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Ponte Tancredo Neves

A Ponte Tancredo Neves, de concreto armado, atravessa o Rio Sapucaí na Rua Dona Maria Carneiro, no Bairro Boa Vista, em Itajubá, e foi inaugurada em 25 de setembro de 1960 no lugar da ponte metálica de 1908, que desabou em 1954. O vereador Marcos Rennó Grilo propôs o nome, e a Câmara o registrou na ata de 20 de setembro de 1960.12

Antes das pontes, os barqueiros levavam pessoas, animais e cargas de uma margem à outra do Sapucaí. Em 27 de abril de 1865, a Câmara deu licença a José Francisco Pimenta para manter uma barca de passagem no porto de D. Leocádia, pouco abaixo de onde hoje está a ponte, com preços fixados em tabela.3 Uma ata de 1879 menciona uma ponte D. Leocádia sobre o Sapucaí, na saída para Santa Rita, e a História de Itajubá a descreve como uma passadeira frágil, um pouco abaixo do lugar da ponte atual.1

Em 1908, a cidade inaugurou a ponte metálica, de arcos, da Rua Dona Maria Carneiro. As peças de aço vieram da firma Irmãos Almeida, a montagem teve a direção técnica de Jorge Marinelli e o piso era de pranchões de madeira. A nova ponte substituiu a passadeira D. Leocádia.14 O álbum O Município de Itajubá, de 1915, publicou uma fotografia dela.5

O escritor Marques Rebelo, em Cenas da Vida Brasileira, contou ter avistado do arco da ponte metálica a pedra amarela descrita por Bernardo Saturnino da Veiga. Armelim Guimarães contestou: de Itajubá não se enxerga Delfim Moreira, onde a pedra deveria estar.6

Em 15 de julho de 1954, a ponte metálica não aguentou o peso de uma viatura e dobrou-se ao meio, depois de quase meio século de uso.178 A população do bairro pediu ajuda ao 4º Batalhão de Engenharia de Combate, então comandado pelo coronel Arilo Osório de Sousa, e no dia seguinte, 16 de julho, o batalhão montou uma ponte de emergência ao lado da ponte caída. Durante o trabalho, o soldado José Leopoldino Neto fraturou uma perna, que foi amputada dias depois no Hospital Central do Exército, no Rio de Janeiro.19

Em 23 de abril de 1955, o batalhão inaugurou uma ponte provisória de madeira e deu a ela o nome de Ponte Soldado Leopoldino. A enchente de 1957 destruiu parte dessa ponte, e em 19 de setembro daquele ano o batalhão a reconstruiu, ligando as ruas Maurício Kaisermann e Professor Carmo Cascardo. Colaboraram com a reconstrução a Prefeitura, a Companhia Industrial Sul-Mineira, a Companhia Sul-Mineira de Eletricidade, a Fábrica de Armas, a Rede Mineira de Viação, o DNER, várias firmas e particulares.121011 Chegou-se a pensar em aproveitar o material da ponte metálica na construção da ponte Rui Gomes Braga, no centro, mas a ideia não foi adiante.12

O deputado Euclides Pereira Cintra pediu ao governo do estado uma ponte nova no mesmo lugar. Em radiograma de 22 de fevereiro de 1956, o governador Bias Fortes prometeu a obra para o segundo semestre daquele ano.213 A construção começou em 4 de novembro de 1957, a cargo da firma de Carnot de Pádua Hermeto, e ficou parada muito tempo por falta de verba.28 Em 15 de janeiro de 1959, o secretário de Viação e Obras Públicas, Belmiro de Medeiros Silva, comunicou a Cintra que o governador tinha autorizado a ponte da Rua Maria Carneiro, junto com a ponte de zinco do Rio Lourenço Velho e o desmonte do morro na cabeceira do campo de pouso.2

Em 9 de março de 1960, uma grande concentração popular no local das obras protestou contra a paralisação, com vários oradores, entre eles o padre Generoso de Carvalho, vigário da Paróquia de São José.214 A ponte foi inaugurada com festa em 25 de setembro de 1960, na presença do prefeito Vicente Vilela Vianna. No mesmo dia, a cidade inaugurou outra ponte, sobre o Ribeirão das Anhumas.21516

  1. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 202. ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5 ↩6

  2. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 203. ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5 ↩6 ↩7

  3. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 201. ↩

  4. Armelim Guimarães. Itajubá e Sua História (I Parte). 1998, legenda da foto da ponte metálica sobre o Sapucaí. ↩

  5. O Município de Itajubá. 1915, foto “Cidade de Itajubá: Ponte metallica sobre o rio Sapucahy”. ↩

  6. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 44. ↩

  7. Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 15 de julho de 1954. ↩

  8. Armelim Guimarães. Itajubá e Sua História (I Parte). 1998, legenda da foto da queda da ponte metálica. ↩ ↩2

  9. Câmara Municipal de Itajubá. Projeto Reminiscências Fotográficas, legenda da foto “Vista próxima da queda da Ponte Tancredo Neves - 1954”. ↩

  10. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 487. ↩

  11. Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 23 de abril de 1955. ↩

  12. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 204. ↩

  13. Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 22 de fevereiro de 1956. ↩

  14. Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 9 de março de 1960. ↩

  15. Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1972, p. 65. Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 25 de setembro de 1960. ↩

  16. Armelim Guimarães. Itajubá e Sua História (II Parte). 1999, p. 78. ↩

No acervo fotográfico

11 fotografias do acervo da História de Itajubá , em ordem de data.

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