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José Manso Pereira Cabral

José Manso Pereira Cabral, farmacêutico, jornalista e orador, foi duas vezes presidente da Câmara e agente executivo de Itajubá e levou a luz elétrica à cidade em 1907. Na primeira administração, conseguiu que capitalistas da cidade e a Companhia Paulista de Eletricidade construíssem a usina da Serra dos Toledos, inaugurada em 12 de janeiro de 1907. Nasceu em Itajubá em 21 de maio de 1869 e morreu em 15 de julho de 1923.123

Era filho do magistrado José Manuel Pereira Cabral, um dos chefes do Partido Conservador no Império, e de D. Mariana Pereira dos Santos Cabral. Formou-se em Farmácia pela Escola de Ouro Preto em 24 de setembro de 1889 e casou com D. Amélia Lopes Cabral.14 O pai morreu em 2 de agosto de 1903. Em setembro, quando a Câmara deu à Rua Marquês do Herval o nome de Rua Doutor Pereira Cabral, o vereador José Manso declarou-se suspeito e não votou.56

Sua Farmácia Lavoisier funcionou onde depois se ergueu o Cine-Teatro Apolo e também na Praça Adolfo Olinto.7 Na gripe espanhola de 1918, Armelim Guimarães o cita, com os farmacêuticos Jorge de Oliveira Braga e Eurico Vianna e os médicos Xavier Lisboa, João de Azevedo e Barbosa Lima, entre os que socorreram a população pobre do município.8 Em 1915 era fiscal de consumo.9

José Manso foi redator do Correio do Povo, que Balduíno Vieira Salgado editou a partir de 1890, e da Gazeta de Itajubá.109 Foi orador do Clube Dramático Culto à Arte, que estreou no Teatro Santa Cecília em 1892, e da primeira diretoria do Clube Itajubense, eleita em 1897.1112 Falou nas grandes solenidades da cidade: saudou o bispo D. Otávio Chagas de Miranda na estação e discursou em 3 de maio de 1904 na inauguração do prédio da Santa Casa.131415

Deu aulas no Colégio Infantil, em 1891, e na primeira Escola Normal de Itajubá.1617 O Memorial da Câmara atribui a um projeto dele, de 1894, a criação da escola. Ele a dirigiu: a inauguração oficial foi em 15 de março de 1897, numa casa da viúva do coronel Antônio José Rennó. Em 1901 a Câmara desativou a escola, e uma lei municipal autorizou a venda do laboratório e do material técnico.18199

José Manso entrou na Câmara em 1892, como vereador especial.20 Em 1893 propôs medidas contra o aliciamento de trabalhadores das fazendas do município por agentes de outras regiões e propôs que o agente executivo pedisse ao governo federal uma hospedaria de imigrantes em Itajubá. Em 1894 pediu que a Câmara tomasse posse do legado deixado pelo médico Domiciano da Costa Moreira para uma casa de caridade.2122 Foi conselheiro da primeira diretoria da Sociedade Beneficente Itajubense, que deu origem à Santa Casa de Misericórdia.23

Voltou à Câmara em 1902, na vaga de um vereador que renunciou.2418 Nesse mandato propôs comprar um terreno nos subúrbios para tirar da cidade as palhoças que a imprensa apontava como focos de doença, sugeriu usar o terreno do cemitério velho para prolongar a Rua Coronel Rennó e pediu que as casas deixassem de despejar as latrinas no Sapucaí.252627

Presidiu o Centro Operário Dom João Nery desde a fundação, em 1º de novembro de 1901, e foi reeleito em 1904.28 Em 1902 fazia parte do diretório do Partido Republicano Mineiro em Itajubá, com João Carneiro Santiago Júnior e Frederico Schumann.29

Em outubro de 1904, o diretório do Partido Republicano Mineiro indicou José Manso para presidir a Câmara, e os vereadores o elegeram por unanimidade.30 No manifesto que publicou em 15 de janeiro de 1905, prometeu fazer da higiene e do saneamento o marco da administração: rede de esgotos, drenagem dos charcos, matadouro, arborização das ruas, obras nas margens do Sapucaí, estradas municipais e escolas nos núcleos agrícolas. Para as obras mais caras, pretendia atrair empresas particulares, e fechou o texto prometendo “um governo do povo para o povo”.31 O Memorial da Câmara observa que o eleitorado da época excluía analfabetos e mulheres, e que a Câmara acabou financiando as obras com empréstimos, sobretudo do Estado.32

As fontes divergem sobre as datas. A História de Itajubá o dá como presidente durante todo o quatriênio de 1904–1907, com posse em dezembro de 1903; o Memorial fala em eleição para o triênio de 1905–1907.3325 Como agente executivo, José Manso assinou em 28 de janeiro de 1905 o edital que marcou o arrasamento do cemitério velho.34

Em fevereiro de 1905, segundo a Gazeta de Itajubá, as ideias do manifesto trouxeram à cidade um engenheiro da firma Guinle & Cia., do Rio de Janeiro, que examinou a cachoeira do ribeirão da serra e propôs a instalação completa por 58 contos e 350 mil réis. Em 17 de junho, a Lei municipal nº 5, sancionada por ele, deu à Companhia Paulista de Eletricidade, de Limeira, o privilégio de explorar a luz e a energia no município por vinte anos.235 O coronel João Carneiro Santiago Júnior, o médico Xavier Lisboa, Luís Dias Pereira e outros capitalistas da cidade entraram com o dinheiro.2

A usina, de 250 cavalos, foi construída na Serra dos Toledos, com as águas do ribeirão José Pereira, numa queda que o fazendeiro Francisco Lobato Uchoa cedeu de graça. O engenheiro Emílio Klinger dirigiu a barragem e a casa das máquinas, os irmãos Adolfo e Franz Tribst montaram os geradores, e Ernesto Pavani cuidou dos postes e das instalações na cidade.363738

Em 12 de janeiro de 1907, às seis da tarde, José Manso abriu no Mercado Municipal a sessão magna da Câmara, com Wenceslau Braz, deputados, juízes e o povo, e o juiz de direito Luís Rennó declarou instalada a luz elétrica.363940 Olímpio de Magalhães, que não acreditava no projeto, tinha dito que, se Itajubá fosse iluminada por lâmpadas elétricas, ele seria bispo de Piranguçu. No dia da inauguração, o pintor Luís Teixeira apresentou um quadro de Olímpio de mitra e báculo, com uma lâmpada no alto do cajado.37

A História de Itajubá chama Itajubá de primeira cidade sul-mineira com iluminação elétrica; Itajubá e Sua História diz que, “se não foi exatamente a primeira”, foi uma das primeiras.3741 Veja também Iluminação Pública.

José Manso presidiu a Câmara de novo a partir de 1908. Construtores de Itajubá dá o fim do mandato em 1910; a lista da História de Itajubá o põe no quatriênio de 1908–1911, sucedido por Jorge de Oliveira Braga.142

Morreu em 15 de julho de 1923.3 Em 12 de novembro daquele ano, a Câmara destinou 500 mil réis ao busto que seu amigo Rosendo de Oliveira propôs. A herma, terceiro monumento erguido na cidade, foi inaugurada em 25 de dezembro de 1925 na Praça Teodomiro Santiago, com a lápide “A José Manso P. Cabral, o povo de Itajubá agradecido”. Na reforma do jardim, foi levada para a Praça Pereira dos Santos.4344 Em 1999, as ruínas da usina da Serra dos Toledos ainda guardavam a barragem, o volante da comporta e a casa das máquinas.38

  1. Armelim Guimarães. Construtores de Itajubá. 1975, p. 25. ↩ ↩2 ↩3

  2. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 476. ↩ ↩2 ↩3

  3. Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1972, p. 48. ↩ ↩2

  4. Resumo Didático da História de Itajubá. 2000, p. 40. ↩

  5. Armelim Guimarães. Construtores de Itajubá. 1975, p. 18. ↩

  6. Memorial da Câmara Municipal de Itajubá: Desenvolvimento Urbano (1892–1930). Itajubá, 2012, capítulo sobre a memória nos nomes das ruas. ↩

  7. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 528. ↩

  8. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 511. ↩

  9. O Município de Itajubá. 1915, p. 26. ↩ ↩2 ↩3

  10. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 407. ↩

  11. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 434. ↩

  12. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 457. ↩

  13. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 549. ↩

  14. Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1972, p. 30. ↩

  15. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 516. ↩

  16. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 375. ↩

  17. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 376. ↩

  18. Memorial da Câmara Municipal de Itajubá: Desenvolvimento Urbano (1892–1930). Itajubá, 2012, capítulo “Urbanização, sociedade e representação política”. ↩ ↩2

  19. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 377. ↩

  20. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 301. ↩

  21. Memorial da Câmara Municipal de Itajubá: Ordenamento Social (1849–1930). Itajubá, 2012, capítulo sobre o trabalho e a mão de obra. ↩

  22. Memorial da Câmara Municipal de Itajubá: Ordenamento Social (1849–1930). Itajubá, 2012, capítulo sobre a assistência aos pobres e doentes. ↩

  23. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 512. ↩

  24. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 304. ↩

  25. Memorial da Câmara Municipal de Itajubá: Desenvolvimento Urbano (1892–1930). Itajubá, 2012, capítulo sobre saúde pública e saneamento. ↩ ↩2

  26. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 510. ↩

  27. Memorial da Câmara Municipal de Itajubá: Desenvolvimento Urbano (1892–1930). Itajubá, 2012, capítulo sobre o Rio Sapucaí e os esgotos. ↩

  28. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 459. ↩

  29. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 275. ↩

  30. Memorial da Câmara Municipal de Itajubá: Desenvolvimento Urbano (1892–1930). Itajubá, 2012, anexo com a nota da Gazeta de Itajubá de 6 de novembro de 1904. ↩

  31. Memorial da Câmara Municipal de Itajubá: Desenvolvimento Urbano (1892–1930). Itajubá, 2012, anexo 4, manifesto-programa de José Manso Pereira Cabral, publicado na Gazeta de Itajubá de 15 de janeiro de 1905. ↩

  32. Memorial da Câmara Municipal de Itajubá: Desenvolvimento Urbano (1892–1930). Itajubá, 2012, capítulo “Urbanização, sociedade e representação política”. ↩

  33. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 306. ↩

  34. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 540 e 541. ↩

  35. Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 17 de junho de 1905. ↩

  36. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 477. ↩ ↩2

  37. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 479. ↩ ↩2 ↩3

  38. Armelim Guimarães. Itajubá e Sua História (II Parte). 1999, p. 104. ↩ ↩2

  39. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 478. ↩

  40. O Município de Itajubá. 1915, p. 62. ↩

  41. Armelim Guimarães. Itajubá e Sua História (I Parte). 1998, texto sobre a iluminação elétrica. ↩

  42. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 321. ↩

  43. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 588. ↩

  44. Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 25 de dezembro de 1925. ↩

No acervo fotográfico

3 fotografias do acervo da História de Itajubá , em ordem de data.

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