Enchentes
As enchentes do Rio Sapucaí atravessam a história de Itajubá. O rio entra na cidade pelo bairro Santa Rosa e sai pelo da Boa Vista, dividindo-a em duas partes, e o vale fechado entre as vertentes da Mantiqueira faz com que as chuvas torrenciais desçam depressa para o leito e transbordem sobre as várzeas e a parte baixa da cidade.1
Por que a cidade alaga
Seção intitulada “Por que a cidade alaga”Armelim Guimarães descreve o mecanismo: as chuvas e as trombas d’água despencadas nas cabeceiras e nas escarpas correm para o Sapucaí e seus tributários, enchem o rio rapidamente, inundam as várzeas, derrubam casas e desabrigam centenas de famílias. Antes da retificação, o rio guardava inúmeras curvas em alças fechadas pelas várzeas de Santo Antônio, Santa Rosa, Pacatito, Varginha e das proximidades de Piranguinho, o que retinha as águas e impedia o escoamento rápido nas chuvas de dezembro, janeiro e fevereiro.12
O segundo volume de Itajubá e Sua História lista os bairros atingidos: todo o centro, onde está o alto comércio, e os bairros urbanos do Pinheirinho, da Avenida, da Boa Vista, do Porto Velho, do Pacatito, da Cantina, hoje Santa Rita de Cássia, e da Varginha, com partes mais baixas que ficavam totalmente submersas.3
O Ribeirão José Pereira, que também corta a cidade, inunda o centro e a baixada do Pinheirinho quando caem trombas d’água nas serras do Juru, dos Toledos e da Água Limpa. Armelim Guimarães o dá por retificado no percurso urbano, mas registra que a vazão na confluência com o Sapucaí, no centro, continuava sem solução satisfatória, porque não havia como alargar o leito nem abrir canais auxiliares.4
As cheias que ficaram registradas
Seção intitulada “As cheias que ficaram registradas”A Câmara registrou a inundação de 20 de março de 1874, que causou desabamentos e grandes prejuízos e chegou às proximidades do Largo dos Passos, atual Praça Teodomiro Santiago.15 A Gazeta Comercial de 16 de janeiro de 1881 noticiou outra inundação de proporções assustadoras, ocorrida no dia 9 daquele mês.1
A cheia de 2 de fevereiro de 1945 foi a que ficou na memória da cidade, tanto pela altura alcançada, quase igualando a de 1874, quanto pela rapidez com que as águas subiram, que pouco tempo deu para socorrer pessoas e objetos e abandonar as casas mais baixas da beira do rio.16 O livro de 1998 dedica três páginas a fotografias dela, e o de 1999 diz que a inundação de 1945 se repetiu em 1991 com quase a mesma altura das águas.73
A enchente de 1957 destruiu em parte a ponte provisória de madeira Soldado Leopoldino, que o 4º Batalhão de Engenharia de Combate reconstruiu em 19 de setembro daquele ano.8 Armelim Guimarães lembra os socorros que o Batalhão prestou à cidade nos dias de enchente.9
O que a Câmara fez
Seção intitulada “O que a Câmara fez”Na sessão de 13 de janeiro de 1864, a Câmara reconheceu em ata a necessidade de mudar o curso das águas do Sapucaí e nomeou uma comissão, formada pelo tenente-coronel Caetano Ferreira da Costa e Silva e pelo major Joaquim Inácio Vilas-Boas da Gama, para fazer planta e orçamento. Na mesma sessão decidiu pedir verba à Assembleia Legislativa Provincial. Nada se realizou.110
Em 28 de outubro de 1882, o jornal O Itajubá noticiou a aprovação, em terceira discussão, do projeto de Silvestre Dias Ferraz Júnior que concedia 20 contos de réis para a mudança do leito do rio junto à cidade, sancionado em dezembro. Em 1º de fevereiro de 1883, mais de cem itajubenses assinaram uma representação pedindo que a quota se tornasse efetiva. Em ofício de 3 de agosto de 1883, o presidente da província respondeu que as quotas não podiam ser entregues, por não haver rubrica própria na lei do orçamento.12
Um código de posturas transcrito no Memorial da Câmara proibia, nas ruas alagadiças ou tocadas pelas enchentes periódicas, construir qualquer edifício sem que o baldrame ficasse acima do limite máximo das águas, sob multa de 15$000 e obrigação de reparar o defeito.11 Em fevereiro de 1905, a Câmara aprovou indicação do vereador Paulo Chiaradia para levar ao governo estadual o perigo causado pelo rio e a necessidade de auxílio.12
A retificação do rio
Seção intitulada “A retificação do rio”Em 1949, o prefeito Sebastião Pereira Rennó pediu ao DNOS a inclusão de Itajubá no programa de melhoramentos de cursos hidrográficos. Camilo de Meneses, diretor-geral do órgão, aceitou incluir o Sapucaí no programa de estudos e veio à cidade em 7 de setembro daquele ano, com os engenheiros Eduardo Secades e Waldir Assad. Depois de examinar as zonas inundáveis, disse que o problema era muito mais grave do que podia imaginar. Nada se fez além dos entendimentos.2
O deputado Euclides Pereira Cintra retomou a questão na Assembleia Legislativa em 29 de setembro de 1953 e escreveu ao DNOS em outubro daquele ano e de novo em 11 de fevereiro de 1957.2 O estudo e o traçado foram elaborados pelo engenheiro Luiz Goulart de Azevedo enquanto era prefeito, em 1955 e 1956.13
Os trabalhos começaram em 11 de novembro de 1957, alguns quilômetros abaixo da cidade, com duas dragas. Uma solenidade no local reuniu o prefeito Antônio Rennó Pereira, o Tota Rennó, o engenheiro da prefeitura Aureliano Chaves de Mendonça, o vigário Padre Agostinho Picard, os vereadores Vicente de Sales Dias Filho e Cyrillo Rodrigues de Sousa e o tenente-coronel Eduardo Congro, comandante do 4º BECmb.414 A obra durou quase doze anos: só em 1969 as máquinas chegaram à ponte da Fábrica de Armas, ponto final do serviço.4
As Efemérides Itajubenses dizem que a retificação “pôs fim às desastrosas inundações em Itajubá”.14 O próprio Armelim Guimarães, no volume de 1999, registra a cheia de 1991 com quase a mesma altura da de 1945,3 e o acervo fotográfico da Câmara guarda imagens de enchentes em 1958, 1979, 1991, 1998 e 2000.
As fotografias
Seção intitulada “As fotografias”O acervo reúne dezenas de fotografias de enchentes, das cheias de 1929, 1938, 1940, 1945, 1957, 1958, 1979, 1991, 1998 e 2000. Duas legendas da Câmara medem a água pelo que aparece na imagem: cerca de 40 centímetros sobre o solo na Avenida Coronel Carneiro Júnior em 1938 e cerca de 80 centímetros na mesma avenida em 1957, pela altura de um automóvel.1516
Ver também
Seção intitulada “Ver também”Footnotes
Seção intitulada “Footnotes”-
Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 29. ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5 ↩6 ↩7
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Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 30. ↩ ↩2 ↩3 ↩4
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Armelim Guimarães. Itajubá e Sua História (II Parte). 1999, p. 110, legenda da foto. ↩ ↩2 ↩3
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Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 32. ↩ ↩2 ↩3
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Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 20 de março de 1874. ↩
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Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 2 de fevereiro de 1945. ↩
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Armelim Guimarães. Itajubá e Sua História (I Parte). 1998, legendas das fotos de Itajubá na enchente de 1945. ↩
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Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 202. ↩
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Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 488. ↩
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Armelim Guimarães. Itajubá e Sua História (II Parte). 1999, p. 6, cronologia. ↩
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Memorial da Câmara Municipal de Itajubá: Desenvolvimento Urbano (1892–1930). Itajubá, 2012, código de posturas transcrito em anexo, artigo 12. ↩
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Memorial da Câmara Municipal de Itajubá: Desenvolvimento Urbano (1892–1930). Itajubá, 2012, capítulo sobre o rio Sapucaí e o saneamento. ↩
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Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 31. ↩
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Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 11 de novembro de 1957. ↩ ↩2
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Câmara Municipal de Itajubá. Projeto Reminiscências Fotográficas, legenda da foto “Vista da Av. Cel. Carneiro Jr., enchente de 1938”. ↩
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Câmara Municipal de Itajubá. Projeto Reminiscências Fotográficas, legenda da foto da Avenida Coronel Carneiro Júnior na enchente de 1957. ↩
No acervo fotográfico
112 fotografias do acervo da História de Itajubá , em ordem de data; aqui as 12 primeiras.
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Enchente de 1919 na Praça do Carneiro26/02/1919 -
Enchente de 19291929 -
Inundação no antigo "Estádio Municipal" ou Parque Pe. Lourenço, perto da Santa Casa1929 -
Ponte dos Arcos e igreja Matriz ao fundo1938 a 1942 -
Vista da Av. Cel. Carneiro Jr. - Enchente de 1938.1938 -
Asilo Nossa Senhora da Soledade na enchente de 19401940 -
Enchente de 19401940 -
Enchente na praça Wenceslau Brás, em frente a casa Rosa1940 -
Enchente no Bairro Estádio hoje Varginha1940 -
Enchentes em Itajubá1940 -
Inundação1940 -
Praça do Carneiro na Enchente de 194004/02/1940