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Wenceslau Braz Pereira Gomes

Wenceslau Braz Pereira Gomes nasceu em 26 de fevereiro de 1868 em São Caetano da Vargem Grande, hoje Brasópolis, então distrito de Itajubá. Advogado, foi deputado, presidente do Estado de Minas Gerais, vice-presidente e presidente da República, de 1914 a 1918. Casado com uma itajubense, viveu na cidade desde 1892 e morreu nela em 15 de maio de 1966.12 Armelim Guimarães, que lhe dedicou uma biografia, Venceslau Brás, o mineiro que dobrou o caudilho, o descreve como o chefe político ouvido e seguido pelos itajubenses durante toda a Primeira República.34

Os livros escrevem o nome de dois jeitos: Wenceslau Braz, a grafia do título desta página e dos livros de 1975, 1998 e 1999, e Venceslau Brás, a grafia que Armelim Guimarães adota na Sinopse e na História de Itajubá.

Era filho do coronel Francisco Braz Pereira Gomes e de D. Isabel Pereira dos Santos.1 O pai foi deputado provincial em 1888 e 1889 e, em Itajubá, fez a primeira instalação de água potável, a primeira rede de esgoto e fundou a primeira Escola Normal.5 O avô paterno, o capitão Manuel José Pereira Gomes, foi vereador e duas vezes agente executivo de Itajubá, e é o Capitão Gomes que dava nome à praça onde o neto morou.67 Pelo lado do pai descendia também do alferes Antônio Dias Pereira, primeiro juiz de paz de Itajubá, e pelo da mãe, do tenente-coronel Caetano Ferreira da Costa e Silva, ambos da primeira Câmara da vila.8910

Aprendeu as primeiras letras com o pai e com os professores Ezequiel Correia e Evaristo Rebelo. Fez os preparatórios em São Paulo, no Colégio Moretzsohn e no Seminário Episcopal, onde os terminou em 1885, e recebeu o diploma de advogado da Faculdade de Direito de São Paulo em 11 de dezembro de 1890.111

Em 12 de setembro de 1892 casou-se com Maria Carneiro Santiago, filha do coronel João Carneiro Santiago Júnior e de D. Lucinda Pereira Guimarães Santiago, e passou a residir em Itajubá.112 Theodomiro Carneiro Santiago, irmão de Maria Carneiro, foi seu secretário particular.13 O filho José Braz Pereira Gomes foi deputado e agente executivo municipal, o filho João Braz Pereira Gomes morreu em 29 de outubro de 1981, e o genro José de Oliveira Marques foi o primeiro prefeito nomeado de Itajubá depois de 1930.141516

Depois de formado, advogou em Jacuí e em Monte Santo, onde foi promotor público, vereador e, em 1894, agente executivo municipal.1 A Sinopse resume o resto: eleito deputado federal, deixou a magistratura pela política; foi presidente de Minas Gerais de 1909 a 1910, vice-presidente da República de 1911 a 1914 e, em 1914, sucedeu o marechal Hermes da Fonseca na Presidência, onde ficou até 1918.2 O livro Memória de Itajubá lembra que o sucessor dele foi Delfim Moreira, também sul-mineiro.17

Como representante da região no Congresso Mineiro, apresentou em 1893 um protesto contra a indicação do deputado paulista Almeida Vergueiro, nascido na Vargem Grande, para mudar a divisa entre São Paulo e Minas pelos rios Lourenço Velho, Sapucaí e Grande.1819 Em 1894 apresentou o projeto nº 45, que autorizava vender em hasta pública o prédio da cadeia e do júri de Itajubá.20 Nas eleições de 15 de novembro de 1894 foi o candidato mais votado na cidade, e na eleição para presidente do Estado de 10 de janeiro de 1909 recebeu 183 votos das urnas itajubenses.212223

Como presidente do Estado, criou pelo Decreto nº 2.826, de 14 de maio de 1910, o Instituto Dom Bosco, em terras da fazenda do coronel João José Rennó onde estivera o Núcleo Colonial de Itajubá, e esteve na inauguração, em 11 de setembro de 1910.24 Como vice-presidente da República, assistiu em 23 de novembro de 1913 à inauguração do Instituto Eletrotécnico e Mecânico de Itajubá, com o marechal Hermes da Fonseca.25 A Sinopse lista como principais fatos da Presidência a declaração de guerra à Alemanha, a obrigatoriedade do serviço militar, a pacificação do Contestado, o combate à febre amarela, a moralização das eleições e o combate à inflação.2

A História de Itajubá lhe atribui o cumprimento da lei do serviço militar obrigatório e a vinda para a cidade, depois da Presidência, do 4º Batalhão de Engenharia. Presidente, visitou o batalhão em Lorena em 20 de maio de 1918.2627 Em 1915 doou à Cruz Vermelha Brasileira os terrenos para a sede própria da instituição, que em 4 de novembro de 1953 lhe conferiu a Cruz da Benemerência.28

Em 1911, a Gazeta de Itajubá o dava como presidente da Companhia Força e Luz de Itajubá, que naquele ano levou a luz elétrica a Brasópolis.29 No mesmo ano apoiou a criação da Linha de Tiro da cidade, que recebeu o nome dele.26 A História de Itajubá o inclui entre os que promoveram e financiaram empreendimentos industriais na cidade e entre os grandes nomes ligados ao Banco de Itajubá.3031

Participou das obras de caridade e da Igreja. Discursou na inauguração do Pavilhão de Tuberculosos da Santa Casa, em 20 de janeiro de 1909, e estava presente na inauguração do novo prédio do hospital, em 24 de outubro de 1925.3233 Foi tesoureiro da comissão que construiu a nova Matriz de Nossa Senhora da Soledade e ofereceu o altar de São José, inaugurado em 1º de novembro de 1931.3435 Presidiu de honra a filial da Sociedade Mineira de Proteção aos Lázaros, em 1931, e a Associação Itajubense de Proteção aos Menores Desamparados.3637

A casa em que morou fica na Praça Wenceslau Brás, antiga Praça Capitão Gomes. O nome Wenceslau Braz tinha sido dado antes ao Largo dos Andradas, hoje Praça Getúlio Vargas, e passou depois para a praça da residência dele.387 A História de Itajubá inclui o palacete entre as obras do grupo de construtores do qual faziam parte os italianos Moisés e José Luigi.39

Na campanha de 1929, voltou a Itajubá em 21 de outubro depois da reunião do Partido Republicano Mineiro que indicou Olegário Maciel para o governo de Minas, e a Câmara e o diretório municipal telegrafaram à direção do partido declarando-se solidários com a atitude dele.440 Getúlio Vargas, candidato à Presidência, mandou-lhe telegrama pedindo que transmitisse ao povo do Sul de Minas sua confiança na vitória; em Itajubá, Vargas teve 1.854 votos, contra 22 de Júlio Prestes.4041

Vitoriosa a revolução de 1930, voltou de Belo Horizonte em 28 de outubro, trazendo telegrama de Vargas agradecendo o apoio, e no dia seguinte foi homenageado pelo povo, com discursos de José Ernesto Coelho, Newton Belleza e do Padre Paulo Hartgers.4243 Presidiu, no Clube Itajubense, a solenidade de fundação da Legião Revolucionária em Itajubá, em 18 de novembro de 1930.42 Em 2 de março de 1931 ficou à frente das comissões da Campanha Econômica e Financeira de Minas Gerais, que pedia empréstimo popular para as finanças do Estado.44 Presidiu também, na capital mineira, a assembleia de 1º e 2 de julho de 1931 que criou o partido Legião Liberal Mineira, e a encerrou com um discurso.45

A residência servia de ponto de reunião pública. Em 24 de novembro de 1935, um préstito de operários contra o comunismo parou em frente a ela para ouvir oradores.46 Em 16 de dezembro de 1942, Dia do Reservista, o batalhão desfilou diante da casa em homenagem ao presidente que impôs o serviço militar obrigatório.47 Em 11 de janeiro de 1947, no comício de Milton Campos, ele próprio falou da sacada.48

A herma de Wenceslau Braz, inaugurada em 26 de fevereiro de 1914, dia do aniversário dele, foi o primeiro monumento erguido em Itajubá. Foi posta na Praça Teodomiro Santiago e, na remodelação daquele jardim, levada para a Praça Wenceslau Brás. Traz a inscrição “A cidade de Itajubá, os amigos e admiradores do Dr. Venceslau Brás”.495051 No centenário do nascimento, em 1968, a Câmara acrescentou a ela uma placa comemorativa, e a Esquadrilha da Fumaça sobrevoou a cidade.4952

Recebeu das mãos do presidente Eurico Gaspar Dutra a Grã-Cruz da Ordem do Mérito Militar, no Forte Duque de Caxias, no Rio de Janeiro, em 25 de agosto de 1948, e a Grã-Cruz da Ordem do Mérito Aeronáutico em 23 de outubro de 1954.5354 Levam seu nome, em Itajubá, o Fórum, a Escola de Enfermagem Wenceslau Braz e a antiga Escola de Horticultura, hoje Escola Estadual Venceslau Brás; o prédio da Prefeitura se chama Palácio 26 de Fevereiro, data do nascimento dele.55565758 Em 1982, o prefeito Pedro Mendes dos Santos inaugurou o Museu Venceslau Brás numa sala da Avenida Coronel Carneiro Júnior.59

Morreu na manhã de 15 de maio de 1966, em sua residência em Itajubá, aos 98 anos, às vésperas do centenário.26017 Maria Carneiro Pereira Gomes, fundadora do Asilo Santa Isabel para meninas desamparadas, tinha morrido em 14 de agosto de 1925.261

  1. Armelim Guimarães. Construtores de Itajubá. 1975, p. 33. ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5

  2. Armelim Guimarães. Sinopse da História de Itajubá. 1966, p. 64. ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5

  3. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 7, prefácio. ↩

  4. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 275. ↩ ↩2

  5. Armelim Guimarães. Construtores de Itajubá. 1975, p. 19. ↩

  6. Armelim Guimarães. Construtores de Itajubá. 1975, p. 66. ↩

  7. Armelim Guimarães. Itajubá e Sua História (II Parte). 1999, p. 20, legenda da foto da Praça Wenceslau Braz quando ainda Praça Capitão Gomes. ↩ ↩2

  8. Armelim Guimarães. Itajubá e Sua História (I Parte). 1998, texto de abertura sobre a instalação da vila. ↩

  9. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 113. ↩

  10. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 99. ↩

  11. Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 11 de dezembro de 1890. ↩

  12. Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 12 de setembro de 1892. ↩

  13. Armelim Guimarães. Construtores de Itajubá. 1975, p. 34. ↩

  14. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 445. ↩

  15. Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 29 de outubro de 1981. ↩

  16. Resumo Didático da História de Itajubá. 2000, p. 34. ↩

  17. Memória de Itajubá e da Obra de Theodomiro: a Pedra e a Fonte. 1999, texto sobre o Instituto Eletrotécnico e Mecânico. ↩ ↩2

  18. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 144. ↩

  19. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 145, citando A Verdade de 27 de maio de 1893. ↩

  20. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 368, citando A Verdade de 2 de junho de 1894. ↩

  21. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 304. ↩

  22. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 307. ↩

  23. Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 10 de janeiro de 1909. ↩

  24. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 390. ↩

  25. Armelim Guimarães. Sinopse da História de Itajubá. 1966, p. 62. ↩

  26. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 485. ↩ ↩2

  27. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 486. ↩

  28. Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 4 de novembro de 1953. ↩

  29. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 480. ↩

  30. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 347. ↩

  31. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 482. ↩

  32. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 516. ↩

  33. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 517. ↩

  34. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 574. ↩

  35. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 575. ↩

  36. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 519. ↩

  37. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 506. ↩

  38. Resumo Didático da História de Itajubá. 2000, p. 101. ↩

  39. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 243. ↩

  40. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 276. ↩ ↩2

  41. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 277. ↩

  42. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 491. ↩ ↩2

  43. Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 29 de outubro de 1930. ↩

  44. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 181. ↩

  45. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 278. ↩

  46. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 283. ↩

  47. Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 16 de dezembro de 1942. ↩

  48. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 284. ↩

  49. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 587. ↩ ↩2

  50. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 588. ↩

  51. Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 26 de fevereiro de 1914. ↩

  52. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 501. ↩

  53. Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 25 de agosto de 1948. ↩

  54. Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 23 de outubro de 1954. ↩

  55. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 364. ↩

  56. Armelim Guimarães. Sinopse da História de Itajubá. 1966, p. 53. ↩

  57. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 392. ↩

  58. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 324. ↩

  59. Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 1982 sobre a inauguração do Museu Venceslau Brás. ↩

  60. Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 15 de maio de 1966. ↩

  61. Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988, verbete de 14 de agosto de 1925. ↩

No acervo fotográfico

10 fotografias do acervo da História de Itajubá , em ordem de data.

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