fotografia das evoluções militares dos alunos do Ginásio de Itajubá. ↩

  17. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 486. ↩

  18. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 487. ↩

  19. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 488. ↩

  20. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 490. ↩

  21. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 492. ↩

  22. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 495. ↩

  23. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 348. ↩

  24. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 349. ↩

No acervo fotográfico

61 fotografias do acervo da História de Itajubá , em ordem de data; aqui as 12 primeiras.

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